Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qg728176
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Infectologia Pediátrica
Gestante de 28 anos, HIV positiva, faz uso regular de terapia antirretroviral combinada desde o primeiro trimestre. No momento do parto, é indicada a administração de zidovudina endovenosa. O recém-nascido nasce sem complicações e permanece em alojamento conjunto. Com base no caso descrito e nas medidas de prevenção da transmissão vertical do HIV, assinale a alternativa correta.
AO aleitamento materno deve ser estimulado se a mãe estiver em terapia antirretroviral, pois o risco de transmissão é mínimo.
BA profilaxia neonatal com zidovudina deve ser iniciada apenas após o resultado da carga viral materna.
CA quimioprofilaxia com antirretrovirais pode ser iniciada até 7 dias após o nascimento sem prejuízo da eficácia.
DA profilaxia da transmissão vertical inclui zidovudina EV intraparto e oral ao recém-nascido, além de suspensão do aleitamento materno.
EO uso de zidovudina no parto é opcional quando a gestante já fez tratamento antirretroviral durante a gestação.
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GabaritoD — A profilaxia da transmissão vertical inclui zidovudina EV intraparto e oral ao recém-nascido, além de suspensão do aleitamento materno.
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Prevenção da transmissão vertical do HIV: conduta no parto e pós-parto
Gabarito: letra D. A prevenção da transmissão vertical do HIV envolve um conjunto de medidas que atuam em diferentes momentos: uso de TARV na gestação, zidovudina (AZT) endovenosa intraparto, profilaxia oral com AZT para o recém-nascido e suspensão do aleitamento materno. A alternativa D sintetiza corretamente essas condutas, sendo a única que reúne os três pilares essenciais da profilaxia no momento do parto e após o nascimento.
A transmissão vertical do HIV pode ocorrer em qualquer fase: durante a gestação, no trabalho de parto e parto, e após o nascimento, principalmente por meio do aleitamento materno. Estudos mostram que a maioria dos casos (65-70%) ocorre durante o trabalho de parto e parto, o que torna esse momento crítico para a profilaxia. Sem nenhuma intervenção, a taxa de transmissão é de cerca de 25%; com as medidas preventivas adequadas — TARV combinada na gestação, cesariana eletiva quando indicada, AZT intraparto e para o recém-nascido, e não amamentação — esse risco cai para 1-2%.
A profilaxia intraparto com AZT endovenoso é indicada para mulheres em trabalho de parto com sorologia positiva para HIV, independentemente do uso prévio de TARV, salvo em situações específicas de carga viral indetectável e boa adesão. O AZT deve ser administrado desde o início do trabalho de parto até o clampeamento do cordão umbilical, na dose de ataque de 2 mg/kg na primeira hora, seguida de manutenção com 1 mg/kg/hora em infusão contínua. Para o recém-nascido, a profilaxia com AZT oral deve ser iniciada nas primeiras 4 horas de vida, na dose de 4 mg/kg/dose a cada 12 horas, por 4 semanas, quando a idade gestacional for de 35 semanas ou mais.
O aleitamento materno é contraindicado para todas as mães vivendo com HIV, mesmo aquelas em uso de TARV com carga viral indetectável. Isso porque o HIV pode ser transmitido pelo leite materno, e o risco persiste mesmo com supressão viral. A recomendação é a substituição do aleitamento por fórmula infantil, com orientação adequada sobre o preparo e a manutenção da TARV no pós-parto.
A alternativa D é a correta porque engloba as três medidas fundamentais: AZT EV intraparto, AZT oral para o recém-nascido e suspensão do aleitamento materno. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou de conduta que podem comprometer a eficácia da profilaxia.
1TARV na gestação
2AZT EV intraparto
3AZT oral ao RN (4h)
4Suspender aleitamento
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o aleitamento materno deve ser estimulado se a mãe estiver em TARV, pois o risco seria mínimo. Erro grave: o aleitamento materno é contraindicado para todas as mães vivendo com HIV, independentemente do uso de TARV ou da carga viral. O vírus pode ser transmitido pelo leite, e mesmo com supressão viral o risco não é eliminado. A conduta correta é a suspensão total do aleitamento e a orientação para uso de fórmula infantil.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a profilaxia neonatal com zidovudina deve ser iniciada apenas após o resultado da carga viral materna. Erro: a profilaxia neonatal deve ser iniciada nas primeiras 4 horas de vida, sem aguardar nenhum exame. A carga viral materna pode até orientar a classificação de risco (baixo ou alto) e a necessidade de esquemas adicionais, mas nunca deve retardar o início da profilaxia com AZT no recém-nascido.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a quimioprofilaxia pode ser iniciada até 7 dias após o nascimento sem prejuízo da eficácia. Erro: a profilaxia deve ser iniciada precocemente, nas primeiras 4 horas de vida. Quanto mais cedo for iniciada, maior a eficácia na prevenção da transmissão. Iniciar após 7 dias comprometeria significativamente a proteção do recém-nascido.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta porque descreve com precisão as medidas de prevenção da transmissão vertical no momento do parto e após o nascimento: administração de zidovudina EV intraparto (desde o início do trabalho de parto até o clampeamento do cordão), profilaxia oral com AZT para o recém-nascido (iniciada nas primeiras 4 horas de vida) e suspensão do aleitamento materno (contraindicação absoluta). Essas três medidas, somadas ao uso de TARV na gestação, reduzem a taxa de transmissão vertical de cerca de 25% para 1-2%.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o uso de zidovudina no parto é opcional quando a gestante já fez TARV durante a gestação. Erro: o AZT intraparto é indicado para todas as gestantes vivendo com HIV, mesmo aquelas em uso de TARV. A única exceção é quando a carga viral é indetectável após 34 semanas e há boa adesão ao tratamento, situação em que o AZT EV pode ser dispensado a critério clínico. No caso descrito, a gestante faz uso regular de TARV, mas não há informação sobre carga viral indetectável, portanto o AZT EV é indicado.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "TARV na gestação" e "dispensa da profilaxia intraparto". Muitos candidatos acham que, se a mãe já usa antirretrovirais, o AZT no parto é desnecessário. Na verdade, o AZT EV intraparto é a regra para todas as gestantes HIV+, sendo dispensado apenas em casos específicos de carga viral indetectável e boa adesão comprovada. Fique atento: a presença de TARV não elimina automaticamente a necessidade de profilaxia intraparto.