Questão de Medicina — Medicina Intensiva — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Medicina Intensiva
Código
qg728217
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Intensivista Pediátrico
A oximetria de pulso é utilizada para monitorização de oxigenação, sendo muito usada no meio intra-hospitalar. Referente a essa monitorização, assinale a alternativa correta.
AA saturação de oxigênio pode estar falsamente baixa na oximetria na presença de intoxicação por monóxido de carbono.
BA saturação de oxigênio pode estar falsamente aumentada na oximetria na presença de hemoglobinopatias.
CA oximetria de pulso é a maneira de monitorar continuamente e de forma invasiva a saturação arterial de oxigênio.
DPara fazer a leitura da saturação de oxigênio, o oxímetro de pulso emite dois feixes de luz, um vermelho e outro infravermelho.
EA oximetria de pulso não consegue separar o conteúdo arterial e venoso, fazendo a medida da saturação dos dois juntos.
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GabaritoD — Para fazer a leitura da saturação de oxigênio, o oxímetro de pulso emite dois feixes de luz, um vermelho e outro infravermelho.
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Oximetria de pulso: princípio físico e limitações
Gabarito: letra D. O oxímetro de pulso é um método não invasivo e contínuo que estima a saturação arterial de oxigênio (SpO₂) a partir da espectrofotometria: emite dois feixes de luz — um vermelho (660 nm) e outro infravermelho (940 nm) — que atravessam o leito vascular pulsátil, e a absorção diferencial desses comprimentos de onda pela oxiemoglobina e pela desoxiemoglobina permite calcular a saturação. É exatamente esse princípio físico que a alternativa D descreve corretamente.
A oximetria de pulso se consolidou como um dos pilares da monitorização em Medicina Intensiva, Emergência e anestesia por ser contínua, não invasiva, indolor e de baixo custo. O aparelho funciona como um espectrofotômetro: dois LEDs emitem luz nos comprimentos de onda de 660 nm (vermelho) e 940 nm (infravermelho), e um fotodetector do lado oposto mede a luz transmitida. A hemoglobina oxigenada (oxiemoglobina) absorve mais luz infravermelha, enquanto a hemoglobina desoxigenada (desoxiemoglobina) absorve mais luz vermelha. A razão entre as absorções nesses dois comprimentos de onda, processada por um microprocessador, gera o valor da SpO₂.
Para distinguir o sangue arterial do venoso, o oxímetro explora o componente pulsátil do sinal: durante a sístole, o volume sanguíneo arterial no leito capilar aumenta, causando um pico de absorção; na diástole, há apenas o componente não pulsátil (tecido, osso, sangue venoso). O aparelho subtrai o componente contínuo (DC) do pulsátil (AC), isolando assim a absorção devida ao sangue arterial — é isso que permite a medida "seletiva" da saturação arterial sem cateterismo.
A grande limitação do método está na incapacidade de distinguir hemoglobinas disfuncionais — carboxiemoglobina (COHb) e metemoglobina (MetHb) — da oxiemoglobina, pois ambas absorvem luz nos mesmos comprimentos de onda. Na intoxicação por monóxido de carbono, por exemplo, a COHb absorve luz vermelha de forma semelhante à oxiemoglobina, fazendo o oxímetro superestimar a saturação real: o paciente pode estar gravemente hipoxêmico com SpO₂ falsamente normal (acima de 95%). Já na metemoglobinemia, a MetHb absorve ambos os comprimentos de onda de forma equilibrada, fazendo a SpO₂ tender a um platô de aproximadamente 85%, independentemente da saturação real. Essas são as armadilhas clássicas que a banca explora nas alternativas A e B.
Outra limitação importante é a dependência de perfusão periférica adequada: em estados de baixo débito cardíaco, vasoconstrição intensa, hipotermia ou uso de vasopressores, o sinal pulsátil fica atenuado e a leitura pode falhar ou subestimar a saturação. Além disso, a oximetria de pulso não fornece informação sobre o conteúdo de oxigênio (que depende da hemoglobina), nem sobre a pressão parcial de oxigênio (PaO₂) — a relação entre SpO₂ e PaO₂ é não linear, descrita pela curva de dissociação da hemoglobina. Por isso, em situações de instabilidade ou quando se necessita de precisão, a gasometria arterial com co-oximetria é o padrão-ouro.
