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Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaNeurologia
Código
qg728210
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Intensivista Pediátrico
Pacientes de 2 anos sofre queda de cerca de 2 metros e evolui com rebaixamento de nível de consciência e crise convulsiva, sendo realizada intubação orotraqueal. No hospital, foi encaminhado para tomografia, que evidenciou edema cerebral e contusão hemorrágica em região parietal direita. Quanto às condutas a serem adotadas para esse caso, assinale a alternativa correta.
  1. ASe o paciente desenvolver sinais de herniação cerebral, deve-se diminuir a frequência respiratória (hipoventilação) e encaminhá-lo para drenagem do hematoma.
  2. BDeve-se dosar a hemoglobina do paciente e mantê-la acima de 12g/dl, pois valores mais elevados melhoram o fluxo sanguíneo cerebral.
  3. CO paciente deve receber sedoanalgesia adequada para evitar aumento da pressão intracraniana (PIC).
  4. DRecomenda-se manter o paciente em hipertermia com temperatura entre 38 e 38,5 °C nas primeiras 8 horas no atendimento para obter um efeito redutor na PIC.
  5. ESe o paciente voltar a apresentar crise convulsiva, o anticonvulsivante de primeira escolha é o fenobarbital e a segunda linha de tratamento é com a fenitoína.
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GabaritoC — O paciente deve receber sedoanalgesia adequada para evitar aumento da pressão intracraniana (PIC).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Trauma cranioencefálico pediátrico: manejo da hipertensão intracraniana

Gabarito: letra C. Em um paciente com TCE grave, rebaixamento do nível de consciência e edema cerebral com contusão hemorrágica, a sedoanalgesia adequada é medida fundamental para evitar picos de pressão intracraniana (PIC), pois estímulos dolorosos e agitação aumentam o metabolismo cerebral e elevam a PIC. As demais alternativas trazem condutas incorretas ou desatualizadas para o manejo do trauma cranioencefálico pediátrico.

O trauma cranioencefálico (TCE) é uma das principais causas de morbimortalidade na infância, e o manejo inicial visa, sobretudo, prevenir a lesão cerebral secundária — aquela que ocorre após o impacto inicial, por hipóxia, hipotensão, hipertermia, hipoglicemia ou aumento da PIC. No paciente intubado, com edema cerebral e contusão hemorrágica, o controle da PIC é o objetivo central. A sedoanalgesia é parte essencial desse controle: a dor, a agitação e o estresse do paciente sob ventilação mecânica elevam a pressão intracraniana por aumentarem o consumo de oxigênio cerebral e o fluxo sanguíneo cerebral. Por isso, manter o paciente sedado e analgesiado é conduta de primeira linha, recomendada pelas diretrizes de manejo do TCE grave.

A hiperventilação, mencionada na alternativa A, é medida de exceção, usada apenas em situações de herniação iminente e por tempo curto, pois a redução excessiva da PaCO₂ causa vasoconstrição cerebral e pode levar à isquemia. A hipoventilação, ao contrário, aumenta a PaCO₂, causa vasodilatação cerebral e eleva a PIC — conduta absolutamente contraindicada. A alternativa B, sobre manter hemoglobina acima de 12 g/dL, não é recomendada: o objetivo é manter níveis adequados de oxigenação tecidual, mas não há evidência de que valores mais elevados de hemoglobina melhorem o fluxo sanguíneo cerebral; pelo contrário, a hiperviscosidade pode prejudicá-lo. A alternativa D, sobre hipertermia, está invertida: a hipertermia aumenta o metabolismo cerebral e deve ser tratada, não induzida. A alternativa E, sobre anticonvulsivantes, está incorreta quanto à primeira escolha: em crianças, o fenitoína é o anticonvulsivante de primeira linha para profilaxia e tratamento de crises no TCE agudo, sendo o fenobarbital uma opção de segunda linha.

Na prática, o manejo do TCE grave pediátrico segue uma hierarquia de medidas: garantir oxigenação e ventilação adequadas (PaCO₂ entre 35-40 mmHg), manter pressão arterial estável, elevar a cabeceira a 30°, evitar estímulos dolorosos com sedoanalgesia, controlar a temperatura (evitar hipertermia), tratar crises convulsivas e, se houver sinais de herniação, usar manitol ou solução salina hipertônica e hiperventilação breve. A monitorização da PIC pode ser indicada em casos graves, e a drenagem cirúrgica é reservada para hematomas com efeito de massa significativo.

A distinção que importa aqui é entre as medidas de rotina para controle da PIC e as medidas de emergência para herniação iminente. A sedoanalgesia é rotina; a hiperventilação e o manitol são medidas de resgate. A banca explora exatamente essa confusão, apresentando condutas de emergência como se fossem de rotina, ou invertendo os efeitos de cada intervenção.

Guarde o critério decisivo: no TCE grave, tudo que aumenta o metabolismo cerebral (dor, agitação, hipertermia, convulsão) deve ser evitado ou tratado, e tudo que reduz o metabolismo (sedação, analgesia, normotermia, controle de crises) deve ser instituído. É nessa lógica que as alternativas se separam.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A hipoventilação aumenta a PaCO₂, causando vasodilatação cerebral e elevando a PIC — exatamente o oposto do desejado. Em caso de herniação, a conduta é hiperventilação breve (PaCO₂ entre 30-35 mmHg) para reduzir a PIC por vasoconstrição, e não hipoventilação. Além disso, a drenagem do hematoma é indicada apenas para hematomas com efeito de massa significativo, não como medida imediata para qualquer sinal de herniação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Não há recomendação de manter hemoglobina acima de 12 g/dL no TCE. O objetivo é manter níveis adequados de oxigenação tecidual, mas valores excessivamente elevados podem aumentar a viscosidade sanguínea e prejudicar o fluxo cerebral. A conduta correta é manter a hemoglobina em níveis que garantam oferta adequada de oxigênio, geralmente acima de 7-9 g/dL, conforme o quadro clínico.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A sedoanalgesia adequada é medida fundamental no manejo do TCE grave, pois a dor e a agitação aumentam o consumo de oxigênio cerebral e elevam a PIC. Manter o paciente sedado e analgésico, especialmente sob ventilação mecânica, é conduta de rotina recomendada pelas diretrizes de trauma.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A hipertermia aumenta o metabolismo cerebral e agrava a lesão cerebral secundária. A conduta correta é manter a normotermia, tratando ativamente temperaturas acima de 38,5°C com antipiréticos e medidas físicas. Induzir hipertermia para "reduzir a PIC" é um erro conceitual grave.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Em crianças com TCE agudo, o anticonvulsivante de primeira escolha para profilaxia e tratamento de crises é a fenitoína, não o fenobarbital. O fenobarbital é opção de segunda linha ou para casos refratários. A alternativa inverte a ordem correta de escolha.

Gabarito: letra C

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