Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg728206
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Intensivista Pediátrico
Na hipoglicemia neonatal, quando não se consegue normalizar a glicemia com alta infusão de glicose ou há alguma limitação no volume a ser infundido, que outras opções terapêuticas devem ser consideradas?
AGlucagon e corticoide.
BGlucagon e gliclazida.
CInsulina e corticoide.
DInsulina e gliclazida.
EGlucagon e sulfonilureia.
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GabaritoA — Glucagon e corticoide.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Hipoglicemia neonatal: opções terapêuticas além da infusão de glicose
Gabarito: letra A. Na hipoglicemia neonatal refratária à infusão de glicose ou com limitação de volume, as opções terapêuticas adicionais são glucagon e corticoide — o glucagon mobiliza glicogênio hepático e o corticoide reduz a utilização periférica de glicose e estimula a gliconeogênese. As demais alternativas trazem fármacos hipoglicemiantes (insulina, gliclazida, sulfonilureia), que piorariam o quadro, ou combinações inadequadas.
A hipoglicemia neonatal é definida como glicemia abaixo de 45 mg/dL em recém-nascidos a termo e abaixo de 36 mg/dL em prematuros, sendo uma emergência metabólica que pode causar sequelas neurológicas graves se não tratada prontamente. O tratamento inicial consiste em infusão contínua de glicose, geralmente a 10%, com aumento progressivo da taxa de infusão até 12-15 mg/kg/min. Quando, mesmo com altas taxas de infusão, a glicemia não se normaliza, ou quando há limitação de volume (como em recém-nascidos com restrição hídrica por outras condições), lança-se mão de terapias adjuvantes.
O glucagon é um hormônio hiperglicemiante que estimula a glicogenólise hepática, liberando glicose na corrente sanguínea. Na dose de 0,1-0,3 mg/kg (máximo 1 mg), pode ser administrado por via intramuscular, subcutânea ou endovenosa. É particularmente útil em situações de hipoglicemia por hiperinsulinismo, como no recém-nascido filho de mãe diabética, na eritroblastose fetal ou no hiperinsulinismo congênito. Seu efeito é rápido, mas transitório, e depende de reservas adequadas de glicogênio hepático — por isso, é ineficaz em casos de depleção grave de glicogênio, como na prematuridade extrema ou no retardo de crescimento intrauterino.
O corticoide (geralmente hidrocortisona, na dose de 5 mg/kg/dia, dividida em 2-3 doses) atua de forma mais lenta, mas prolongada: aumenta a gliconeogênese hepática, diminui a captação periférica de glicose e reduz a secreção de insulina. É indicado quando a hipoglicemia persiste apesar das medidas iniciais, especialmente em situações de insuficiência adrenal, hipopituitarismo ou hiperinsulinismo persistente. A associação de glucagon e corticoide é uma estratégia clássica na abordagem da hipoglicemia neonatal refratária, conforme protocolos de neonatologia.
A pegadinha desta questão está em reconhecer que as demais alternativas trazem fármacos que reduzem a glicemia — insulina (aumenta captação de glicose), gliclazida e sulfonilureia (estimulam secreção de insulina) — exatamente o oposto do que se deseja em um paciente hipoglicêmico. O candidato que não domina a farmacologia básica pode ser induzido a escolher uma combinação com esses agentes, o que seria um erro grave na prática clínica. A questão testa, portanto, o conhecimento da fisiologia da contrarregulação glicêmica e das opções terapêuticas adjuvantes na hipoglicemia neonatal.
Guarde o critério decisivo: em hipoglicemia, busca-se elevar a glicemia — logo, as opções devem ser hiperglicemiantes (glucagon, corticoide, diazóxido, octreotida) e nunca hipoglicemiantes (insulina, sulfonilureias, glinidas). É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Hipoglicemia neonatal refratária
1Terapias adjuvantes
Glucagon (glicogenólise)
Corticoide (gliconeogênese)
2Fármacos contraindicados
Insulina (captação de glicose)
Sulfonilureias (secretagogos)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Glucagon e corticoide são as opções terapêuticas adjuvantes clássicas na hipoglicemia neonatal refratária à infusão de glicose ou com limitação de volume. O glucagon promove glicogenólise hepática, elevando rapidamente a glicemia; o corticoide aumenta a gliconeogênese e reduz a utilização periférica de glicose, com efeito mais prolongado. Ambos são hiperglicemiantes e, portanto, adequados ao tratamento da hipoglicemia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Glucagon e gliclazida. O glucagon é correto, mas a gliclazida é uma sulfonilureia, fármaco que estimula a secreção de insulina pelas células beta pancreáticas, reduzindo a glicemia. Em um paciente hipoglicêmico, a gliclazida agravaria o quadro, sendo contraindicada. A combinação mistura um agente hiperglicemiante com um hipoglicemiante, o que é fisiologicamente incoerente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Insulina e corticoide. O corticoide é correto, mas a insulina é o principal hormônio hipoglicemiante, promovendo captação celular de glicose e inibindo a produção hepática. Administrar insulina em um paciente com hipoglicemia é um erro grave, pois aprofundaria a queda glicêmica. A insulina é usada no tratamento da hiperglicemia, não da hipoglicemia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Insulina e gliclazida. Ambos os fármacos são hipoglicemiantes: a insulina aumenta a captação de glicose e a gliclazida estimula sua secreção. Essa combinação seria catastrófica na hipoglicemia neonatal, pois potencializaria a queda da glicemia. Nenhum dos dois tem papel no tratamento da hipoglicemia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Glucagon e sulfonilureia. O glucagon é correto, mas as sulfonilureias (classe à qual pertence a gliclazida) são secretagogos de insulina, ou seja, reduzem a glicemia. Em um paciente hipoglicêmico, o uso de sulfonilureia é contraindicado, pois agravaria a hipoglicemia. A combinação é fisiologicamente incoerente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre fármacos hiperglicemiantes (que elevam a glicemia — glucagon, corticoide, diazóxido) e hipoglicemiantes (que reduzem a glicemia — insulina, sulfonilureias, glinidas). Nas alternativas B, C, D e E, um ou ambos os fármacos são hipoglicemiantes, o que pioraria a hipoglicemia neonatal. O candidato que não domina a farmacologia pode ser induzido a escolher uma combinação com insulina ou sulfonilureia, sem perceber que isso seria um erro clínico grave. Com treino, você identifica rapidamente que a questão pede agentes que elevam a glicemia 💪.
Gabarito: letra A — glucagon e corticoide são as opções terapêuticas adjuvantes na hipoglicemia neonatal refratária.