Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Endocrinologia
Código
qg728203
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Intensivista Pediátrico
A respeito do tratamento frente a um caso de crise adrenal, assinale a alternativa correta.
AEm situações de emergência, sugere-se a prescrição de prednisolona de 1 a 2mg/kg via oral, até 4mg/kg, a cada 24 horas, por 3 dias.
BNo choque séptico, a prescrição de hidrocortisona está indicada em todo paciente que esteja usando noradrenalina, independentemente da dose.
CA reposição de fluidos e eletrólitos é urgente, bem como o início do tratamento com hidrocortisona.
DO uso de corticoides em pacientes com quadro de sepse diminui o risco de evolução para choque séptico.
ENa presença de hipoglicemia, a infusão de glicose deve ser evitada, prescrevendo-se, nesse caso, glucagon.
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GabaritoC — A reposição de fluidos e eletrólitos é urgente, bem como o início do tratamento com hidrocortisona.
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Crise Adrenal: manejo emergencial
Gabarito: letra C. Na crise adrenal (emergência addisoniana), a conduta imediata exige reposição volêmica agressiva com solução fisiológica e administração precoce de hidrocortisona intravenosa — a alternativa C sintetiza exatamente essa prioridade dupla. O tratamento é uma emergência médica: não se aguarda confirmação diagnóstica para iniciar a reposição de glicocorticoides, conforme a conduta padrão descrita na literatura endocrinológica.
A crise adrenal aguda é a descompensação grave da insuficiência adrenal, caracterizada por hipotensão/choque, hiponatremia, hipercalemia e, frequentemente, hipoglicemia. O manejo tem três pilares simultâneos: reposição volêmica (solução fisiológica em volume agressivo, pois há depleção de volume), reposição hormonal (hidrocortisona IV em dose de estresse) e correção de distúrbios metabólicos (especialmente a hipoglicemia, que deve ser tratada com glicose). A hidrocortisona é o fármaco de escolha por ter ação glicocorticoide e mineralocorticoide; a dose inicial é de 100 mg IV, seguida de 50 mg a cada 6 horas. Em pacientes hipotensos, a reposição de soro fisiológico deve ser agressiva, e a glicose deve ser adicionada à solução conforme os resultados laboratoriais — a hipoglicemia é comum nesses pacientes e não pode ser negligenciada.
A alternativa A erra ao sugerir prednisolona oral em emergência: na crise adrenal, a via oral não é adequada (há má absorção e instabilidade hemodinâmica), e o fármaco de escolha é a hidrocortisona IV. A alternativa B erra ao generalizar a indicação de hidrocortisona no choque séptico: ela é reservada para pacientes com choque refratário a fluidos e vasopressores (noradrenalina em dose crescente), não para todo paciente em uso de noradrenalina. A alternativa D erra ao afirmar que corticoides previnem a evolução para choque séptico — eles não têm esse papel profilático; são usados como tratamento adjuvante no choque refratário. A alternativa E erra ao evitar glicose na hipoglicemia: a glicose IV é o tratamento de primeira linha; o glucagon é alternativa quando não há acesso venoso, mas não substitui a glicose na emergência.
A pegadinha central desta questão é a inversão de prioridades e a troca de fármacos: a banca mistura conceitos de sepse (onde o corticoide é adjuvante em casos refratários) com crise adrenal (onde o corticoide é tratamento de primeira linha, junto com volume). Guarde a fronteira: na crise adrenal, hidrocortisona + volume + glicose são urgentes e inegociáveis; na sepse, o corticoide é reservado para choque refratário.
1Reposição volêmica agressiva (SF)
2Hidrocortisona IV 100 mg
3Corrigir eletrólitos e glicose
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Erra ao indicar prednisolona oral em situação de emergência. Na crise adrenal, a via oral é inadequada (risco de má absorção e demora no efeito), e o fármaco de escolha é a hidrocortisona intravenosa (100 mg IV em bolus, seguida de 50 mg a cada 6 horas). A prednisolona oral pode ser usada na transição para via oral após estabilização, nunca como primeira linha na emergência.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erra ao afirmar que a hidrocortisona está indicada em todo paciente com choque séptico em uso de noradrenalina, independentemente da dose. Na sepse, o corticoide é reservado para choque refratário a fluidos e vasopressores (noradrenalina em dose crescente/alta), não para qualquer paciente em uso do vasopressor. A indicação é seletiva, não universal.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta ao afirmar que a reposição de fluidos e eletrólitos é urgente, bem como o início do tratamento com hidrocortisona. Na crise adrenal, a reposição volêmica agressiva com solução fisiológica é essencial para reverter a hipotensão, e a hidrocortisona IV deve ser iniciada imediatamente (idealmente após coleta de cortisol, sem aguardar o resultado). A correção de eletrólitos (sódio, potássio) e glicose também é parte do manejo emergencial.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erra ao afirmar que o uso de corticoides em pacientes com sepse diminui o risco de evolução para choque séptico. Os corticoides não têm papel profilático na sepse; eles são usados como tratamento adjuvante no choque séptico refratário a fluidos e vasopressores, não para prevenir a progressão da sepse para choque.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erra ao afirmar que, na presença de hipoglicemia, a infusão de glicose deve ser evitada, prescrevendo-se glucagon. Na crise adrenal com hipoglicemia, a glicose intravenosa é o tratamento de primeira linha (deve ser adicionada à solução de reposição). O glucagon é alternativa apenas quando não há acesso venoso imediato, mas não substitui a glicose na emergência.
Gabarito: letra C — a única alternativa que reflete corretamente a urgência da reposição volêmica e hormonal na crise adrenal.