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Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaEndocrinologia
Código
qg728213
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Intensivista Pediátrico
A respeito da crise tireotóxica, é correto afirmar que
  1. Aé uma complicação comum em crianças com hipotireoidismo e requer o início imediato de reposição hormonal.
  2. Bgeralmente se manifesta com hipotensão, hipotermia e crise convulsiva.
  3. Co tratamento é realizado em unidade de terapia intensiva e uma das medidas é utilizar medicações que controlam a produção de hormônios e bloqueiam seus efeitos.
  4. Dpode causar, se não tratada adequadamente, sequelas motoras sem interferir no estado cognitivo do paciente.
  5. Egeralmente acomete pacientes com tireoidite de Hashimoto subclínico ou não tratado.
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GabaritoC — o tratamento é realizado em unidade de terapia intensiva e uma das medidas é utilizar medicações que controlam a produção de hormônios e bloqueiam seus efeitos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crise tireotóxica (tempestade tireoidiana)

Gabarito: letra C. A crise tireotóxica é uma emergência endocrinológica grave, caracterizada por manifestações extremas de tireotoxicose, e seu tratamento é realizado em unidade de terapia intensiva (UTI), com medidas que incluem o controle da produção hormonal e o bloqueio dos efeitos periféricos dos hormônios tireoidianos. As demais alternativas descrevem quadros clínicos e condutas que não correspondem à crise tireotóxica, confundindo-a com hipotireoidismo ou outras emergências.

A crise tireotóxica, também chamada de tempestade tireoidiana, é a forma mais grave e potencialmente fatal de tireotoxicose. Ela ocorre quando há uma exacerbação aguda e extrema dos sintomas de hipertireoidismo, geralmente desencadeada por um fator precipitante, como infecção, cirurgia, trauma, ou uso de iodo. A fisiopatologia envolve um aumento súbito e maciço dos hormônios tireoidianos circulantes (T3 e T4), levando a uma hiperatividade adrenérgica extrema, com manifestações cardiovasculares, neurológicas, gastrointestinais e termorregulatórias graves.

O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado em critérios como febre alta (frequentemente acima de 38°C), taquicardia intensa, alterações do estado mental (agitação, delirium, coma), e disfunção de múltiplos órgãos. É importante destacar que os níveis de hormônios tireoidianos podem não ser significativamente diferentes dos encontrados no hipertireoidismo compensado, o que reforça a importância do quadro clínico. O tratamento é uma emergência e deve ser iniciado imediatamente em ambiente de UTI, com o objetivo de:

  1. Controlar a produção de hormônios tireoidianos: uso de tionamidas (propiltiouracil ou metimazol), que bloqueiam a síntese de novos hormônios.

  2. Bloquear os efeitos periféricos dos hormônios: uso de betabloqueadores (como propranolol) para controlar taquicardia, tremores e agitação, e corticosteroides para inibir a conversão periférica de T4 em T3.

  3. Oferecer suporte clínico: hidratação, controle de temperatura, suporte hemodinâmico e respiratório, e correção de distúrbios eletrolíticos.

  4. Tratar o fator precipitante: identificar e tratar a causa que desencadeou a crise, como uma infecção.

A alternativa C sintetiza corretamente esses pilares do tratamento, mencionando o ambiente de UTI e o uso de medicações que controlam a produção hormonal e bloqueiam seus efeitos. As demais alternativas apresentam erros conceituais importantes, confundindo a crise tireotóxica com outras condições, como o coma mixedematoso (hipotireoidismo grave) ou a tireoidite de Hashimoto.

A principal distinção que o aluno deve fazer é entre a crise tireotóxica (hipertireoidismo extremo) e o coma mixedematoso (hipotireoidismo extremo). Enquanto a primeira cursa com hipertermia, taquicardia e hiperatividade, o segundo se manifesta com hipotermia, bradicardia e hipoatividade. A banca explora exatamente essa confusão, apresentando sintomas do coma mixedematoso como se fossem da crise tireotóxica.

Crise tireotóxica (tempestade tireoidiana)
  • 1Emergência do hipertireoidismo
    • Exacerbação aguda e extrema
    • Fator precipitante (infecção, cirurgia, iodo)
  • 2Quadro clínico
    • Febre alta
    • Taquicardia intensa
    • Alteração do estado mental
    • Disfunção de múltiplos órgãos
  • 3Tratamento (UTI)
    • Controlar produção hormonal (tionamidas)
    • Bloquear efeitos periféricos
      • betabloqueadores, corticoide
    • Suporte clínico
    • Tratar fator precipitante
  • 4Confusão clássica: coma mixedematoso
    • Emergência do hipotireoidismo
    • Hipotermia, bradicardia, hipoatividade
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A crise tireotóxica é uma complicação do hipertireoidismo, não do hipotireoidismo. Em crianças, o hipotireoidismo pode levar ao coma mixedematoso, que é uma emergência diferente, tratada com reposição hormonal. A alternativa inverte completamente a fisiopatologia, associando a crise tireotóxica a uma condição de hipofunção tireoidiana.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A crise tireotóxica se manifesta com hipertensão (ou instabilidade hemodinâmica com tendência à hipotensão em fases tardias), hipertermia (febre alta) e alterações do estado mental, que podem incluir convulsões. No entanto, a tríade apresentada (hipotensão, hipotermia e crise convulsiva) é característica do coma mixedematoso, que é a emergência do hipotireoidismo. A alternativa troca os sinais clínicos de uma condição pela outra.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa descreve corretamente o manejo da crise tireotóxica. O tratamento é realizado em unidade de terapia intensiva (UTI) e envolve medidas para controlar a produção de hormônios (com tionamidas) e bloquear seus efeitos periféricos (com betabloqueadores e corticosteroides). O contexto confirma que o tratamento deve ser focado em quatro ações principais: controle da produção hormonal, bloqueio dos efeitos periféricos, suporte clínico e tratamento da causa precipitante.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A crise tireotóxica, se não tratada, pode levar a complicações graves que afetam tanto o estado motor quanto o cognitivo. A encefalopatia tireotóxica pode causar delirium, coma e dano neurológico permanente, incluindo sequelas motoras e cognitivas. A alternativa afirma que as sequelas motoras ocorrem sem interferir no estado cognitivo, o que é falso, pois a crise tireotóxica pode causar dano cerebral difuso.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A crise tireotóxica geralmente acomete pacientes com hipertireoidismo de Graves não tratado ou inadequadamente tratado, especialmente quando há um fator precipitante. A tireoidite de Hashimoto é uma causa comum de hipotireoidismo, e não de hipertireoidismo. Embora pacientes com Hashimoto possam ter fases de tireotoxicose transitória, a crise tireotóxica não é uma complicação típica dessa condição. A alternativa confunde a etiologia da crise tireotóxica com a do hipotireoidismo.

Gabarito: letra C

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