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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg728209
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Intensivista Pediátrico
As arritmias são frequentemente relatadas em pós-operatório de cirurgia cardíaca em pediatria. A taquicardia juncional ectópica é a arritmia mais comum. Em relação ao manejo na ocorrência dessa arritmia, é correto afirmar que
  1. Ase deve evitar a hipotermia, aumentar a infusão de catecolaminas se bem tolerado pelo paciente e iniciar amiodarona.
  2. Ba noradrenalina é a primeira linha de tratamento farmacológico.
  3. Cinicialmente o manejo é realizado com manobras vagais ou cardioversão sincronizada.
  4. Dse deve fazer resfriamento ao redor de 35–36 °C, tentar redução das catecolaminas e iniciar amiodarona.
  5. Eesses pacientes necessitam de desfibrilação sincronizada assim que detectada a arritmia.
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GabaritoD — se deve fazer resfriamento ao redor de 35–36 °C, tentar redução das catecolaminas e iniciar amiodarona.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Taquicardia Juncional Ectópica no Pós-Operatório de Cirurgia Cardíaca Pediátrica

Gabarito: letra D. O manejo da taquicardia juncional ectópica (TJE) no pós-operatório de cirurgia cardíaca em pediatria envolve, como medidas iniciais, o resfriamento ativo do paciente para 35–36 °C, a redução da infusão de catecolaminas (quando hemodinamicamente tolerado) e o início de amiodarona — exatamente o que a alternativa D descreve. As demais opções invertem ou contradizem essas condutas, como veremos.

A taquicardia juncional ectópica é a arritmia mais comum no pós-operatório de cirurgia cardíaca pediátrica, especialmente após correção de cardiopatias congênitas que envolvem manipulação próxima ao nó atrioventricular (como a correção de comunicação interventricular, tetralogia de Fallot e transposição das grandes artérias). Ela se caracteriza por um foco automático ectópico na região do feixe de His, gerando taquicardia com QRS estreito (ou levemente alargado) e dissociação atrioventricular, com frequência ventricular geralmente entre 170 e 230 bpm. O mecanismo é o automatismo anormal — não é uma taquicardia por reentrada, o que explica por que manobras vagais e cardioversão elétrica são ineficazes.

O tratamento da TJE é essencialmente clínico e visa reduzir o automatismo do foco ectópico e otimizar a hemodinâmica. As medidas de primeira linha incluem:

  1. Correção de fatores precipitantes: febre, hipoxemia, anemia, distúrbios eletrolíticos (especialmente hipocalemia e hipomagnesemia) e excesso de catecolaminas endógenas ou exógenas.

  2. Redução ou suspensão de catecolaminas: quando a hemodinâmica permite, diminuir ou retirar drogas vasoativas/inotrópicas (como dopamina, dobutamina, adrenalina) reduz o estímulo adrenérgico sobre o foco ectópico.

  3. Resfriamento ativo (hipotermia terapêutica leve): manter a temperatura central entre 35 e 36 °C diminui o automatismo do foco juncional. Isso é feito com mantas térmicas ou colchão térmico, com monitorização contínua da temperatura.

  4. Amiodarona: é o antiarrítmico de escolha, administrada em dose de ataque (5 mg/kg IV em 20–60 min) seguida de infusão contínua (5–15 mcg/kg/min). Atua bloqueando canais de sódio, potássio e cálcio, além de ter efeito betabloqueador e alfa-bloqueador, reduzindo o automatismo.

  5. Medidas adicionais: em casos refratários, pode-se usar dexmedetomidina (agonista alfa-2 adrenérgico, que reduz a liberação de catecolaminas e tem efeito sedativo), esmolol (betabloqueador de ação ultracurta), magnésio (se hipomagnesemia), ou marca-passo atrial para restaurar a sincronia atrioventricular. Em casos extremamente refratários, considera-se hipotermia mais profunda ou ablação por cateter.

É fundamental distinguir a TJE de outras taquicardias pós-operatórias:

Característica

Taquicardia Juncional Ectópica

Taquicardia Supraventricular por Reentrada

Taquicardia Ventricular

Mecanismo

Automatismo anormal

Reentrada

Reentrada ou automatismo

Resposta a manobras vagais

Não

Sim (pode interromper)

Não

Resposta a cardioversão

Não (pode piorar)

Sim

Sim (sincronizada)

Tratamento de escolha

Hipotermia + redução de catecolaminas + amiodarona

Adenosina, cardioversão

Amiodarona, lidocaína, cardioversão

A pegadinha central desta questão é que o candidato pode confundir o manejo da TJE com o de outras taquicardias (como a supraventricular por reentrada, que responde a manobras vagais e cardioversão) ou com o tratamento de arritmias ventriculares (que pode envolver desfibrilação). A banca explora exatamente essa confusão nas alternativas A, C e E.

