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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg728158
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Infectologia Pediátrica
Uma mãe procura o pronto atendimento com seu filho de 7 anos que, há 10 meses, foi submetido a transplante alogênico de células-tronco hematopoéticas devido à anemia aplástica grave. A criança encontra-se estável, ainda em uso de imunossupressores e sem sinais de doença do enxerto contra hospedeiro. A mãe traz a carteira de vacinação e questiona quando poderá retomar as vacinas de rotina. Nesse caso, a conduta mais adequada em relação à vacinação dessa criança é
  1. Areiniciar imediatamente o calendário vacinal completo, incluindo vacinas vivas atenuadas, pois já se passaram mais de seis meses do transplante.
  2. Bmanter apenas vacinas inativadas, pois pacientes transplantados nunca recuperam totalmente a imunocompetência.
  3. Caplicar apenas vacinas de bloqueio, como hepatite B e pneumocócica, uma vez que a imunidade do doador confere proteção suficiente.
  4. Daguardar a recuperação imunológica completa e, na ausência de doença do enxerto e imunossupressão, reiniciar o esquema vacinal.
  5. Eretomar todas as vacinas exceto as de vírus vivos que devem ser permanentemente contraindicadas nesse paciente.
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GabaritoD — aguardar a recuperação imunológica completa e, na ausência de doença do enxerto e imunossupressão, reiniciar o esquema vacinal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vacinação pós-transplante de células-tronco hematopoéticas

Gabarito: letra D. Após o transplante alogênico de células-tronco hematopoéticas (TCTH), a revacinação deve ser adiada até a recuperação imunológica completa, o que ocorre, em geral, após 6 a 12 meses do transplante, e desde que o paciente esteja sem doença do enxerto contra hospedeiro (DECH) e sem imunossupressão significativa — exatamente o que a alternativa D descreve. Essa conduta segue as recomendações do Ministério da Saúde e de sociedades científicas, que orientam reiniciar o esquema vacinal apenas quando a imunocompetência estiver restabelecida, priorizando inicialmente as vacinas inativadas e, posteriormente, as vivas atenuadas, se não houver contraindicação.

O transplante de células-tronco hematopoéticas é um procedimento que abla o sistema imunológico do receptor e o substitui por células do doador. Durante os primeiros meses, a imunidade fica profundamente comprometida: há linfopenia, perda da memória imunológica e risco aumentado de infecções. Por isso, as vacinas aplicadas antes do transplante não conferem mais proteção — a resposta imune precisa ser reconstruída do zero. A revacinação, portanto, não é uma simples retomada do calendário, mas um novo esquema primário, que deve ser planejado conforme o grau de reconstituição imunológica.

O ponto central é o momento seguro para reiniciar. As diretrizes recomendam aguardar, em média, 6 a 12 meses após o TCTH, desde que o paciente esteja estável, sem DECH ativa e com imunossupressão mínima ou ausente. A presença de DECH ou o uso contínuo de imunossupressores (como ciclosporina, tacrolimo, corticoides) contraindica vacinas vivas atenuadas (sarampo, caxumba, rubéola, varicela, febre amarela, rotavírus, BCG, VOP), pois há risco de doença pelo próprio vírus vacinal. Já as vacinas inativadas (hepatite B, DTPa, VIP, pneumocócica, meningocócica, influenza, Hib, HPV) podem ser administradas, mas idealmente após a recuperação imunológica, para garantir resposta adequada.

Na prática, o esquema pós-TCTH costuma ser: reiniciar com vacinas inativadas (ex.: DTPa, VIP, Hib, pneumocócica, meningocócica, influenza, hepatite B) a partir de 6 meses, e adiar as vivas atenuadas (tríplice viral, varicela, febre amarela) para após 24 meses ou quando houver certeza de imunocompetência, sempre avaliando a contagem de linfócitos e a ausência de DECH. A alternativa D captura exatamente essa lógica: aguardar a recuperação completa e, na ausência de DECH e imunossupressão, reiniciar o esquema.

A pegadinha da questão está em antecipar o reinício (alternativa A), restringir permanentemente (alternativas B e E) ou subestimar a necessidade de revacinação completa (alternativa C). O candidato que sabe que o transplante apaga a memória imunológica e que o tempo mínimo é de 6 meses, com critérios de segurança, acerta a letra D.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "já se passaram 6 meses" e "recuperação imunológica completa". O prazo de 6 meses é o mínimo sugerido, mas não é suficiente por si só: é preciso que o paciente esteja sem DECH e sem imunossupressão. A alternativa A cai nessa armadilha ao afirmar que basta o tempo decorrido. Além disso, as alternativas B e E erram ao generalizar a contraindicação das vacinas vivas: elas não são permanentemente proibidas, apenas adiadas até a recuperação imunológica.

Critério

Conduta correta (D)

Condutas incorretas (A, B, C, E)

Momento do reinício

Após recuperação imunológica completa (geralmente 6–12 meses)

A: imediatamente após 6 meses; B: nunca; C: apenas vacinas de bloqueio; E: retomar todas, exceto vivas (permanente)

Vacinas vivas atenuadas

Adiadas até imunocompetência comprovada (ex.: 24 meses)

A: liberadas imediatamente; B: nunca liberadas; C: não mencionadas; E: permanentemente contraindicadas

Vacinas inativadas

Reiniciadas após recuperação, como novo esquema primário

A: reiniciadas cedo demais; B: mantidas apenas; C: apenas algumas; E: reiniciadas, mas com erro nas vivas

Avaliação da imunossupressão/DECH

Exigida (ausência de DECH e imunossupressão)

A: ignorada; B: generalizada; C: ignorada; E: ignorada

  1. 1Aguardar recuperação imunológica
  2. 2Sem DECH e sem imunossupressão
  3. 3Reiniciar com inativadas
  4. 4Vivas atenuadas após 24 meses
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erra ao afirmar que se pode reiniciar imediatamente o calendário completo, incluindo vacinas vivas, apenas porque já se passaram 6 meses. O prazo de 6 meses é uma referência, mas a decisão depende da recuperação imunológica efetiva — ausência de DECH e imunossupressão. Aplicar vacinas vivas atenuadas em paciente ainda imunossuprimido pode causar doença pelo vírus vacinal. O correto é aguardar a avaliação individual.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que pacientes transplantados nunca recuperam totalmente a imunocompetência, o que é falso. Com o tempo, sem DECH e sem imunossupressão, a maioria reconstrói a imunidade e pode receber todas as vacinas, inclusive as vivas atenuadas. A recuperação é gradual, mas não é permanentemente incompleta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Sugere aplicar apenas vacinas de bloqueio (hepatite B e pneumocócica), alegando que a imunidade do doador confere proteção suficiente. Isso é um equívoco: a imunidade transferida pelo doador é passiva e temporária, não substitui a necessidade de revacinação completa do receptor. O paciente precisa de um novo esquema vacinal primário, não de algumas vacinas isoladas.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Reflete a conduta correta: aguardar a recuperação imunológica completa e, na ausência de DECH e imunossupressão, reiniciar o esquema vacinal. É exatamente o que preconizam as diretrizes: o reinício só ocorre quando o paciente está imunocompetente, e o esquema deve ser retomado por completo, respeitando as contraindicações temporárias das vacinas vivas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erra ao afirmar que as vacinas de vírus vivos são permanentemente contraindicadas. Elas são temporariamente adiadas até a recuperação imunológica. Após 24 meses, com imunocompetência comprovada e sem DECH, a maioria dos pacientes pode receber vacinas vivas atenuadas com segurança. A contraindicação não é definitiva.

Gabarito: letra D

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