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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg728212
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Intensivista Pediátrico
Em relação à queimadura elétrica em paciente pediátrico, é correto afirmar que
  1. Atecidos com menor resistência como a pele e os ossos têm tendência a transmitir corrente, enquanto tecidos com maior resistência tendem a aquecer e coagular.
  2. Ba eletroporação é um mecanismo de lesão por corrente elétrica caracterizado pelo aumento da permeabilidade vascular, levando ao extravasamento de fluidos para o terceiro espaço.
  3. Cfaz parte do manejo a prevenção de necrose tubular aguda secundária à precipitação de pigmentos nos túbulos renais.
  4. Do grau de lesão externa da pele é usado para determinar a extensão do dano interno, sendo pouco comuns variações no acometimento.
  5. Ea acidificação urinária pode ajudar na depuração de mioglobina e na de hemoglobina, comuns nos acidentes por choque elétrico.
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GabaritoC — faz parte do manejo a prevenção de necrose tubular aguda secundária à precipitação de pigmentos nos túbulos renais.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Queimadura elétrica em pediatria: mecanismos e manejo

Gabarito: letra C. A prevenção da necrose tubular aguda (NTA) secundária à precipitação de pigmentos (mioglobina e hemoglobina) nos túbulos renais é parte essencial do manejo da queimadura elétrica, pois a rabdomiólise e a hemólise liberam esses pigmentos que, em ambiente ácido e com hipovolemia, obstruem os túbulos renais. As demais alternativas invertem conceitos de resistência tecidual, confundem eletroporação com edema, superestimam a correlação entre lesão externa e interna e propõem acidificação urinária quando o correto é a alcalinização.

A queimadura elétrica é uma das lesões mais graves e traiçoeiras na emergência pediátrica. Diferentemente das queimaduras térmicas, em que o dano é predominantemente superficial e proporcional à fonte de calor, a corrente elétrica percorre o corpo seguindo o caminho de menor resistência, causando lesões profundas que podem ser muito mais extensas do que sugere a aparência externa. O entendimento dos mecanismos de lesão e das complicações sistêmicas é fundamental para o manejo adequado.

Mecanismos de lesão: a corrente elétrica causa dano por três vias principais: (1) lesão térmica direta — a transformação de energia elétrica em calor, que queima os tecidos; (2) eletroporação — a formação de poros na membrana celular pela passagem da corrente, levando à perda da integridade celular e à necrose; e (3) trauma mecânico — por contrações musculares violentas ou queda. A resistência dos tecidos varia: os ossos são altamente resistentes, enquanto nervos e músculos são bons condutores. A corrente tende a seguir o caminho de menor resistência, aquecendo os tecidos de maior resistência (como a pele e o osso) e danificando os tecidos de menor resistência (como músculos e nervos) ao longo do trajeto.

Complicações sistêmicas: a lesão muscular extensa leva à rabdomiólise, com liberação de mioglobina; a hemólise libera hemoglobina. Ambos os pigmentos são filtrados pelos rins e, em condições de hipovolemia e pH urinário ácido, precipitam nos túbulos renais, causando necrose tubular aguda (NTA). Por isso, o manejo inclui hidratação vigorosa e alcalinização urinária (bicarbonato de sódio) para manter o pH urinário > 6,5, o que aumenta a solubilidade dos pigmentos e facilita sua excreção. Outras complicações incluem síndrome compartimental, arritmias cardíacas, lesões vasculares com trombose e hemorragia tardia.

Avaliação da extensão: a lesão externa da pele é um péssimo indicador do dano interno. A corrente pode causar destruição muscular profunda com pele aparentemente intacta, e a extensão da necrose muscular pode não ser evidente nas primeiras horas. Por isso, a avaliação deve incluir exames de imagem e laboratoriais (CK, mioglobina urinária, função renal) e a exploração cirúrgica quando há suspeita de lesão profunda.

A pegadinha central desta questão está na inversão de conceitos: a banca troca a relação entre resistência e dano, confunde eletroporação com edema, e inverte a conduta de acidificação/alcalinização urinária. Guarde a fronteira entre o que é mecanismo de lesão e o que é complicação sistêmica — é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Inverte a relação entre resistência e dano. Tecidos de menor resistência (como músculos e nervos) são bons condutores e tendem a transmitir a corrente, enquanto tecidos de maior resistência (como pele e ossos) tendem a aquecer e coagular, pois a energia elétrica se dissipa em calor ao atravessá-los. A alternativa troca os termos: diz que pele e ossos (alta resistência) transmitem corrente, quando na verdade eles aquecem.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Confunde eletroporação com edema. A eletroporação é a formação de poros na membrana celular pela passagem da corrente, levando à perda da integridade celular e à necrose — não é o aumento da permeabilidade vascular com extravasamento de fluidos para o terceiro espaço, que descreve o edema, uma consequência da lesão térmica e inflamatória, não o mecanismo de eletroporação.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A prevenção da necrose tubular aguda (NTA) secundária à precipitação de pigmentos (mioglobina e hemoglobina) nos túbulos renais é, de fato, parte do manejo da queimadura elétrica. A rabdomiólise e a hemólise liberam esses pigmentos que, em ambiente ácido e com hipovolemia, precipitam e obstruem os túbulos renais. O manejo inclui hidratação vigorosa e alcalinização urinária para aumentar a solubilidade dos pigmentos e prevenir a NTA.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o grau de lesão externa da pele é usado para determinar a extensão do dano interno, sendo pouco comuns variações no acometimento. Na realidade, a lesão externa é um péssimo indicador do dano interno: a corrente pode causar destruição muscular profunda com pele aparentemente intacta, e a extensão da necrose pode variar muito ao longo do trajeto da corrente. Variações no acometimento são comuns, não raras.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Propõe a acidificação urinária para ajudar na depuração de mioglobina e hemoglobina. O correto é a alcalinização urinária (manter pH urinário > 6,5), pois os pigmentos são mais solúveis em meio alcalino, o que facilita sua excreção e previne a precipitação tubular. A acidificação pioraria o quadro, aumentando o risco de NTA.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter conceitos nesse tema. Aqui, ela trocou a relação entre resistência e dano (A), confundiu eletroporação com edema (B), inverteu a conduta de acidificação/alcalinização urinária (E) e superestimou a correlação entre lesão externa e interna (D). Fique atento a essas inversões — com treino, você as enxerga de longe 💪

NÃO CAIA NESSA!

Para questões de queimadura elétrica, monte um checklist mental: (1) mecanismos de lesão (térmico, eletroporação, trauma); (2) complicações sistêmicas (rabdomiólise, NTA, arritmias, síndrome compartimental); (3) manejo (hidratação, alcalinização, avaliação de lesão profunda). Isso cobre a maioria das pegadinhas.

Gabarito: letra C

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