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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg728173
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Infectologia Pediátrica
Recém-nascido de 15 dias, filho de mãe que realizou pré-natal irregular e não tem comprovação de tratamento para sífilis. A gestação foi acompanhada por exames com VDRL positivo em títulos elevados, sem registro de terapia adequada. O neonato apresenta rinite serossanguinolenta, lesões bolhosas palmoplantares e hepatomegalia. Com base nesse quadro clínico e nas recomendações atuais, assinale a alternativa correta.
  1. AO quadro é compatível com sífilis congênita precoce, sendo o tratamento com penicilina eficaz contra o Treponema pallidum fetal.
  2. BTrata-se de uma infecção bacteriana secundária e autolimitada, sendo indicada antibioticoterapia oral e observação.
  3. CO tratamento da mãe no puerpério não interfere na evolução da doença da criança, pois a transmissão ocorre nas últimas semanas de gestação.
  4. DO recém-nascido deve ser tratado se apresentar alterações radiológicas ósseas típicas, já que os títulos maternos isolados não indicam infecção.
  5. EA infecção congênita ocorre em casos de sífilis terciária, quando há lesões sistêmicas na gestante.
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GabaritoA — O quadro é compatível com sífilis congênita precoce, sendo o tratamento com penicilina eficaz contra o Treponema pallidum fetal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sífilis congênita precoce: diagnóstico e tratamento

Gabarito: letra A. O quadro descrito — rinite serossanguinolenta, lesões bolhosas palmoplantares e hepatomegalia em recém-nascido de 15 dias, filho de mãe com VDRL reagente em títulos elevados e sem tratamento adequado — é classicamente compatível com sífilis congênita precoce, e o tratamento de escolha é a penicilina, que permanece plenamente eficaz contra o Treponema pallidum, sem evidência de resistência (Ministério da Saúde, PCDT IST).

A sífilis congênita é a transmissão vertical do Treponema pallidum, da gestante infectada para o concepto, por via transplacentária ou, ocasionalmente, por contato direto com a lesão no momento do parto. A transmissão pode ocorrer em qualquer fase gestacional ou estágio da doença materna, e o risco de desfechos desfavoráveis é mínimo se a gestante receber tratamento adequado e precoce durante a gestação. Quando a mãe não foi tratada ou foi tratada de forma não adequada, a criança é classificada como caso de sífilis congênita, independentemente dos resultados da avaliação clínica ou de exames complementares.

A sífilis congênita é considerada precoce quando diagnosticada até o 2º ano de vida, e tardia quando diagnosticada depois dessa idade. No caso apresentado, o recém-nascido tem 15 dias, portanto se enquadra na forma precoce. As manifestações clínicas da forma precoce são variadas e incluem hepatomegalia, esplenomegalia, icterícia, corrimento nasal (rinite sifilítica), exantema maculopapular, linfadenopatia generalizada e anormalidades esqueléticas. A rinite serossanguinolenta (coriza hemorrágica) é um sinal clássico — essa secreção é rica em treponemas — e as lesões bolhosas palmoplantares (pênfigos) também são descritas na sífilis congênita precoce, com grande área de descamação da epiderme.

O tratamento da sífilis congênita é feito com benzilpenicilina. Para crianças com manifestações clínicas, o esquema é de 10 dias: benzilpenicilina potássica (cristalina) 50.000 UI/kg, IV, de 12/12h na primeira semana de vida e de 8/8h após a primeira semana, ou benzilpenicilina procaína 50.000 UI/kg, IM, uma vez ao dia, por 10 dias. Não há evidência de resistência do Treponema pallidum à penicilina no Brasil e no mundo, e o tratamento apropriado dentro dos primeiros três meses de vida é capaz de prevenir algumas manifestações clínicas. A ceftriaxona só é alternativa em situações de indisponibilidade das benzilpenicilinas.

