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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg728149
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Infectologia Pediátrica
Criança de 5 anos, previamente saudável, foi internada por pneumonia adquirida na comunidade tratada com antibiótico endovenoso há 7 dias. Evolui com febre persistente, dor torácica e piora do desconforto respiratório. Radiografia de tórax mostra derrame pleural à direita e áreas de rarefação parenquimatosa compatíveis com necrose. Considerando a evolução e as possíveis complicações da pneumonia, quais são o diagnóstico e a conduta mais apropriada nesse caso?
  1. APneumonia viral refratária; manter antibioticoterapia oral e alta hospitalar em 24 horas se houver melhora clínica.
  2. BPneumonia bacteriana simples com boa resposta esperada ao tratamento antibiótico, sem necessidade de investigação adicional.
  3. CPneumonia adquirida na comunidade complicada, possivelmente com pneumonia necrosante e derrame parapneumônico, exigindo hospitalização prolongada e abordagem multidisciplinar.
  4. DPneumonia aspirativa, devendo-se iniciar broncodilatadores e fisioterapia respiratória exclusiva.
  5. EPneumatoceles pós-infecciosas, que não configuram complicação e dispensam acompanhamento.
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GabaritoC — Pneumonia adquirida na comunidade complicada, possivelmente com pneumonia necrosante e derrame parapneumônico, exigindo hospitalização prolongada e abordagem multidisciplinar.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pneumonia adquirida na comunidade complicada: pneumonia necrosante e derrame parapneumônico

Gabarito: letra C. A criança apresenta evolução desfavorável após 7 dias de antibioticoterapia endovenosa para pneumonia adquirida na comunidade (PAC), com febre persistente, dor torácica, piora do desconforto respiratório e radiografia mostrando derrame pleural e áreas de necrose parenquimatosa — quadro compatível com PAC complicada, incluindo pneumonia necrosante e derrame parapneumônico, que exige hospitalização prolongada e abordagem multidisciplinar. As demais alternativas descrevem situações que não correspondem à gravidade e às complicações apresentadas.

A pneumonia adquirida na comunidade é uma infecção aguda do parênquima pulmonar que ocorre em pacientes não hospitalizados ou com menos de 48 horas de internação. Embora a maioria dos casos evolua bem com antibioticoterapia empírica, uma parcela significativa dos pacientes internados (10 a 24%) pode apresentar falência terapêutica, definida como ausência de melhora clínica ou deterioração após 24 a 72 horas do início do tratamento. A falência precoce (nas primeiras 72 horas) geralmente está relacionada à gravidade da infecção primária, enquanto a resposta insatisfatória após 7 dias indica necessidade de reavaliação minuciosa, incluindo a busca por complicações.

As complicações mais comuns da PAC em crianças são o derrame pleural parapneumônico (acúmulo de líquido no espaço pleural em resposta à infecção) e a pneumonia necrosante (destruição do parênquima pulmonar com formação de cavidades). O derrame pleural pode evoluir para empiema quando há pus no espaço pleural, e a necrose parenquimatosa pode levar à formação de pneumatoceles (cavidades cheias de ar) ou abscessos. Essas complicações são mais frequentes em pneumonias por Streptococcus pneumoniae, Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes, e estão associadas a maior morbidade, necessidade de drenagem torácica, uso de antibióticos de espectro mais amplo e hospitalização prolongada.

O diagnóstico dessas complicações é baseado na radiografia de tórax, que pode mostrar derrame pleural, áreas de consolidação com necrose (cavitações) e pneumatoceles. A ultrassonografia e a tomografia computadorizada são úteis para melhor caracterização, especialmente quando há dúvida sobre a presença de empiema ou abscesso. A conduta envolve antibioticoterapia endovenosa prolongada, drenagem torácica quando há derrame significativo ou empiema, fisioterapia respiratória e suporte clínico, com acompanhamento multidisciplinar (pediatra, pneumologista, cirurgião torácico, fisioterapeuta).

A banca explora a confusão entre as complicações da PAC e outras condições que podem mimetizar o quadro, como pneumonia viral refratária, pneumonia aspirativa e pneumatoceles pós-infecciosas isoladas. A presença de derrame pleural e necrose parenquimatosa em uma criança com PAC em uso de antibiótico há 7 dias, com piora clínica, é altamente sugestiva de complicação bacteriana, e não de pneumonia viral ou de uma evolução simples. A conduta correta é a hospitalização prolongada com abordagem multidisciplinar, e não a alta precoce ou o tratamento exclusivo com broncodilatadores.

