Questão de Medicina — Medicina Intensiva — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Medicina Intensiva
Código
qg728190
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Intensivista Pediátrico
Durante o plantão em uma UTI pediátrica, uma criança de 8 anos com encefalopatia hipóxicoisquêmica grave apresenta falência multiorgânica progressiva. A equipe assistencial considera a limitação de suporte avançado, enquanto os pais solicitam “todas as medidas possíveis”. De acordo com os princípios bioéticos aplicados à terapia intensiva pediátrica, assinale a alternativa que apresenta a conduta ética mais adequada diante desse impasse.
ASuspender o suporte de vida imediatamente, pois o sofrimento justifica a decisão médica.
BManter todas as intervenções até a morte biológica, independentemente do prognóstico.
CIniciar diálogo transparente com a família, buscando decisão compartilhada e esclarecimento sobre objetivos de cuidado.
DDeixar a decisão exclusivamente a cargo dos familiares, sem envolvimento da equipe.
ESolicitar parecer jurídico antes de qualquer decisão ética.
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GabaritoC — Iniciar diálogo transparente com a família, buscando decisão compartilhada e esclarecimento sobre objetivos de cuidado.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Limitação de suporte de vida em UTI pediátrica: decisão compartilhada
Gabarito: letra C. Diante do impasse entre a equipe (que considera limitar o suporte) e os pais (que pedem "todas as medidas possíveis"), a conduta ética mais adequada é iniciar diálogo transparente com a família, buscando decisão compartilhada e esclarecimento sobre os objetivos do cuidado — princípio da autonomia e da beneficência aplicados à prática da terapia intensiva, conforme a Resolução CFM nº 2.217/2018 e o Código de Ética Médica.
A bioética na terapia intensiva pediátrica exige que decisões sobre limitação de suporte avançado sejam tomadas de forma compartilhada entre a equipe assistencial e os familiares, que são os representantes legais da criança. A criança de 8 anos, em encefalopatia hipóxico-isquêmica grave, não tem capacidade de decidir; portanto, os pais exercem a autonomia em seu nome. No entanto, essa autonomia não é absoluta: deve ser exercida em diálogo com a equipe, que traz o conhecimento técnico-científico sobre o prognóstico e as opções terapêuticas. O objetivo é construir um consenso sobre o que é melhor para a criança, considerando não apenas a sobrevida, mas a qualidade de vida e o alívio do sofrimento.
A limitação de suporte avançado (não iniciar ou retirar medidas como ventilação mecânica, drogas vasoativas, diálise) é eticamente aceita quando o tratamento se torna fútil, ou seja, quando não há perspectiva razoável de benefício para o paciente. Nesse contexto, a prioridade passa a ser o conforto e a dignidade, com controle de dor e outros sintomas. A distinção fundamental é entre permitir a morte natural (limitar ou retirar suporte) e acelerar a morte (eutanásia) — esta última é proibida no Brasil. A administração de analgésicos e sedativos para alívio do desconforto, mesmo que possa abreviar a vida, é ética e legalmente aceita, desde que a intenção seja o conforto (princípio do duplo efeito).
Na prática, o processo envolve: 1) avaliação cuidadosa do prognóstico pela equipe, com participação de especialistas em cuidados paliativos; 2) comunicação clara e empática com a família, explicando o diagnóstico, o prognóstico e as opções; 3) escuta ativa das preocupações e valores da família; 4) construção de um plano de cuidado que priorize o conforto, se for o caso; 5) documentação detalhada no prontuário. Em caso de conflito persistente, a conduta mais conservadora (manter o suporte) é geralmente adotada até que haja maior consenso, como sugere a literatura de cuidados paliativos em UTI.
A banca explora a tensão entre a autonomia da família e o dever de beneficência da equipe. A alternativa correta é a que promove o diálogo e a decisão compartilhada, evitando tanto a imposição unilateral da equipe (A) quanto a submissão passiva à vontade da família (D). O parecer jurídico (E) pode ser útil em casos extremos, mas não é o primeiro passo. Manter todas as intervenções até a morte biológica (B) contraria o princípio da não maleficência quando o tratamento é fútil.
Limitação de suporte em UTI pediátrica
1Princípios em jogo
Autonomia (família)
Beneficência (equipe)
Não maleficência (evitar distanásia)
2Conduta ética adequada
Diálogo transparente
Decisão compartilhada
Esclarecer objetivos do cuidado
3Condutas inadequadas
Imposição unilateral da equipe
Submissão passiva à família
Obstinação terapêutica (distanásia)
Parecer jurídico como 1º passo
4Distinção essencial
Permitir morte natural (limitar suporte)
Acelerar a morte (eutanásia)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Suspender o suporte de vida imediatamente, sem diálogo com a família, viola o princípio da autonomia e a necessidade de decisão compartilhada. A decisão de limitar suporte deve ser construída com a família, respeitando seus valores e seu tempo de compreensão. A suspensão unilateral, mesmo com base no sofrimento, é eticamente inadequada e pode configurar conduta arbitrária.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Manter todas as intervenções até a morte biológica, independentemente do prognóstico, contraria o princípio da não maleficência e da beneficência. Quando o tratamento se torna fútil, a obstinação terapêutica (distanásia) prolonga o sofrimento sem trazer benefício real. A ética médica permite e, em certos casos, recomenda a limitação de suporte para priorizar o conforto.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Iniciar diálogo transparente com a família, buscando decisão compartilhada e esclarecimento sobre objetivos de cuidado, é a conduta ética mais adequada. Isso respeita a autonomia dos pais (que são os representantes legais da criança), promove a beneficência (ao buscar o melhor para o paciente) e evita a obstinação terapêutica. A comunicação clara e empática é essencial para alinhar expectativas e construir um plano de cuidado centrado no paciente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Deixar a decisão exclusivamente a cargo dos familiares, sem envolvimento da equipe, é inadequado. A equipe tem o dever de oferecer informações técnicas sobre o prognóstico e as opções, além de orientar a família. A decisão deve ser compartilhada, não delegada integralmente à família, que pode não ter conhecimento suficiente para decidir sozinha.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Solicitar parecer jurídico antes de qualquer decisão ética é desnecessário e prematuro. A resolução de conflitos éticos deve começar pelo diálogo e pela mediação, não pela via judicial. O parecer jurídico pode ser útil em casos de impasse irreconciliável, mas não é o primeiro passo e não substitui a comunicação e a construção de consenso.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato com a alternativa B ("manter todas as intervenções"), que parece respeitar a vontade dos pais, mas na verdade configura obstinação terapêutica — eticamente reprovável quando o tratamento é fútil. A alternativa D ("deixar a decisão exclusivamente a cargo dos familiares") também parece respeitar a autonomia, mas ignora o papel da equipe na orientação e na decisão compartilhada. O candidato deve lembrar que a ética médica exige diálogo e consenso, não imposição de um lado ou de outro.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de bioética, identifique o princípio em jogo: autonomia (respeitar a vontade do paciente/família), beneficência (fazer o bem), não maleficência (não causar dano) e justiça. A conduta correta quase sempre envolve comunicação e decisão compartilhada, evitando extremos como imposição médica ou submissão total à família. Memorize: "diálogo transparente + decisão compartilhada" é a resposta padrão para conflitos éticos em UTI.