Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg728208
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Intensivista Pediátrico
Referente à classificação do choque na criança, assinale a alternativa correta.
AA sepse e a anafilaxia são exemplos de choque distributivo e cursam com débito cardíaco (DC) diminuído.
BExemplos de causas de choque cardiogênico são os quadros de pneumotórax e tamponamento cardíaco.
CO choque cardiogênico é manifestado fisiologicamente com aumento da função sistólica e DC normal ou aumentado.
DNo choque hipovolêmico, o retorno venoso ao coração aumenta, diminuindo a pré-carga, e aumentando o volume de ejeção e o DC.
ENo choque distributivo, há diminuição da précarga e, ao contrário dos outros tipos de choque, associa-se a um DC normal ou aumentado.
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GabaritoE — No choque distributivo, há diminuição da précarga e, ao contrário dos outros tipos de choque, associa-se a um DC normal ou aumentado.
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Classificação do choque na criança
Gabarito: letra E. No choque distributivo, a vasodilatação periférica reduz a pré-carga, mas, ao contrário dos demais tipos de choque, o débito cardíaco (DC) costuma estar normal ou aumentado — é a única modalidade em que o mecanismo compensatório simpático não consegue atuar plenamente, pois a musculatura lisa arteriolar está lesada e não responde ao estímulo. Essa é a característica fisiopatológica que distingue o choque distributivo dos demais.
O choque é uma síndrome de hipoperfusão tecidual que, na criança, pode ser classificado em quatro grandes tipos: hipovolêmico, cardiogênico, obstrutivo e distributivo. Cada um tem uma fisiopatologia própria, e a banca explora exatamente as diferenças entre eles. No choque hipovolêmico, há perda de volume intravascular (sangramento, desidratação), o que reduz o retorno venoso e a pré-carga, levando a queda do DC. No cardiogênico, a bomba cardíaca está comprometida (ex.: miocardite, IAM), com redução da função sistólica e do DC. No obstrutivo, há um bloqueio mecânico ao fluxo (tamponamento cardíaco, pneumotórax hipertensivo, embolia pulmonar maciça), que impede o enchimento ou a ejeção adequados. Já no distributivo, o problema é uma vasodilatação arterial ou venosa que torna o volume intravascular relativamente inadequado — o sangue está lá, mas não chega aos tecidos de forma eficaz.
A grande pegadinha desta questão está em inverter as características de cada tipo. No choque distributivo, a vasodilatação reduz a pré-carga, mas o coração, em geral, responde com aumento da frequência e da contratilidade, mantendo o DC normal ou até aumentado — diferente do que ocorre no hipovolêmico e no cardiogênico, onde o DC está francamente diminuído. É por isso que o choque séptico (a forma mais comum de choque distributivo na criança) pode apresentar, na fase inicial, extremidades quentes e perfusão aparentemente preservada, apesar da hipotensão.
Para fixar, compare os quatro tipos:
Tipo
Mecanismo
Pré-carga
DC
Exemplos
Hipovolêmico
Perda de volume
Diminuída
Diminuído
Hemorragia, desidratação
Cardiogênico
Falência da bomba
Aumentada (congestão)
Diminuído
IAM, miocardite
Obstrutivo
Bloqueio mecânico
Variável
Diminuído
Tamponamento, pneumotórax, TEP
Distributivo
Vasodilatação
Diminuída
Normal ou aumentado
Sepse, anafilaxia, neurogênico
Guarde essa tabela: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A banca troca os mecanismos entre os tipos, e quem não tem o quadro mental claro acaba marcando uma alternativa que mistura conceitos.
Choque na criança: Hipovolêmico (Perda de volume, Pré-carga ↓, DC ↓); Cardiogênico (Falência da bomba, DC ↓); Obstrutivo (Bloqueio mecânico, DC ↓); Distributivo (Vasodilatação, Pré-carga ↓, DC normal ou ↑)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A sepse e a anafilaxia são, de fato, exemplos de choque distributivo, mas o erro está em afirmar que cursam com débito cardíaco diminuído. No choque distributivo, o DC costuma estar normal ou aumentado, pois o coração tenta compensar a vasodilatação aumentando a frequência e a contratilidade. A alternativa inverte a característica central desse tipo de choque.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Pneumotórax e tamponamento cardíaco são causas de choque obstrutivo, não cardiogênico. O choque obstrutivo ocorre por um bloqueio mecânico ao fluxo sanguíneo — o coração até pode estar funcionando, mas não consegue encher ou ejetar adequadamente. Já o choque cardiogênico é causado por disfunção da própria bomba cardíaca, como no infarto agudo do miocárdio ou na miocardite.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O choque cardiogênico é caracterizado por diminuição da função sistólica e DC diminuído, exatamente o oposto do que afirma a alternativa. A falência da bomba cardíaca reduz a capacidade de ejeção, levando a queda do débito cardíaco e congestão pulmonar. A alternativa descreve, na verdade, o padrão compensatório inicial do choque distributivo, não do cardiogênico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
No choque hipovolêmico, o retorno venoso ao coração está diminuído, não aumentado. A perda de volume reduz a pressão de enchimento e, consequentemente, a pré-carga, o que leva a queda do volume de ejeção e do DC. A alternativa inverte completamente a fisiopatologia: se o retorno venoso aumentasse, a pré-carga aumentaria, e não diminuiria.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a descrição correta do choque distributivo. A vasodilatação periférica reduz a pré-carga (o sangue se acumula na periferia), mas, ao contrário dos outros tipos de choque, o DC está normal ou aumentado, pois o coração tenta compensar com taquicardia e aumento da contratilidade. Essa é a característica que diferencia o distributivo dos demais e que a alternativa espelha com precisão.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter as características entre os tipos de choque. Aqui, ela troca o DC do distributivo (que é normal ou aumentado) pelo dos outros tipos (que é diminuído), e coloca o pneumotórax e o tamponamento como causas de choque cardiogênico, quando na verdade são obstrutivas. Fique atento: no distributivo, o problema é a vasodilatação, não a bomba — por isso o DC não cai na fase inicial.
PEGA ESSA DICA!
Para não errar, memorize o mecanismo central de cada tipo: hipovolêmico = perda de volume (pré-carga ↓); cardiogênico = falência da bomba (DC ↓); obstrutivo = bloqueio mecânico (DC ↓); distributivo = vasodilatação (pré-carga ↓, DC normal ou ↑). Na dúvida, pergunte-se: "o que está falhando?" — o vaso, o volume, a bomba ou o fluxo?