Guarde o tripé do manejo da TJE: resfriar (35–36 °C) + reduzir catecolaminas + amiodarona. É esse tripé que separa a alternativa correta das demais.

1Mecanismo
Automatismo anormal
Não responde a manobras vagais
Não responde a cardioversão
2Manejo inicial (tripé)
Resfriar para 35–36 °C
Reduzir catecolaminas
Amiodarona
3Distinções
TSV por reentrada → vagal + adenosina
TV → amiodarona + cardioversão
Taquicardia juncional ectópica (TJE)
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Taquicardia juncional ectópica (TJE): Mecanismo (Automatismo anormal, Não responde a manobras vagais, Não responde a cardioversão); Manejo inicial (tripé) (Resfriar para 35–36 °C, Reduzir catecolaminas, Amiodarona); Distinções (TSV por reentrada → vagal + adenosina, TV → amiodarona + cardioversão)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que se deve evitar a hipotermia e aumentar a infusão de catecolaminas. É o oposto do manejo correto: a hipotermia leve (35–36 °C) é justamente uma das medidas terapêuticas para reduzir o automatismo do foco ectópico, e o aumento de catecolaminas estimularia ainda mais o foco, agravando a taquicardia. A amiodarona, por sua vez, está correta como parte do tratamento, mas o restante da alternativa invalida a opção.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a noradrenalina é a primeira linha de tratamento farmacológico. A noradrenalina é uma catecolamina vasopressora que aumentaria o automatismo do foco juncional, piorando a arritmia. O tratamento farmacológico de primeira linha é a amiodarona, não a noradrenalina. A alternativa confunde o suporte hemodinâmico (que pode ser necessário em casos de hipotensão, mas com cautela e preferencialmente com drogas de menor efeito cronotrópico) com o tratamento antiarrítmico específico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o manejo inicial é realizado com manobras vagais ou cardioversão sincronizada. Isso se aplica a taquicardias supraventriculares por reentrada (como taquicardia por reentrada nodal ou por via acessória), mas não à taquicardia juncional ectópica, que é causada por automatismo anormal e não responde a manobras vagais nem a cardioversão elétrica (que, inclusive, pode ser ineficaz ou até piorar o quadro). O manejo inicial da TJE é clínico, com as medidas descritas na alternativa D.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve corretamente o manejo inicial da TJE: resfriamento ativo para 35–36 °C, redução das catecolaminas (quando tolerado) e início de amiodarona. A hipotermia leve reduz o automatismo do foco ectópico; a redução de catecolaminas diminui o estímulo adrenérgico; e a amiodarona é o antiarrítmico de escolha para controlar a arritmia. Essas três medidas compõem a abordagem padrão recomendada em pediatria para TJE pós-operatória.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que esses pacientes necessitam de desfibrilação sincronizada assim que a arritmia é detectada. Há dois erros: (1) a TJE não é uma arritmia que responde a cardioversão elétrica (pois é por automatismo, não reentrada), e (2) o termo correto seria cardioversão sincronizada (a desfibrilação é não sincronizada e usada em fibrilação ventricular/taquicardia ventricular sem pulso). A TJE é tratada clinicamente, não com choque elétrico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a TJE e outras taquicardias. Na alternativa C, ela troca o manejo da TJE pelo da taquicardia supraventricular por reentrada (manobras vagais/cardioversão). Na E, ela usa o termo "desfibrilação" (que é para arritmias ventriculares) em vez de "cardioversão", e ainda assim seria incorreto para a TJE. Na A, ela inverte a conduta de hipotermia e catecolaminas. O candidato que decora o tripé "resfriar + reduzir catecolaminas + amiodarona" identifica a D de imediato e elimina as demais com segurança.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de arritmias pós-operatórias em pediatria, memorize o manejo específico de cada tipo: TJE → hipotermia + reduzir catecolaminas + amiodarona; taquicardia supraventricular por reentrada → manobras vagais + adenosina + cardioversão; taquicardia ventricular → amiodarona/lidocaína + cardioversão/desfibrilação. Essa distinção é o que a banca mais cobra.

Gabarito: letra D

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