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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg728215
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Intensivista Pediátrico
Paciente de 4 anos foi picado por abelhas enquanto brincava no parque próximo à sua casa. Evoluiu com prurido e edema na face. A mãe resolveu levá-lo para atendimento em pronto-socorro. Na chegada, estava sonolento, pálido, com sibilos difusos na ausculta pulmonar, apresentando tempo de enchimento capilar prolongado, taquicardia e hipotensão. Qual é a conduta frente a esse caso?
  1. AOferta oxigênio, realizar expansão volêmica, administrar adrenalina intramuscular e broncodilatador inalatório.
  2. BOferta oxigênio, realizar expansão volêmica, corticoide sistêmico e anti-histamínico via enteral.
  3. COferta oxigênio, realizar expansão volêmica, corticoide e broncodilatador inalatório.
  4. DOferta oxigênio, administrar adrenalina endovenosa e realizar corticoide sistêmico.
  5. ERealizar expansão volêmica, broncodilatador inalatório e corticoide sistêmico.
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GabaritoA — Oferta oxigênio, realizar expansão volêmica, administrar adrenalina intramuscular e broncodilatador inalatório.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Anafilaxia por picada de abelha: conduta na emergência pediátrica

Gabarito: letra A. O quadro descrito — picada de abelha seguida de prurido, edema facial, sonolência, palidez, sibilos difusos, taquicardia, hipotensão e enchimento capilar prolongado — configura anafilaxia com choque distributivo e broncoespasmo. A conduta imediata exige, em ordem de prioridade: afastar o agente, ofertar oxigênio, expansão volêmica, adrenalina intramuscular (droga de primeira linha) e broncodilatador inalatório para o componente broncospástico. A alternativa A é a única que contempla todos esses pilares simultaneamente.

A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade sistêmica aguda, mediada por IgE, que se instala em minutos após a exposição ao alérgeno (no caso, o veneno de himenópteros). A degranulação de mastócitos e basófilos libera histamina, leucotrienos e prostaglandinas, provocando vasodilatação periférica (hipotensão e choque), aumento da permeabilidade capilar (edema e urticária), broncoconstrição (sibilos e desconforto respiratório) e, nos casos graves, edema de laringe com obstrução de via aérea. O reconhecimento precoce é clínico: qualquer combinação de sintomas cutâneos, respiratórios, cardiovasculares ou gastrointestinais de início agudo após exposição a alérgeno conhecido ou provável fecha o diagnóstico.

A adrenalina intramuscular é o tratamento de primeira linha e o único fármaco que reverte o choque anafilático de forma imediata, atuando como agonista alfa-adrenérgico (vasoconstrição periférica, elevação da pressão arterial) e beta-adrenérgico (broncodilatação, aumento da contratilidade cardíaca, redução da liberação de mediadores). A via intramuscular é preferida por ser mais segura e ter início de ação rápido; a via endovenosa é reservada para casos refratários, em ambiente de terapia intensiva, com monitorização contínua, devido ao risco de arritmias. A dose pediátrica é de 0,01 mg/kg (máximo 0,5 mg) e pode ser repetida a cada 5-15 minutos se necessário.

A expansão volêmica é essencial porque a vasodilatação e o aumento da permeabilidade capilar causam hipovolemia relativa e absoluta, com extravasamento de plasma para o interstício. Em crianças, administra-se solução cristaloide (SF 0,9% ou Ringer lactato) em bolus de 10-20 mL/kg, podendo ser repetido até estabilização hemodinâmica. O oxigênio suplementar é indicado para manter saturação ≥ 94%, especialmente na presença de broncoespasmo e hipoxemia. O broncodilatador inalatório (salbutamol) é adjuvante para aliviar o broncoespasmo, mas não substitui a adrenalina.

