Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg728152
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Infectologia Pediátrica
O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é o principal agente etiológico da bronquiolite em lactentes, com grande relevância clínica e epidemiológica. Sobre os mecanismos fisiopatológicos da infecção pelo VSR, assinale a alternativa correta.
AA infecção é predominantemente hematogênica, com replicação viral inicial em macrófagos alveolares e disseminação sistêmica precoce.
BAs proteínas F e G têm função apenas estrutural, sem papel na penetração viral nas células epiteliais respiratórias.
CO VSR causa dano pulmonar primariamente pela ação de toxinas secretadas, sem participação do processo inflamatório.
DA necrose epitelial ocorre tardiamente, somente após duas semanas de infecção, quando o epitélio bronquiolar já está regenerado.
EO vírus adere às células epiteliais respiratórias por meio das proteínas F e G, causando necrose epitelial, infiltração inflamatória e formação de plugs de muco que levam à obstrução bronquiolar e ao aprisionamento aéreo.
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GabaritoE — O vírus adere às células epiteliais respiratórias por meio das proteínas F e G, causando necrose epitelial, infiltração inflamatória e formação de plugs de muco que levam à obstrução bronquiolar e ao aprisionamento aéreo.
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Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e a fisiopatologia da bronquiolite
Gabarito: letra E. O VSR adere às células epiteliais respiratórias por meio das proteínas F e G, causando necrose epitelial, infiltração inflamatória e formação de plugs de muco que levam à obstrução bronquiolar e ao aprisionamento aéreo — exatamente o que descreve a alternativa correta. As demais alternativas distorcem o mecanismo: a infecção não é hematogênica, as proteínas F e G não são meramente estruturais, não há toxinas secretadas e a necrose epitelial não é tardia.
A bronquiolite aguda é uma infecção viral das pequenas vias aéreas, e o VSR é o principal agente etiológico em lactentes. O vírus é um paramixovírus envelopado cuja glicoproteína G media a adesão inicial à célula epitelial respiratória, enquanto a proteína F (fusion) promove a fusão do envelope viral com a membrana celular, permitindo a entrada do material genético. Essa é a porta de entrada da infecção — não há disseminação hematogênica primária, pois o vírus se replica localmente no epitélio respiratório.
A lesão pulmonar decorre de dois mecanismos combinados: o efeito citopático direto do vírus, que causa necrose e descamação do epitélio bronquiolar, e a resposta inflamatória do hospedeiro, com infiltração de células inflamatórias (linfócitos, neutrófilos) na parede das pequenas vias aéreas. Esse processo inflamatório, somado à necrose epitelial e ao aumento da produção de muco, leva à formação de plugs (rolos) de muco que obstruem os bronquíolos. A obstrução gera aprisionamento aéreo (hiperinsuflação) e atelectasias, manifestando-se clinicamente com taquipneia, sibilos e dispneia — os sinais clássicos da bronquiolite.
A fisiopatologia descrita é consistente com o que se observa na prática clínica: lactentes com bronquiolite apresentam sibilância na ausculta pulmonar, tosse e taquipneia, e os achados radiológicos incluem hiperinsuflação e atelectasias. O processo é agudo, com pico de gravidade nos primeiros dias, e não há participação de toxinas bacterianas — o dano é mediado pelo vírus e pela resposta imune. A necrose epitelial ocorre precocemente, nas primeiras 24-48 horas, e não após duas semanas, quando o epitélio já estaria regenerado.
A pegadinha central desta questão é a inversão do mecanismo: a banca tenta fazer o candidato acreditar que o VSR age como uma bactéria produtora de toxinas ou que a infecção é sistêmica desde o início. Na verdade, o VSR é um vírus respiratório com tropismo pelo epitélio ciliado das vias aéreas, e a doença é localizada no trato respiratório, com repercussões sistêmicas secundárias (febre, toxemia) apenas em casos graves. Guarde a sequência: adesão (proteína G) → fusão (proteína F) → replicação → necrose epitelial → inflamação → plugs de muco → obstrução → aprisionamento aéreo. É exatamente essa cadeia que a alternativa E descreve.
1Adesão (proteína G)
2Fusão (proteína F)
3Replicação viral
4Necrose epitelial
5Infiltrado inflamatório
6Plugs de muco
7Obstrução bronquiolar
8Aprisionamento aéreo
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a infecção é predominantemente hematogênica, com replicação inicial em macrófagos alveolares e disseminação sistêmica precoce. Isso está errado: o VSR é um vírus de transmissão respiratória que se replica primariamente nas células epiteliais ciliadas das vias aéreas superiores e inferiores, não em macrófagos alveolares, e a infecção permanece localizada no trato respiratório. A viremia é rara e não é o mecanismo predominante da doença. A alternativa confunde o VSR com vírus que causam infecção sistêmica, como o sarampo ou a varicela.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que as proteínas F e G têm função apenas estrutural, sem papel na penetração viral. É o oposto: a proteína G é responsável pela adesão do vírus à célula epitelial, e a proteína F medeia a fusão do envelope viral com a membrana celular, permitindo a entrada do vírus. São justamente as proteínas de superfície que determinam o tropismo e a infectividade do VSR. A alternativa inverte o papel dessas glicoproteínas, tratando-as como meros componentes estruturais.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Sustenta que o dano pulmonar é causado primariamente por toxinas secretadas, sem participação do processo inflamatório. O VSR não produz toxinas; o dano é resultado do efeito citopático direto do vírus (necrose epitelial) e da resposta inflamatória do hospedeiro, com infiltração de células inflamatórias e edema. A inflamação é parte central da fisiopatologia, não um elemento ausente. Essa alternativa confunde o mecanismo viral com o de bactérias produtoras de toxinas, como a difteria ou o tétano.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a necrose epitelial ocorre tardiamente, somente após duas semanas, quando o epitélio já está regenerado. A necrose epitelial é precoce, ocorrendo nas primeiras 24-48 horas da infecção, e é um dos primeiros eventos fisiopatológicos. A regeneração epitelial começa após o pico da doença, mas a necrose não espera duas semanas. A alternativa inverte a cronologia do processo, sugerindo que a lesão ocorre quando o epitélio já se recuperou — o que não faz sentido fisiopatológico.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve corretamente a fisiopatologia: o vírus adere às células epiteliais respiratórias por meio das proteínas F e G, causando necrose epitelial, infiltração inflamatória e formação de plugs de muco que levam à obstrução bronquiolar e ao aprisionamento aéreo. Essa é a sequência exata dos eventos: adesão e fusão viral, replicação, morte celular, resposta inflamatória, hipersecreção de muco, obstrução das pequenas vias aéreas e hiperinsuflação. A alternativa sintetiza o mecanismo completo, sem erros conceituais.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o mecanismo viral (citopático + inflamatório) e o mecanismo bacteriano (toxinas). O candidato que associa "infecção" a "toxinas" ou "disseminação sistêmica" cai nas alternativas A ou C. Lembre-se: o VSR é um vírus respiratório localizado, sem produção de toxinas, e a inflamação é parte essencial da lesão. Com treino, você reconhece essas inversões de longe 💪