Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Patologia Clínica — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaPatologia Clínica
Código
qg728170
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Infectologia Pediátrica
O líquor de um lactente internado com suspeita de meningite bacteriana foi coletado após o início da antibioticoterapia e apresentou pleocitose e aumento de proteínas, mas a cultura veio negativa. Diante desse cenário, o infectologista questiona o microbiologista a respeito de outros métodos laboratoriais que possam auxiliar na definição do agente etiológico. Com base nas informações sobre diagnóstico etiológico das meningites, assinale a alternativa correta.
  1. AA cultura do líquor só deve ser solicitada em casos com aspecto purulento, pois o resultado é invariavelmente negativo em líquidos límpidos.
  2. BO teste do látex é restrito à pesquisa de meningococo, não sendo útil para pneumococo ou Haemophilus influenzae.
  3. CA cultura é dispensável quando já se dispõe de métodos moleculares, pois a PCR substitui completamente sua função diagnóstica.
  4. DA reação em cadeia da polimerase (PCR) tem sensibilidade e especificidade superiores a 90% para identificar DNA de diversos patógenos.
  5. EA contraimunoeletroforese (CIE) é indicada para o diagnóstico de meningites virais, não apresentando utilidade nas bacterianas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — A reação em cadeia da polimerase (PCR) tem sensibilidade e especificidade superiores a 90% para identificar DNA de diversos patógenos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Diagnóstico etiológico das meningites bacterianas: o papel da PCR

Gabarito: letra D. A reação em cadeia da polimerase (PCR) é um método molecular de amplificação de ácido nucleico que apresenta sensibilidade e especificidade superiores a 90% para identificar o DNA de diversos patógenos causadores de meningite, sendo particularmente útil quando a cultura é negativa, como no caso de pacientes que já receberam antibioticoterapia prévia — exatamente o cenário descrito no enunciado. Essa é a alternativa que reflete corretamente o papel da PCR no diagnóstico etiológico das meningites.

O diagnóstico etiológico da meningite bacteriana baseia-se classicamente na cultura do líquido cefalorraquidiano (LCR), considerada o padrão-ouro, e na coloração de Gram, que permite identificação rápida em 60 a 90% dos casos. No entanto, a sensibilidade da cultura cai drasticamente quando o paciente já recebeu antibióticos antes da punção lombar — a esterilização do LCR pode ocorrer em poucas horas após o início da terapia, como no caso de meningococos (cerca de 2 horas) e pneumococos (início da esterilização em cerca de 4 horas). É nesse contexto que os métodos moleculares, especialmente a PCR, ganham importância: eles detectam o material genético do patógeno mesmo após a morte bacteriana, contornando a limitação da cultura.

A PCR, incluindo os painéis multiplex como o Meningitis/Encephalitis Panel, amplifica o DNA de até 14 patógenos meníngeos (bactérias, vírus e fungos) em um único teste, com sensibilidade e especificidade muito altas — superiores a 90%. Apesar disso, o uso rotineiro não é recomendado; reserva-se para pacientes com alta probabilidade de meningite sem patógeno identificado nos exames iniciais, como aqueles pré-tratados com antibióticos. É importante destacar que a PCR não substitui a cultura: esta permanece essencial para o teste de sensibilidade aos antimicrobianos e para o isolamento do agente, além de ser o padrão-ouro diagnóstico.

Outros métodos complementares incluem a aglutinação de látex, que detecta antígenos de H. influenzae tipo b, S. pneumoniae, N. meningitidis, E. coli K1 e estreptococos do grupo B — não se restringindo ao meningococo —, e a contraimunoeletroforese (CIE), técnica imunológica utilizada para detecção de antígenos bacterianos, não virais. A escolha do método depende do contexto clínico, da disponibilidade laboratorial e da suspeita etiológica.

A pegadinha central desta questão está na hierarquia e na indicação dos métodos diagnósticos: a banca explora a confusão entre o papel da cultura (padrão-ouro, mas limitada após antibioticoterapia), da PCR (alta sensibilidade, mas não substituta da cultura) e dos testes de antígeno (látex, CIE), que têm indicações específicas e não são rotineiros. Guarde a fronteira: cultura = padrão-ouro, mas perde sensibilidade com antibiótico prévio; PCR = alta sensibilidade/especificidade, útil quando a cultura é negativa, mas não a substitui; látex/CIE = métodos de antígeno, com indicações restritas — é exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

Método Diagnóstico

Utilidade Principal

Sensibilidade/Especificidade

Indicação Específica

Cultura do LCR

Padrão-ouro; isolamento do agente e antibiograma

Alta sem antibiótico prévio; cai drasticamente após antibioticoterapia

Todo caso de suspeita de meningite bacteriana, independentemente do aspecto do líquor

PCR (métodos moleculares)

Detecção de DNA de patógenos mesmo após morte bacteriana

Sensibilidade e especificidade > 90%

Cultura negativa com alta suspeita clínica (ex.: pré-tratamento com antibióticos); não substitui a cultura

