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Questão de Medicina — Distúrbios Nutricionais — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaDistúrbios Nutricionais
Código
qg728155
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Infectologia Pediátrica
Os transtornos alimentares apresentam etiologia multifatorial, envolvendo aspectos genéticos, psicológicos, familiares, ambientais e sociais. Com base nos conhecimentos atuais sobre a patogênese desses distúrbios, assinale a alternativa correta.
  1. AA presença de transtornos alimentares em familiares de primeiro grau não tem relação significativa com o risco individual, sendo os fatores sociais os principais determinantes.
  2. BA predisposição genética tem papel relevante, observando-se alta concordância em gêmeas monozigóticas e associação de um lócus no cromossomo 12 com anorexia nervosa.
  3. CAs alterações de neurotransmissores, como dopamina e serotonina, não influenciam o apetite e o comportamento alimentar.
  4. DFamílias com comunicação aberta e baixo nível de cobrança em relação à aparência tendem a apresentar maior prevalência de transtornos alimentares.
  5. EO uso de substâncias psicoativas é raro em pacientes com bulimia nervosa, mas comum em anoréxicos do tipo restritivo.
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GabaritoB — A predisposição genética tem papel relevante, observando-se alta concordância em gêmeas monozigóticas e associação de um lócus no cromossomo 12 com anorexia nervosa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Transtornos alimentares: etiologia multifatorial e bases genéticas

Gabarito: letra B. A alternativa correta afirma que a predisposição genética tem papel relevante nos transtornos alimentares, com alta concordância em gêmeas monozigóticas e associação de um lócus no cromossomo 12 com anorexia nervosa — o que está de acordo com a literatura médica sobre o tema. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre fatores de risco, neurotransmissores, dinâmica familiar e comorbidades.

Os transtornos alimentares (anorexia nervosa, bulimia nervosa e transtorno da compulsão alimentar periódica) são condições psiquiátricas complexas, cuja etiologia é reconhecidamente multifatorial. Isso significa que não há uma causa única: a vulnerabilidade individual resulta da interação entre fatores genéticos, neurobiológicos, psicológicos, familiares, socioculturais e ambientais. Compreender essa interação é essencial para o diagnóstico e o tratamento adequados.

A genética é um dos pilares dessa vulnerabilidade. Estudos com famílias e gêmeos demonstram que há um componente hereditário significativo: a concordância para anorexia nervosa em gêmeas monozigóticas (idênticas) é substancialmente maior do que em gêmeas dizigóticas (fraternas), o que aponta para a influência genética. Além disso, estudos de ligação e associação genômica identificaram regiões cromossômicas de interesse, incluindo um lócus no cromossomo 12 associado à anorexia nervosa. Esses achados não significam que exista um "gene da anorexia", mas sim que variações em múltiplos genes contribuem para a susceptibilidade, interagindo com o ambiente.

Os neurotransmissores também desempenham papel central na regulação do apetite e do comportamento alimentar. A serotonina está envolvida na saciedade, no humor e no controle de impulsos; a dopamina participa dos circuitos de recompensa e prazer relacionados à alimentação. Alterações nesses sistemas — seja por predisposição genética, seja por consequência da desnutrição ou dos comportamentos compensatórios — influenciam diretamente a patogênese dos transtornos alimentares. Por exemplo, a restrição alimentar na anorexia pode levar a alterações na função serotoninérgica, que perpetuam o quadro.

O ambiente familiar e social é outro componente importante, mas não no sentido simplista de "causa". Famílias com comunicação aberta e baixa cobrança em relação à aparência tendem a ser um fator de proteção, não de risco. Por outro lado, dinâmicas familiares disfuncionais, com altos níveis de conflito, crítica e supervalorização da estética, podem contribuir para o desenvolvimento do transtorno em indivíduos geneticamente vulneráveis. A mídia e os padrões socioculturais de beleza também exercem pressão, mas atuam como gatilhos em um terreno de predisposição.

As comorbidades são frequentes e merecem atenção. O uso de substâncias psicoativas é mais comum em pacientes com bulimia nervosa do que em anoréxicos do tipo restritivo. Enquanto a bulimia frequentemente se associa a comportamentos impulsivos, incluindo abuso de álcool e outras drogas, a anorexia restritiva caracteriza-se justamente pelo controle e pela rigidez, sendo o uso de substâncias menos prevalente nesse subtipo.

