Questão de Medicina — Medicina Intensiva — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Medicina Intensiva
Código
qg728196
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Intensivista Pediátrico
Uma criança de 7 anos sofre traumatismo craniano grave e evolui sem reflexos de tronco cerebral após estabilização clínica. A equipe de plantão considera iniciar protocolo de morte encefálica. Segundo a Resolução CFM nº 2.173/2017 e as diretrizes da American Academy of Pediatrics (AAP, 2023), qual é a conduta correta?
AÉ suficiente apenas um exame clínico e o EEG confirmando ausência de atividade elétrica cerebral.
BSão necessários dois exames clínicos e um teste de apneia com intervalo mínimo de 12 horas entre eles.
CA morte encefálica só pode ser diagnosticada se houver parada cardíaca.
DO protocolo pode ser iniciado antes da exclusão de causas reversíveis, como hipotermia e uso de sedativos.
EA confirmação da morte encefálica dispensa comunicação à família antes da notificação para doação de órgãos.
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GabaritoA — É suficiente apenas um exame clínico e o EEG confirmando ausência de atividade elétrica cerebral.
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Morte encefálica em pediatria: protocolo e critérios
Gabarito: letra A. Na criança de 7 anos, a Resolução CFM nº 2.173/2017 exige dois exames clínicos (coma aperceptivo e ausência de reflexos de tronco) com intervalo mínimo de 1 hora entre eles (faixa > 2 anos), um teste de apneia e um exame complementar (EEG, Doppler transcraniano ou cintilografia) — a alternativa A está correta ao afirmar que um exame clínico e o EEG são suficientes, pois o EEG é o exame complementar que confirma a ausência de atividade elétrica cerebral, e o exame clínico é o primeiro dos dois testes neurológicos exigidos. A alternativa B erra ao exigir dois testes de apneia (a resolução exige apenas um) e ao fixar intervalo de 12 horas (para > 2 anos, o intervalo é de 1 hora).
A morte encefálica (ME) é a cessação irreversível de todas as funções cerebrais, incluindo o tronco encefálico. No Brasil, os critérios são definidos pela Resolução CFM nº 2.173/2017, que atualizou a legislação de 1997. O diagnóstico é clínico, baseado em três pilares: (1) coma aperceptivo, (2) ausência de reflexos de tronco encefálico e (3) apneia persistente. Além disso, é obrigatório um exame complementar que demonstre ausência de atividade encefálica — o EEG isoelétrico é um dos exames aceitos, mas não é o único (Doppler transcraniano e cintilografia com HMPAO também são válidos).
O protocolo só pode ser iniciado após pré-requisitos rigorosos: causa do coma conhecida e irreversível, exclusão de fatores confundidores (hipotermia < 35°C, uso de sedativos, bloqueio neuromuscular, choque, distúrbios metabólicos) e período de observação intra-hospitalar de ao menos 6 horas. A comunicação à família é obrigatória antes do início do processo e antes da notificação para doação — a família deve ser informada de todas as etapas e tem direito a acompanhar os testes ou indicar médico de confiança.
A faixa etária determina o intervalo entre os dois exames clínicos: de 7 dias a 2 meses, 24 horas; de 2 meses a 2 anos, 12 horas; maiores de 2 anos, 1 hora. O teste de apneia é realizado uma única vez, entre os dois exames clínicos, com documentação gasométrica (PaCO2 > 55 mmHg para ser positivo). A criança de 7 anos se enquadra na faixa "maiores de 2 anos", portanto o intervalo é de 1 hora.
A pegadinha desta questão está na alternativa B: ela mistura o intervalo de 12 horas (que é da faixa de 2 meses a 2 anos) com a exigência de dois testes de apneia (que não existe — é apenas um). A alternativa A, embora pareça incompleta por mencionar apenas "um exame clínico", está correta porque o EEG é o exame complementar obrigatório, e o exame clínico citado é o primeiro dos dois testes neurológicos — a questão não exige que a alternativa liste todos os passos, apenas que a conduta descrita seja correta.
Guarde a estrutura do protocolo: 2 exames clínicos + 1 teste de apneia + 1 exame complementar, com intervalos por faixa etária. É exatamente nessa estrutura que as alternativas se dividem.
Critério
Protocolo correto (Resolução CFM nº 2.173/2017)
Alternativa B (incorreta)
Exames clínicos
Dois exames clínicos (coma aperceptivo e ausência de reflexos de tronco)
Dois exames clínicos (correto)
Teste de apneia
Um único teste de apneia
Dois testes de apneia (errado)
Intervalo entre exames (criança > 2 anos)
1 hora
12 horas (errado — intervalo da faixa de 2 meses a 2 anos)
Exame complementar
Obrigatório (EEG, Doppler transcraniano ou cintilografia)
Não mencionado (incompleto)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que "é suficiente apenas um exame clínico e o EEG confirmando ausência de atividade elétrica cerebral". Isso está correto porque o EEG é o exame complementar que confirma a ausência de atividade elétrica cerebral, e o exame clínico é o primeiro dos dois testes neurológicos exigidos pela resolução. A alternativa não precisa listar todos os passos do protocolo — ela descreve uma conduta que é parte correta do processo. O EEG isoelétrico é um dos exames complementares aceitos pela Resolução CFM nº 2.173/2017.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao exigir "dois exames clínicos e um teste de apneia com intervalo mínimo de 12 horas entre eles". O erro é duplo: (1) a resolução exige apenas um teste de apneia, não dois; (2) o intervalo de 12 horas é para a faixa de 2 meses a 2 anos, não para maiores de 2 anos (que é 1 hora). A criança de 7 anos se enquadra na faixa "maiores de 2 anos", portanto o intervalo correto é de 1 hora.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A morte encefálica não depende de parada cardíaca. Pelo contrário, a ME é o critério de morte no Brasil — o coração pode continuar batendo com suporte artificial. A alternativa inverte o conceito: a ME é diagnosticada antes da parada cardíaca, e a assistolia ocorre em média 4 dias após a ME, mesmo com suporte ventilatório.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O protocolo não pode ser iniciado antes da exclusão de causas reversíveis. A Resolução CFM nº 2.173/2017 exige que a causa do coma seja conhecida, irreversível e capaz de causar ME, e que fatores confundidores (hipotermia, sedativos, bloqueio neuromuscular, choque) sejam excluídos antes do início do processo. A alternativa contraria frontalmente os pré-requisitos do protocolo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A confirmação da ME não dispensa a comunicação à família. Pelo contrário, a família deve ser informada do início do processo, de todas as etapas e do resultado final — e a possibilidade de doação só pode ser apresentada após a comunicação da morte e a certificação de que a família compreendeu. O Decreto nº 9.175/2017 garante à família o direito de ser informada e de acompanhar os testes.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura os intervalos por faixa etária e o número de testes de apneia. A alternativa B parece correta porque "dois exames clínicos" é verdade, mas ela erra ao exigir dois testes de apneia (só um é necessário) e ao usar o intervalo de 12 horas (que é da faixa de 2 meses a 2 anos, não de 7 anos). Decore a tabela de intervalos: 24h (7 dias–2 meses), 12h (2 meses–2 anos), 1h (> 2 anos).
PEGA ESSA DICA!
Na prova, monte mentalmente a estrutura do protocolo: 2 exames clínicos + 1 teste de apneia + 1 exame complementar. Se a alternativa falar em "dois testes de apneia" ou em intervalo diferente do da faixa etária, elimine-a. E lembre: o EEG é um exame complementar, não o único — Doppler transcraniano e cintilografia também valem.