Guarde a fronteira que separa as alternativas: o oxímetro de pulso é não invasivo e mede a saturação arterial (via componente pulsátil), mas não distingue hemoglobinas disfuncionais — é exatamente nesses dois eixos que as alternativas se dividem.
Oximetria de pulso (SpO₂)
1Princípio físico
Dois feixes de luz
Vermelho (660 nm)
Infravermelho (940 nm)
Absorção diferencial
Oxiemoglobina
Desoxiemoglobina
Componente pulsátil
Isola sangue arterial
Subtrai componente venoso
2Método
Não invasivo
Contínuo
Baixo custo
3Limitações
Intoxicação por CO
SpO₂ falsamente normal
Metemoglobinemia
Platô de ~85%
Baixa perfusão
Leitura falha ou subestimada
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a saturação pode estar falsamente baixa na intoxicação por monóxido de carbono. É exatamente o contrário: a carboxiemoglobina absorve luz vermelha de forma semelhante à oxiemoglobina, fazendo o oxímetro superestimar a saturação — o paciente pode ter hipóxia grave com SpO₂ falsamente normal (acima de 95%). O erro está na direção do viés: a banca trocou "falsamente normal/aumentada" por "falsamente baixa".
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a saturação pode estar falsamente aumentada na presença de hemoglobinopatias. A afirmação é genérica e imprecisa: o efeito depende do tipo de hemoglobina anormal. Na metemoglobinemia, por exemplo, a SpO₂ tende a um platô de aproximadamente 85% (falsamente baixa ou intermediária, não aumentada), independentemente da saturação real. Já na intoxicação por CO, a SpO₂ é falsamente normal/aumentada. A alternativa erra ao generalizar: não é correto afirmar que hemoglobinopatias causam aumento falso da saturação — o efeito varia conforme a hemoglobina disfuncional presente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a oximetria de pulso é um método invasivo. É o oposto: a oximetria de pulso é não invasiva, pois utiliza um sensor externo (dedo, orelha, testa) que emite luz através do tecido, sem necessidade de punção ou cateter. A monitorização invasiva da saturação arterial seria feita por cateter intra-arterial com sensor de fibra óptica (usado em situações específicas), ou pela gasometria arterial seriada. A banca trocou o caráter do método: não invasivo por invasivo.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve corretamente o princípio físico do oxímetro de pulso: ele emite dois feixes de luz — um vermelho (660 nm) e outro infravermelho (940 nm) — que atravessam o leito vascular. A absorção diferencial desses comprimentos de onda pela oxiemoglobina e pela desoxiemoglobina é o que permite calcular a saturação arterial de oxigênio. É exatamente o mecanismo de funcionamento do aparelho.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a oximetria de pulso não consegue separar o conteúdo arterial e venoso, medindo a saturação dos dois juntos. É o contrário: o oxímetro de pulso consegue isolar o componente arterial ao explorar o sinal pulsátil (componente AC) — durante a sístole, o volume sanguíneo arterial aumenta, gerando um pico de absorção que é subtraído do componente não pulsátil (DC, que inclui tecido e sangue venoso). É justamente essa capacidade de distinguir o componente arterial que torna o método útil para estimar a SpO₂ sem cateterismo. A banca inverteu a capacidade do aparelho.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora as limitações clássicas da oximetria de pulso, mas com os sentidos invertidos: na alternativa A, troca "falsamente normal" por "falsamente baixa" na intoxicação por CO; na alternativa E, nega a capacidade do aparelho de isolar o componente arterial. O candidato que decora as limitações sem entender o princípio físico (dois comprimentos de onda + componente pulsátil) cai nas inversões. Lembre-se: CO → SpO₂ falsamente normal; metemoglobinemia → platô de ~85%; e o aparelho sempre isola o componente arterial pelo sinal pulsátil.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de oximetria, monte mentalmente uma tabela de limitações: CO → SpO₂ falsamente normal (não distingue COHb de O₂Hb); metemoglobinemia → platô de ~85%; baixa perfusão → leitura falha ou subestimada; hemoglobinas anormais → leitura não confiável. E lembre-se do princípio: dois feixes de luz (vermelho + infravermelho) + componente pulsátil = SpO₂ arterial não invasiva. Essa tríade resolve a maioria das questões do tema.