A banca explora, nas alternativas incorretas, distorções sobre a transmissão, o tratamento e a indicação terapêutica. O critério decisivo para separar as alternativas é: (1) reconhecer o quadro como sífilis congênita precoce; (2) saber que a penicilina é o tratamento eficaz; (3) entender que a transmissão pode ocorrer em qualquer fase da gestação e que o tratamento materno no puerpério não trata a criança já infectada; (4) saber que o tratamento da criança não depende de alterações radiológicas, pois a classificação como caso de sífilis congênita independe da avaliação clínica quando a mãe não foi tratada; e (5) saber que a transmissão congênita não está restrita à sífilis terciária.

1Transmissão vertical
Qualquer fase gestacional
Qualquer estágio da doença
Risco maior nas fases iniciais
2Classificação
Precoce (até 2 anos)
Tardia (após 2 anos)
3Manifestações precoces
Rinite serossanguinolenta
Lesões bolhosas palmoplantares
Hepatomegalia
4Tratamento
Penicilina (10 dias)
Eficaz contra Treponema pallidum
Sem resistência documentada
Sífilis congênita
LEVELsoulevel.com.br
Sífilis congênita: Transmissão vertical (Qualquer fase gestacional, Qualquer estágio da doença, Risco maior nas fases iniciais); Classificação (Precoce (até 2 anos), Tardia (após 2 anos)); Manifestações precoces (Rinite serossanguinolenta, Lesões bolhosas palmoplantares, Hepatomegalia); Tratamento (Penicilina (10 dias), Eficaz contra Treponema pallidum, Sem resistência documentada)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta porque descreve com precisão o quadro clínico e o tratamento. O recém-nascido apresenta manifestações clássicas de sífilis congênita precoce (rinite serossanguinolenta, lesões bolhosas palmoplantares, hepatomegalia) e a penicilina é o tratamento de escolha, sendo eficaz contra o Treponema pallidum — não há evidência de resistência à penicilina no Brasil e no mundo. A mãe não tratada ou tratada de forma inadequada classifica a criança como caso de sífilis congênita, independentemente da avaliação clínica, e o tratamento deve ser imediato.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa está incorreta porque a sífilis congênita não é uma infecção bacteriana secundária e autolimitada. É uma infecção primária pelo Treponema pallidum, de caráter sistêmico, que, quando não tratada, pode evoluir para sequelas irreversíveis. O tratamento não é antibioticoterapia oral e observação, mas sim benzilpenicilina (cristalina ou procaína) por 10 dias, ou benzatina em dose única em casos específicos de criança assintomática com exames normais e teste não treponêmico não reagente. A criança sintomática deve ser notificada, tratada e acompanhada imediatamente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa está incorreta porque o tratamento da mãe no puerpério não deixa de interferir na evolução da doença da criança — na verdade, ele é fundamental para tratar a mãe e prevenir a transmissão em gestações futuras, mas não reverte a infecção já estabelecida no recém-nascido. Além disso, a afirmação de que a transmissão ocorre apenas nas últimas semanas de gestação é falsa: a transmissão vertical é passível de ocorrer em qualquer fase gestacional ou estágio da doença materna. O tratamento adequado e precoce da gestante durante a gestação é que minimiza o risco de desfechos desfavoráveis à criança.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa está incorreta porque condiciona o tratamento do recém-nascido à presença de alterações radiológicas ósseas típicas. Quando a mãe não foi tratada ou foi tratada de forma não adequada, a criança é classificada como caso de sífilis congênita independentemente dos resultados da avaliação clínica ou de exames complementares. Além disso, os títulos maternos isolados não deixam de indicar infecção — pelo contrário, títulos elevados sem tratamento adequado são forte indicativo de risco de transmissão. A criança deve ser tratada imediatamente, com base na história materna e no quadro clínico, sem aguardar alterações radiológicas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa está incorreta porque a infecção congênita não ocorre apenas em casos de sífilis terciária. A transmissão vertical pode ocorrer em qualquer fase gestacional ou estágio da doença materna — sífilis primária, secundária, latente ou terciária. Na verdade, o risco de transmissão é maior nas fases iniciais da doença, quando há maior quantidade de treponemas circulantes. A afirmação de que a infecção congênita ocorre em casos de sífilis terciária, quando há lesões sistêmicas na gestante, é uma distorção grave do conhecimento sobre a transmissão vertical.

Gabarito: letra A

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