Aglutinação de látex

Detecção de antígenos bacterianos capsulares

Baixa sensibilidade; risco de falso-positivos

Pré-tratados com antimicrobianos e Gram/cultura negativos; detecta H. influenzae b, S. pneumoniae, N. meningitidis, E. coli K1, estreptococos do grupo B

Contraimunoeletroforese (CIE)

Detecção de antígenos bacterianos (polissacarídeos capsulares)

Inferior à PCR; em desuso

Meningites bacterianas (não virais); alternativa ao látex

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a cultura do líquor só deve ser solicitada em casos com aspecto purulento, pois o resultado é invariavelmente negativo em líquidos límpidos. Erro duplo: (1) a cultura deve ser solicitada em todo caso de suspeita de meningite bacteriana, independentemente do aspecto macroscópico do LCR — mesmo líquidos límpidos podem ter cultura positiva, especialmente em fases iniciais ou em imunocomprometidos; (2) a palavra "invariavelmente" é uma generalização indevida — a negatividade da cultura não é determinada pelo aspecto do líquor, mas sim por fatores como antibioticoterapia prévia, volume insuficiente ou técnica inadequada. O aspecto turvo é típico da meningite bacteriana, mas a cultura é o padrão-ouro e deve ser sempre realizada na suspeita clínica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o teste do látex é restrito à pesquisa de meningococo, não sendo útil para pneumococo ou Haemophilus influenzae. Erro de escopo: a aglutinação de látex detecta antígenos de múltiplos patógenos, incluindo H. influenzae tipo b, S. pneumoniae, N. meningitidis, E. coli K1 e estreptococos do grupo B. A alternativa confunde o látex com um teste específico para meningococo, quando na verdade ele é um painel de antígenos bacterianos. Além disso, o uso rotineiro do látex não é recomendado por não modificar a decisão terapêutica e por apresentar resultados falso-positivos; seu uso é considerado apenas em pacientes pré-tratados com antimicrobianos e com Gram e cultura negativos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a cultura é dispensável quando já se dispõe de métodos moleculares, pois a PCR substitui completamente sua função diagnóstica. Erro conceitual grave: a PCR não substitui a cultura. Embora a PCR tenha alta sensibilidade e especificidade, a cultura permanece essencial para: (1) o teste de sensibilidade aos antimicrobianos, fundamental para orientar a terapia definitiva; (2) o isolamento do agente para estudos epidemiológicos; (3) a confirmação do diagnóstico em casos duvidosos. A PCR é um método complementar, indicado quando os exames iniciais são negativos, mas não elimina a necessidade da cultura, que continua sendo o padrão-ouro diagnóstico.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que a PCR tem sensibilidade e especificidade superiores a 90% para identificar DNA de diversos patógenos. Correta: os testes de amplificação de ácido nucleico, como a PCR, incluindo os painéis multiplex (Meningitis/Encephalitis Panel), apresentam sensibilidade e especificidade muito altas — superiores a 90% — para identificar o DNA de até 14 patógenos meníngeos (bacterianos, virais e fúngicos). Essa alta acurácia torna a PCR particularmente útil no cenário descrito no enunciado: paciente com pleocitose e aumento de proteínas no LCR, mas com cultura negativa após antibioticoterapia prévia. A PCR detecta o material genético do patógeno mesmo após a morte bacteriana, contornando a limitação da cultura.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a contraimunoeletroforese (CIE) é indicada para o diagnóstico de meningites virais, não apresentando utilidade nas bacterianas. Erro de inversão: a CIE é uma técnica imunológica de detecção de antígenos bacterianos no LCR, sendo utilizada justamente no diagnóstico das meningites bacterianas — não virais. A alternativa inverte completamente a indicação do método. A CIE detecta polissacarídeos capsulares de bactérias como S. pneumoniae, N. meningitidis e H. influenzae, sendo uma alternativa aos testes de aglutinação de látex, embora também tenha caído em desuso pela disponibilidade de métodos mais sensíveis como a PCR.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os métodos diagnósticos e suas indicações. A alternativa C é a mais traiçoeira: parece lógica pensar que a PCR "substitui" a cultura, mas a cultura permanece indispensável para o antibiograma. E a alternativa E inverte a indicação da CIE (bacteriana, não viral). Fique atento: cultura = padrão-ouro + antibiograma; PCR = alta sensibilidade, complementar; látex/CIE = antígenos bacterianos, uso restrito. Com esse mapa mental, você elimina as pegadinhas de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para questões de diagnóstico de meningite, monte mentalmente a tabela dos métodos: cultura (padrão-ouro, positiva em 80-90% sem antibiótico prévio), Gram (60-90% de sensibilidade, especificidade ~100%), PCR (sensibilidade/especificidade >90%, útil com cultura negativa), látex (antígenos de 5 patógenos, uso restrito), CIE (antígenos bacterianos, em desuso). Quando o enunciado mencionar "cultura negativa após antibioticoterapia", o gatilho é: PCR é a melhor opção complementar.

Gabarito: letra D

Link permanente: /questoes/qg728170