Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg728157
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Infectologia Pediátrica
Recém-nascido de termo, parto vaginal, líquido amniótico claro, apresenta bom tônus, chora logo após o nascimento e respira espontaneamente. O profissional responsável pela assistência avalia que não há necessidade de manobras de reanimação. Considerando as recomendações atuais para o cuidado imediato ao recém-nascido de termo com boa vitalidade, qual deve ser a conduta adequada nesse momento?
ARealizar aspiração de vias aéreas e clampear o cordão umbilical imediatamente após o nascimento, prevenindo aspiração de mecônio e anemia.
BSeparar o recém-nascido da mãe para secagem, avaliação e profilaxia ocular antes do início da amamentação.
CManter o contato pele a pele com a mãe, garantir a normotermia e realizar o clampeamento do cordão umbilical após, no mínimo, 60 segundos, estimulando o aleitamento na primeira hora de vida.
DIniciar o banho logo após o nascimento para reduzir o risco de hipotermia e infecção.
EPosicionar o recém-nascido em berço aquecido, observando saturação de oxigênio e frequência cardíaca por 10 minutos antes de iniciar o contato com a mãe.
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GabaritoC — Manter o contato pele a pele com a mãe, garantir a normotermia e realizar o clampeamento do cordão umbilical após, no mínimo, 60 segundos, estimulando o aleitamento na primeira hora de vida.
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Cuidados imediatos ao recém-nascido de termo com boa vitalidade
Gabarito: letra C. Para o recém-nascido de termo que nasce com boa vitalidade (chora, respira espontaneamente, bom tônus), a conduta recomendada é manter o contato pele a pele com a mãe, garantir a normotermia e realizar o clampeamento tardio do cordão (após, no mínimo, 60 segundos), estimulando o aleitamento materno na primeira hora de vida. Essa conduta está alinhada às diretrizes atuais de reanimação neonatal e aos cuidados humanizados ao nascimento.
O cuidado imediato ao recém-nascido mudou muito nas últimas décadas. Antigamente, a rotina era separar o bebê da mãe para secagem, aspiração de vias aéreas, clampeamento imediato do cordão e banho precoce. Hoje, sabemos que essas intervenções, quando não há indicação clínica, podem ser prejudiciais. O recém-nascido de termo e com boa vitalidade não precisa de aspiração de vias aéreas (a menos que haja obstrução evidente), e o clampeamento imediato do cordão reduz a transfusão placentária, diminuindo as reservas de ferro e aumentando o risco de anemia. O contato pele a pele precoce promove o vínculo mãe-bebê, auxilia na manutenção da temperatura corporal, estimula a amamentação e coloniza o bebê com as bactérias benéficas da mãe, em vez das bactérias hospitalares.
A normotermia é um dos pilares do cuidado neonatal: a temperatura do recém-nascido deve ser mantida entre 36,5°C e 37,5°C. O contato pele a pele com a mãe é uma forma eficaz de manter essa temperatura, pois o corpo da mãe regula naturalmente a temperatura do bebê. O banho precoce, ao contrário, pode causar hipotermia e deve ser adiado até que o bebê esteja estável e com temperatura adequada.
O clampeamento tardio do cordão (realizado após 1 a 3 minutos) permite a transfusão de sangue placentário, aumentando o volume sanguíneo e as reservas de ferro do recém-nascido. Estudos mostram que o clampeamento tardio reduz a anemia na infância. As diretrizes recomendam aguardar pelo menos 60 segundos antes de clampear, desde que o bebê não necessite de reanimação.
O aleitamento materno na primeira hora de vida é recomendado pela Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde. O contato pele a pele imediato e a sucção precoce estimulam a produção de leite, fortalecem o vínculo e trazem benefícios imunológicos e emocionais para o bebê.
A banca explora a pegadinha de apresentar condutas antigas e ultrapassadas como se fossem atuais. O candidato que não está atualizado pode marcar a alternativa A (aspiração e clampeamento imediato) ou a D (banho precoce), mas ambas estão incorretas segundo as evidências atuais.
1Contato pele a pele
2Normotermia (36,5–37,5°C)
3Clampeamento tardio (≥60s)
4Aleitamento na 1ª hora
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A aspiração de vias aéreas não é recomendada para recém-nascidos de termo com boa vitalidade, pois pode causar lesão da mucosa e bradicardia reflexa. Além disso, o clampeamento imediato do cordão não previne anemia; pelo contrário, reduz a transfusão placentária e aumenta o risco de anemia. A alternativa inverte o conceito: o clampeamento tardio é que previne anemia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Separar o recém-nascido da mãe para secagem, avaliação e profilaxia ocular antes do início da amamentação contraria a recomendação de contato pele a pele imediato e aleitamento na primeira hora. A profilaxia ocular pode ser realizada após o contato inicial, sem necessidade de separar o bebê da mãe.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa resume corretamente as recomendações atuais: manter o contato pele a pele com a mãe, garantir a normotermia, realizar o clampeamento do cordão após, no mínimo, 60 segundos e estimular o aleitamento materno na primeira hora de vida. Todos esses cuidados são baseados em evidências e promovem a saúde e o bem-estar do recém-nascido.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Iniciar o banho logo após o nascimento aumenta o risco de hipotermia, pois o bebê perde calor rapidamente. O banho deve ser adiado até que o recém-nascido esteja estável e com temperatura adequada. Além disso, o banho precoce não reduz o risco de infecção; o contato pele a pele e a higiene adequada das mãos são mais eficazes.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Posicionar o recém-nascido em berço aquecido e observar saturação de oxigênio e frequência cardíaca por 10 minutos antes de iniciar o contato com a mãe atrasa o vínculo e o aleitamento. O recém-nascido de termo com boa vitalidade não precisa de monitorização prolongada em berço aquecido; o contato pele a pele imediato é mais benéfico. A monitorização pode ser feita durante o contato pele a pele.