Os corticoides sistêmicos e os anti-histamínicos são medicações de segunda linha, que atuam tardiamente (horas) e não revertem o choque. São úteis para prevenir reações bifásicas e controlar sintomas cutâneos, mas nunca devem ser usados como primeira escolha isolada. A alternativa que os coloca como tratamento principal, sem adrenalina, está incorreta.

A pegadinha central desta questão é a hierarquia terapêutica: a banca tenta seduzir o candidato com combinações que parecem completas (oxigênio + expansão + corticoide + broncodilatador), mas omitem a adrenalina — o único fármaco que salva a vida no choque anafilático. Guarde a sequência: A (afastar alérgeno) → O (oxigênio) → E (expansão) → A (adrenalina IM) → B (broncodilatador). É exatamente essa ordem que separa a alternativa correta das demais.

  1. 1Afastar alérgeno
  2. 2Oxigênio suplementar
  3. 3Expansão volêmica (cristaloide)
  4. 4Adrenalina IM (1ª linha)
  5. 5Broncodilatador inalatório
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a conduta completa e correta para anafilaxia com choque e broncoespasmo. A oferta de oxigênio trata a hipoxemia; a expansão volêmica com cristaloide corrige a hipovolemia relativa do choque distributivo; a adrenalina intramuscular é a droga de primeira linha, revertendo vasodilatação, broncoconstrição e edema de laringe; e o broncodilatador inalatório (salbutamol) é adjuvante para o componente broncospástico. A combinação desses quatro pilares é o padrão-ouro do manejo agudo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B troca a adrenalina por corticoide sistêmico e anti-histamínico via enteral. Esses fármacos são segunda linha: os corticoides levam horas para agir e os anti-histamínicos não revertem broncoespasmo nem hipotensão. Em um paciente com choque (hipotensão, taquicardia, enchimento capilar prolongado), a ausência de adrenalina é um erro grave e potencialmente fatal. A via enteral também é inadequada na emergência, pois a absorção está comprometida pela má perfusão.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C também omite a adrenalina, mantendo apenas oxigênio, expansão e broncodilatador. Embora o broncodilatador trate o broncoespasmo, ele não reverte a vasodilatação nem a hipotensão — efeitos que só a adrenalina consegue reverter de forma imediata. Sem adrenalina, o paciente permanece em choque e o risco de óbito é alto. A combinação parece razoável, mas é insuficiente para o quadro descrito.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D usa adrenalina endovenosa, que não é a via de primeira escolha na anafilaxia. A via intramuscular é preferida por ser mais segura (menor risco de arritmias) e ter início de ação rápido. A via EV é reservada para casos refratários, em ambiente de terapia intensiva, com monitorização contínua. Além disso, a alternativa omite a expansão volêmica, essencial para corrigir a hipovolemia do choque distributivo, e o broncodilatador, necessário para o broncoespasmo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E omite tanto o oxigênio quanto a adrenalina. A oferta de oxigênio é fundamental para manter a saturação ≥ 94% na presença de broncoespasmo e hipoxemia. A adrenalina é a droga que reverte o choque e o broncoespasmo de forma imediata; sem ela, o quadro evolui para parada cardiorrespiratória. A combinação de expansão, broncodilatador e corticoide é insuficiente e não atende à urgência do caso.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a hierarquia terapêutica da anafilaxia: todas as alternativas incorretas omitem a adrenalina ou usam via inadequada. O candidato que memoriza a sequência A-O-E-A-B (afastar, oxigênio, expansão, adrenalina IM, broncodilatador) identifica a letra A de imediato. Cuidado com alternativas que parecem completas, mas trocam a adrenalina por corticoide ou anti-histamínico — eles são coadjuvantes, nunca protagonistas.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, diante de um caso de anafilaxia, pergunte-se: "tem adrenalina?" Se não tiver, a alternativa está errada. Depois, verifique a via (IM é a primeira escolha) e se há expansão volêmica. Essa triagem elimina rapidamente as alternativas incorretas.

Gabarito: letra A

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