Guarde a fronteira entre PAC simples e PAC complicada: a presença de derrame pleural, necrose, abscesso ou pneumatocele define a complicação e muda completamente a conduta — é exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

Critério

PAC simples

PAC complicada (caso)

Evolução clínica

Melhora com antibioticoterapia em 24–72h

Febre persistente, dor torácica, piora respiratória após 7 dias de ATB

Achados radiológicos

Consolidação isolada

Derrame pleural + áreas de necrose (cavitações)

Conduta

Antibiótico oral/EV, alta precoce

Hospitalização prolongada, abordagem multidisciplinar, possível drenagem torácica

1Complicações
Derrame pleural parapneumônico
Empiema (pus no espaço pleural)
Pneumonia necrosante (cavitações)
Pneumatocele / abscesso
2Agentes mais comuns
Streptococcus pneumoniae
Staphylococcus aureus
Streptococcus pyogenes
3Conduta
Antibiótico EV prolongado
Drenagem torácica (se empiema)
Fisioterapia respiratória
Abordagem multidisciplinar
PAC complicada
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PAC complicada: Complicações (Derrame pleural parapneumônico, Empiema (pus no espaço pleural), Pneumonia necrosante (cavitações), Pneumatocele / abscesso); Agentes mais comuns (Streptococcus pneumoniae, Staphylococcus aureus, Streptococcus pyogenes); Conduta (Antibiótico EV prolongado, Drenagem torácica (se empiema), Fisioterapia respiratória, Abordagem multidisciplinar)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que se trata de pneumonia viral refratária e propõe manter antibioticoterapia oral com alta em 24 horas. O quadro é de pneumonia bacteriana complicada, não viral — a radiografia mostra derrame e necrose, achados típicos de infecção bacteriana grave. Além disso, a conduta de alta precoce com antibiótico oral é inadequada para um paciente com complicações, que exige internação prolongada e abordagem multidisciplinar.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Descreve pneumonia bacteriana simples com boa resposta esperada ao tratamento, sem necessidade de investigação adicional. A criança apresenta febre persistente, dor torácica, piora respiratória e radiografia com derrame e necrose após 7 dias de antibiótico — sinais claros de falência terapêutica e complicação, não de boa resposta. A investigação adicional (ultrassom, tomografia, drenagem) é necessária para caracterizar a extensão do derrame e da necrose.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Identifica corretamente a PAC complicada, com pneumonia necrosante e derrame parapneumônico, e indica hospitalização prolongada com abordagem multidisciplinar. A evolução com febre persistente, dor torácica, piora respiratória e achados radiológicos de derrame e necrose após 7 dias de antibiótico endovenoso é compatível com complicação da PAC, que exige manejo hospitalar prolongado, possível drenagem torácica e acompanhamento por equipe multidisciplinar.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Diagnostica pneumonia aspirativa e propõe broncodilatadores e fisioterapia respiratória exclusiva. Não há dados no enunciado que sugiram aspiração (como disfagia, refluxo ou episódio de engasgo), e o quadro radiológico de derrame e necrose é mais compatível com complicação de PAC bacteriana. A conduta com broncodilatadores e fisioterapia exclusiva é insuficiente para tratar derrame pleural e necrose, que podem exigir drenagem e antibióticos endovenosos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que pneumatoceles pós-infecciosas não configuram complicação e dispensam acompanhamento. Embora pneumatoceles possam ocorrer após pneumonia estafilocócica e geralmente regridam espontaneamente, sua presença associada a derrame pleural e necrose em um paciente com piora clínica indica complicação significativa que requer acompanhamento e tratamento. Além disso, a alternativa ignora o derrame pleural, que é uma complicação que pode exigir drenagem.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato com diagnósticos alternativos (pneumonia viral, aspirativa, pneumatoceles isoladas) que não explicam o quadro completo. O aluno pode cair na alternativa E ao focar apenas nas pneumatoceles, esquecendo que o derrame pleural e a necrose, associados à piora clínica, indicam PAC complicada. Lembre-se: derrame + necrose + falência terapêutica = complicação grave que exige internação prolongada e abordagem multidisciplinar.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, ao se deparar com um caso de pneumonia que não melhora com antibiótico, procure ativamente por complicações: derrame pleural, empiema, necrose, abscesso, pneumatocele. A radiografia de tórax é o primeiro passo, mas a ultrassonografia e a tomografia ajudam a caracterizar melhor. Se houver derrame significativo ou empiema, a drenagem torácica é frequentemente necessária.

Gabarito: letra C

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