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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
qg728163
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Infectologia Pediátrica
A leptospirose apresenta amplo espectro clínico, desde formas leves e autolimitadas até quadros graves com falência de múltiplos órgãos. A respeito das suas manifestações clínicas, assinale a alternativa correta.
  1. AO período de incubação da leptospirose varia de 1 a 3 dias, e a eliminação de leptospiras pela urina ocorre apenas na fase ictérica.
  2. BA forma grave da doença, conhecida como síndrome de Weil, caracteriza-se por anúria e colapso circulatório nas primeiras 24 horas de infecção.
  3. CA fase septicêmica da leptospirose tem duração média de 20 dias, sendo marcada por febre baixa e conjuntivite discreta.
  4. DA doença evolui em duas fases, septicêmica e imune, podendo cursar com conjuntivite, dor nas panturrilhas, meningite asséptica e, nas formas graves, insuficiência renal e hepática.
  5. EA meningite asséptica ocorre exclusivamente em pacientes com a forma anictérica, sendo rara na forma ictérica.
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GabaritoD — A doença evolui em duas fases, septicêmica e imune, podendo cursar com conjuntivite, dor nas panturrilhas, meningite asséptica e, nas formas graves, insuficiência renal e hepática.

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Leptospirose: manifestações clínicas e evolução bifásica

Gabarito: letra D. A leptospirose evolui em duas fases — septicêmica e imune — e pode cursar com conjuntivite, dor nas panturrilhas, meningite asséptica e, nas formas graves, insuficiência renal e hepática, exatamente como descreve a alternativa. Essa descrição está alinhada com a literatura médica sobre a doença, que destaca o espectro clínico amplo e a possibilidade de comprometimento multissistêmico.

A leptospirose é uma zoonose causada por espiroquetas do gênero Leptospira, transmitida pelo contato com água ou solo contaminados pela urina de animais infectados, principalmente roedores. A doença tem distribuição mundial, com predomínio em regiões tropicais e associação a enchentes e más condições de saneamento. O quadro clínico é extremamente variável: a maioria dos infectados apresenta formas leves e autolimitadas, mas uma minoria (menos de 10%) evolui para formas graves, com acometimento hepático e renal e alta mortalidade.

A evolução clássica da leptospirose é bifásica. A primeira fase, septicêmica, corresponde à disseminação hematogênica da bactéria e dura em média de 3 a 7 dias. Caracteriza-se por início abrupto de febre alta, calafrios, cefaleia, mialgia intensa (especialmente em panturrilhas e região lombar), hiperemia conjuntival e sintomas digestivos. A segunda fase, imune, coincide com o aparecimento de anticorpos IgM e pode ser assintomática ou manifestar-se com febre menos pronunciada, mas com cefaleia e mialgias intensas, além de meningite asséptica. É importante destacar que a maioria dos pacientes não apresenta a segunda fase, e que as formas graves, como a síndrome de Weil, podem cursar com icterícia, insuficiência renal, hemorragia pulmonar e falência de múltiplos órgãos.

A síndrome de Weil é a forma ictérica grave da leptospirose, caracterizada pela tríade clássica de icterícia, insuficiência renal e hemorragias, frequentemente com comprometimento pulmonar. A insuficiência hepática franca é rara, mas a disfunção renal é comum e pode exigir diálise. A meningite asséptica é uma manifestação importante da fase imune e pode ocorrer tanto na forma anictérica quanto na ictérica, contrariando a ideia de que seria exclusiva de uma delas. A dor nas panturrilhas e a sufusão conjuntival são achados semiológicos característicos e de grande valor diagnóstico.

A banca explora, nesta questão, o conhecimento sobre a evolução natural da doença e suas principais manifestações. A alternativa correta sintetiza corretamente as duas fases e os principais sinais e sintomas, incluindo as complicações graves. As demais alternativas contêm erros factuais sobre o período de incubação, a duração das fases, a apresentação da síndrome de Weil e a ocorrência de meningite asséptica. Vamos analisar cada uma.

Característica

Fase Septicêmica

Fase Imune

Duração média

3 a 7 dias

Variável (pode ser assintomática)

Febre

Alta, com calafrios

Menos pronunciada

Principais manifestações

Mialgia intensa (panturrilhas), hiperemia conjuntival, cefaleia

Cefaleia, mialgias, meningite asséptica

Mecanismo

Disseminação hematogênica da bactéria

Resposta imune (anticorpos IgM)

  1. 1Período de incubação (7-14 dias)
  2. 2Fase septicêmica (3-7 dias)
  3. 3Fase imune (IgM)
  4. 4Formas graves (Weil)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O período de incubação da leptospirose não é de 1 a 3 dias, mas sim de 7 a 14 dias em média (podendo variar de 2 a 30 dias). Além disso, a eliminação de leptospiras pela urina não ocorre apenas na fase ictérica: a leptospirúria pode ocorrer em qualquer fase da doença, embora seja mais intensa e prolongada na fase imune, quando as bactérias deixam a corrente sanguínea e se alojam nos túbulos renais. A alternativa erra tanto no período de incubação quanto na restrição da eliminação urinária à forma ictérica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A síndrome de Weil não se caracteriza por anúria e colapso circulatório nas primeiras 24 horas de infecção. A forma grave da leptospirose evolui de forma mais gradual, com icterícia, insuficiência renal (que pode ser oligúrica ou não) e hemorragias, geralmente após a primeira semana de doença. O colapso circulatório e a anúria precoce não são a apresentação típica da síndrome de Weil, que costuma se manifestar com a tríade clássica de icterícia, insuficiência renal e hemorragia, mas não necessariamente nas primeiras 24 horas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A fase septicêmica da leptospirose não tem duração média de 20 dias. A fase septicêmica dura em média de 3 a 7 dias, sendo seguida pela fase imune, que pode ser assintomática ou manifestar-se com febre menos pronunciada, cefaleia e mialgias intensas. A alternativa também erra ao afirmar que a fase septicêmica é marcada por febre baixa e conjuntivite discreta: na verdade, a fase septicêmica é caracterizada por febre alta, calafrios, mialgia intensa e hiperemia conjuntival (que pode ser discreta, mas não é o padrão). A duração de 20 dias não corresponde a nenhuma das fases da doença.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve corretamente a evolução bifásica da leptospirose: fase septicêmica (primeira) e fase imune (segunda). Além disso, lista corretamente as principais manifestações clínicas: conjuntivite (hiperemia ou sufusão conjuntival), dor nas panturrilhas (mialgia característica), meningite asséptica (manifestação da fase imune) e, nas formas graves, insuficiência renal e hepática (síndrome de Weil). Essa descrição está em conformidade com a literatura médica sobre a doença, que destaca o espectro clínico amplo e a possibilidade de comprometimento multissistêmico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A meningite asséptica não ocorre exclusivamente na forma anictérica. Embora seja mais comum na forma anictérica (especialmente na forma meníngea), a meningite asséptica pode ocorrer também na forma ictérica, como parte do espectro de manifestações da fase imune. A alternativa erra ao afirmar que seria rara na forma ictérica, pois a meningite asséptica é uma manifestação que pode estar presente em ambas as formas clínicas da doença.

Gabarito: letra D

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