A pegadinha central desta questão está em inverter o papel dos fatores: a banca tenta fazer o candidato acreditar que fatores sociais são os principais determinantes (desconsiderando a genética), que neurotransmissores não influenciam (quando influenciam decisivamente), que famílias saudáveis aumentam o risco (quando protegem) e que o uso de drogas é raro na bulimia (quando é mais comum). A alternativa B é a única que apresenta uma afirmação cientificamente correta e específica, ancorada em evidências de estudos genéticos.

Guarde o critério decisivo: a etiologia é multifatorial, mas a genética tem papel relevante e comprovado, com alta concordância em monozigóticas e associação com o cromossomo 12 na anorexia. É exatamente esse conhecimento que separa a alternativa correta das demais.

Transtornos alimentares
  • 1Etiologia multifatorial
    • Genética
      • Alta concordância em monozigóticas
      • Lócus no cromossomo 12 (anorexia)
    • Neurobiologia
      • Serotonina (saciedade, humor)
      • Dopamina (recompensa)
    • Psicossociais
      • Família (proteção ou risco)
      • Mídia e padrões de beleza
  • 2Comorbidades
    • Bulimia: uso de substâncias é comum
    • Anorexia restritiva: uso é raro
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a presença de transtornos alimentares em familiares de primeiro grau não tem relação significativa com o risco individual, sendo os fatores sociais os principais determinantes. Há dois erros: (1) a história familiar positiva é um fator de risco bem estabelecido — a herdabilidade estimada para anorexia nervosa é alta, e ter um familiar de primeiro grau afetado aumenta significativamente o risco; (2) os fatores sociais são importantes, mas não são os "principais determinantes" isoladamente — eles interagem com a predisposição genética. A alternativa desconsidera a contribuição genética comprovada.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmação está correta: a predisposição genética tem papel relevante, com alta concordância em gêmeas monozigóticas (estudos clássicos mostram concordância muito maior em monozigóticas do que em dizigóticas) e associação de um lócus no cromossomo 12 com anorexia nervosa (identificado em estudos de ligação genética). Esses achados são consistentes com a literatura sobre a base genética dos transtornos alimentares.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que alterações de neurotransmissores, como dopamina e serotonina, não influenciam o apetite e o comportamento alimentar. É o oposto do que a ciência demonstra: a serotonina regula saciedade e humor, e a dopamina está nos circuitos de recompensa alimentar. Disfunções nesses sistemas estão implicadas na fisiopatologia da anorexia e da bulimia, sendo alvos de tratamento farmacológico (ex.: inibidores seletivos da recaptação de serotonina na bulimia).

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que famílias com comunicação aberta e baixo nível de cobrança em relação à aparência tendem a apresentar maior prevalência de transtornos alimentares. É uma inversão do fator de proteção: esses padrões familiares são considerados protetores, associados a menor risco. O risco aumenta em ambientes com alta cobrança estética, conflitos e comunicação disfuncional.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o uso de substâncias psicoativas é raro em pacientes com bulimia nervosa, mas comum em anoréxicos do tipo restritivo. É o contrário do que se observa: a bulimia nervosa associa-se mais frequentemente a comportamentos impulsivos e ao uso de álcool e outras drogas, enquanto a anorexia restritiva caracteriza-se pelo controle e pela rigidez, com menor prevalência de uso de substâncias.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte sistematicamente os fatores: genética vira "sem relação", neurotransmissores viram "sem influência", família saudável vira "fator de risco" e o padrão de comorbidade da bulimia vira o da anorexia. O candidato que memoriza apenas os fatores sociais como causa principal cai na alternativa A; quem conhece a base genética e neurobiológica reconhece a B como a única correta. Fique atento a essas inversões — elas são o padrão clássico da banca neste tema.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de transtornos alimentares, organize o estudo em quatro eixos: (1) genética — herdabilidade, concordância em gêmeos, cromossomos de interesse; (2) neurobiologia — serotonina, dopamina, circuitos de recompensa; (3) fatores psicossociais — família, mídia, cultura (como gatilhos, não causas); (4) comorbidades — depressão, ansiedade, uso de substâncias (mais comum na bulimia). Essa estrutura cobre a maioria das questões do tema.

Gabarito: letra B

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