Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg728166
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Infectologia Pediátrica
Em relação ao diagnóstico da tuberculose pulmonar (TBP) na infância, assinale a alternativa correta.
ABaseia-se na clínica e na epidemiologia, associadas à prova tuberculínica e radiografia de tórax, sendo a confirmação bacteriológica difícil pela natureza paucibacilar em crianças.
BA baciloscopia de escarro é o método de escolha em crianças, pois apresenta alta sensibilidade mesmo na ausência de tosse produtiva.
CA prova tuberculínica isoladamente é suficiente para confirmar o diagnóstico de tuberculose pulmonar na criança.
DO ensaio de liberação de interferon-gama (IGRA) substituiu definitivamente a prova tuberculínica no diagnóstico da infecção latente em menores de dois anos.
EA reação positiva à tuberculina indica necessariamente doença ativa por Mycobacterium tuberculosis, independentemente da história clínica ou epidemiológica.
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GabaritoA — Baseia-se na clínica e na epidemiologia, associadas à prova tuberculínica e radiografia de tórax, sendo a confirmação bacteriológica difícil pela natureza paucibacilar em crianças.
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Diagnóstico da tuberculose pulmonar na infância
Gabarito: letra A. O diagnóstico da tuberculose pulmonar (TBP) na criança baseia-se na combinação de critérios clínicos, epidemiológicos, associados à prova tuberculínica (PT) e à radiografia de tórax, sendo a confirmação bacteriológica difícil pela natureza paucibacilar das lesões nessa faixa etária — exatamente o que afirma a alternativa A. Essa é a orientação do Ministério da Saúde, que descreve o diagnóstico da TB na infância por sistema de escore, dada a dificuldade de confirmação microbiológica.
A tuberculose na criança apresenta especificidades que a distinguem do adulto. A forma pulmonar costuma ser abacilífera ou paucibacilar, ou seja, com reduzido número de bacilos nas lesões, o que torna a baciloscopia de escarro frequentemente negativa. Além disso, crianças pequenas geralmente não conseguem expectorar, dificultando ainda mais a coleta de amostras para exame bacteriológico. Por isso, o diagnóstico se apoia em um conjunto de evidências indiretas: sintomas clínicos (tosse persistente por mais de duas semanas, febre, perda de peso, redução do apetite), história epidemiológica de contato com adulto bacilífero, prova tuberculínica reatora e alterações radiológicas sugestivas.
O Ministério da Saúde, no Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil, descreve o diagnóstico da TB pulmonar na infância por sistema de escore, que pontua esses critérios combinados. A confirmação bacteriológica, quando possível, é desejável, mas sua ausência não impede o diagnóstico na criança, justamente pela natureza paucibacilar. Em adolescentes (≥ 10 anos), as manifestações se assemelham às do adulto, com maior positividade à baciloscopia e possibilidade de uso do teste rápido molecular (TRM-TB).
A prova tuberculínica (PT) e o IGRA são testes imunológicos que indicam infecção pelo Mycobacterium tuberculosis, mas não distinguem infecção latente de doença ativa. Uma PT reatora isoladamente não confirma TBP, assim como uma PT negativa não a exclui, especialmente em imunossuprimidos. O diagnóstico de doença ativa exige a correlação com clínica, epidemiologia e imagem. Essa é a distinção central que a questão explora: a banca tenta fazer o candidato confundir "infecção" com "doença ativa" e superestimar o papel isolado de um teste.
Guarde o tripé do diagnóstico na infância: clínica + epidemiologia + (PT ou IGRA) + radiografia de tórax, com a confirmação bacteriológica sendo difícil, mas não impossível. É exatamente nessa combinação que as alternativas se dividem.
Diagnóstico TBP na infância: Base (tripé) (Clínica, Epidemiologia, PT ou IGRA, Radiografia de tórax); Confirmação bacteriológica (Difícil (natureza paucibacilar), Crianças não expectoram); Sistema de escore (MS) (Pontua critérios combinados); PT/IGRA (Indicam infecção, Não distinguem infecção × doença ativa)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa reproduz fielmente o que preconiza o Ministério da Saúde: o diagnóstico da TBP na infância baseia-se na clínica e na epidemiologia, associadas à prova tuberculínica e à radiografia de tórax, sendo a confirmação bacteriológica difícil pela natureza paucibacilar em crianças. O manual oficial descreve que a forma pulmonar na criança "costuma ser abacilífera, isto é, negativa ao exame bacteriológico, pelo reduzido número de bacilos nas lesões" e que "crianças, em geral, não são capazes de expectorar". Por isso, o diagnóstico é feito por sistema de escore, combinando os critérios citados.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a baciloscopia de escarro é o método de escolha em crianças e apresenta alta sensibilidade mesmo na ausência de tosse produtiva. Há dois erros: (1) na criança, a baciloscopia tem baixa sensibilidade justamente pela natureza paucibacilar das lesões; (2) a ausência de tosse produtiva inviabiliza a coleta de escarro de qualidade, sendo raro obtê-lo em crianças pequenas. O método de escolha na infância é o sistema de escore com critérios clínicos, epidemiológicos, imunológicos e radiológicos, não a baciloscopia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A prova tuberculínica isoladamente não é suficiente para confirmar o diagnóstico de TBP na criança. A PT indica apenas infecção pelo bacilo, não doença ativa. Uma PT reatora pode ocorrer em infecção latente, em vacinados com BCG ou em doença ativa — mas o diagnóstico de TBP exige a combinação com clínica, epidemiologia e radiografia. Além disso, a PT pode ser falsamente negativa em imunossuprimidos e em formas graves da doença. A alternativa ignora o caráter complementar do teste.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O IGRA não substituiu definitivamente a prova tuberculínica no diagnóstico da infecção latente em menores de dois anos. Na verdade, o IGRA tem limitações em crianças pequenas, e a PT continua sendo o teste mais utilizado e validado nessa faixa etária no Brasil. O IGRA é uma alternativa em situações específicas (como em vacinados com BCG recente ou imunossuprimidos), mas não há substituição definitiva. A palavra "definitivamente" torna a afirmação incorreta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A reação positiva à tuberculina indica infecção pelo Mycobacterium tuberculosis, mas não indica necessariamente doença ativa. A PT positiva pode representar infecção latente, doença ativa ou mesmo reação vacinal (BCG). O diagnóstico de doença ativa exige a correlação com história clínica, epidemiológica e exames de imagem. A alternativa ignora a distinção fundamental entre infecção e doença, além de desconsiderar a história clínica e epidemiológica, que são essenciais.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre infecção e doença ativa. A PT e o IGRA detectam apenas a infecção pelo bacilo; a doença ativa exige a combinação com clínica, epidemiologia e imagem. Nas alternativas C e E, o candidato que superestima o papel isolado da PT cai direto no erro. Lembre-se: na infância, o diagnóstico é sindrômico, por escore, e nunca por um único teste.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de TB na infância, memorize o tripé diagnóstico: clínica + epidemiologia + (PT/IGRA) + radiografia. E desconfie de alternativas com palavras absolutas como "suficiente", "definitivamente" ou "necessariamente" — elas quase sempre escondem a exceção ou a necessidade de correlação clínica.