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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg728179
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Infectologia Pediátrica
Durante a consulta pediátrica, a mãe de uma criança de 5 anos relata episódios intermitentes de dor abdominal e prurido anal noturno. O médico suspeita de parasitose intestinal e solicita um exame parasitológico de fezes. A respeito desse tipo de exame, assinale a alternativa correta.
  1. AUm exame parasitológico de fezes negativo exclui a hipótese de parasitose intestinal, dispensando novas investigações.
  2. BUm exame coproparasitológico negativo não exclui parasitose intestinal, recomendando-se coleta seriada e, quando necessário, testes específicos.
  3. CO exame direto das fezes a fresco é suficiente para diagnosticar todas as parasitoses intestinais, apresentando alta sensibilidade.
  4. DA pesquisa coproparasitológica deve ser substituída por sorologias em todos os casos suspeitos, por apresentarem maior sensibilidade.
  5. EA eosinofilia é achado específico de protozooses intestinais, o que elimina a necessidade de exames complementares.
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GabaritoB — Um exame coproparasitológico negativo não exclui parasitose intestinal, recomendando-se coleta seriada e, quando necessário, testes específicos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Exame parasitológico de fezes: limitações e conduta correta

Gabarito: letra B. O exame coproparasitológico negativo não exclui parasitose intestinal, pois a eliminação de ovos, larvas e cistos é intermitente — por isso recomenda-se coleta seriada (idealmente 3 amostras) e, quando necessário, testes específicos. Essa é a conduta preconizada na prática clínica e o ponto central que a alternativa B espelha.

O exame parasitológico de fezes (EPF) é a ferramenta mais útil para o diagnóstico das parasitoses intestinais por ser exequível, simples e de baixo custo. No entanto, sua sensibilidade é limitada: a eliminação de ovos, larvas e cistos ocorre de modo intermitente, ou seja, o parasita pode não estar presente na amostra coletada naquele momento, mesmo que a infecção exista. Por isso, um resultado negativo isolado não afasta a hipótese diagnóstica.

A recomendação prática é coletar pelo menos 3 amostras de fezes em dias separados (consecutivos ou alternados), aumentando a chance de detectar o parasita. Em casos específicos, como na esquistossomose mansônica, a sensibilidade do EPF é ainda menor, sendo recomendável examinar pelo menos 6 amostras. Diante de suspeita clínica persistente com EPF negativo, o diagnóstico pode ser confirmado por métodos complementares, como retossigmoidoscopia/colonoscopia com biópsia intestinal e/ou sorologia.

Existem diversos métodos coprológicos, cada um com indicações específicas: o exame direto a fresco pesquisa trofozoítas; o método de Hoffman, Pons e Janer (sedimentação espontânea) pesquisa cistos de protozoários e ovos/larvas de helmintos; o método de Faust (centrífugo-flutuação) pesquisa cistos e ovos; o método de Baermann-Moraes pesquisa larvas de Strongyloides; e o método de Kato-Katz é usado para pesquisa qualitativa e quantitativa de ovos de Schistosoma mansoni e outros helmintos. Nenhum método isolado cobre todas as parasitoses com alta sensibilidade.

A eosinofilia é um achado laboratorial que pode sugerir parasitose, especialmente helmintíases, mas não é específica — pode ocorrer em alergias, asma, doenças autoimunes e outras condições. Portanto, não elimina a necessidade de exames complementares. Da mesma forma, a sorologia não substitui o EPF na maioria dos casos; ela é útil em situações específicas, como na fase crônica da doença de Chagas, mas não como método de primeira linha para todas as parasitoses intestinais.

A pegadinha central desta questão é a falsa segurança do exame negativo: o candidato pode ser tentado a aceitar que um EPF negativo exclui a parasitose, mas a intermitência da eliminação de formas parasitárias torna essa conclusão perigosa. A conduta correta é sempre considerar a coleta seriada e a correlação clínico-epidemiológica.

  1. 1EPF negativo não exclui parasitose
  2. 2Coleta seriada (3 amostras)
  3. 3Testes específicos se necessário
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que um exame negativo exclui a parasitose e dispensa novas investigações. Erro grave: a eliminação intermitente de ovos, larvas e cistos faz com que um resultado negativo isolado não afaste a infecção. A conduta correta é repetir a coleta (idealmente 3 amostras) e, se necessário, solicitar testes específicos.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Espelha exatamente a conduta preconizada: um exame coproparasitológico negativo não exclui parasitose intestinal, recomendando-se coleta seriada (pelo menos 3 amostras em dias separados) e, quando necessário, testes específicos (como métodos de concentração, Baermann-Moraes para Strongyloides, ou sorologia em casos selecionados).

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o exame direto a fresco é suficiente para diagnosticar todas as parasitoses, com alta sensibilidade. Erro: o exame direto pesquisa apenas trofozoítas em fezes frescas e tem baixa sensibilidade para ovos, larvas e cistos. Métodos de concentração (Hoffman, Faust) e específicos (Baermann-Moraes, Kato-Katz) são necessários conforme a suspeita.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Propõe substituir o EPF por sorologias em todos os casos suspeitos. Erro: a sorologia não é método de primeira linha para a maioria das parasitoses intestinais; o EPF é a ferramenta mais útil, simples e de baixo custo. A sorologia tem indicações específicas (ex.: fase crônica da doença de Chagas), não substituindo o exame parasitológico na rotina.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a eosinofilia é achado específico de protozooses intestinais, eliminando a necessidade de exames complementares. Erro duplo: a eosinofilia é mais associada a helmintíases (não protozooses) e não é específica — ocorre em alergias, asma e outras condições. Portanto, não elimina a necessidade de exames complementares.

Gabarito: letra B — a única alternativa que reflete a conduta correta diante de um exame parasitológico de fezes negativo: não excluir a parasitose, realizar coleta seriada e considerar testes específicos quando necessário.

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