Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg728224
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Intensivista Pediátrico
Quanto às complicações no pós-operatório de transplante hepático, é correto afirmar que
Aas tromboses ou estenoses arteriais são mais comuns nos adultos do que nas crianças e o uso de enxertos vasculares na aorta diminui essa incidência.
Bos fatores que podem estar relacionados com a redução na incidência de trombose precoce de artéria hepática incluem a manutenção de hematócritos mais elevados, geralmente acima de 14 mg/dL.
Ca trombose da artéria hepática pode ser causada por hipercoagulabilidade pós-transplante, hemoconcentração e rejeição grave com edema do enxerto.
Das complicações biliares são as mais raras e, entre outros fatores, dependem da adequada imunossupressão do hospedeiro.
Ea rejeição celular aguda, apesar de ser chamada de aguda, é um evento que ocorre a partir de 6 meses do transplante e sua ocorrência está associada a infecções como a hepatite B e C.
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GabaritoC — a trombose da artéria hepática pode ser causada por hipercoagulabilidade pós-transplante, hemoconcentração e rejeição grave com edema do enxerto.
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Complicações pós-operatórias do transplante hepático
Gabarito: letra C. A trombose da artéria hepática (TAH) é uma das complicações vasculares mais graves e tem como causas a hipercoagulabilidade, a hemoconcentração e a rejeição grave com edema do enxerto — exatamente o que a alternativa C afirma. As demais alternativas contêm erros conceituais: a A inverte a epidemiologia (é mais comum em crianças), a B cita um valor de hematócrito incorreto, a D afirma que complicações biliares são raras (são as mais comuns) e a E erra o tempo da rejeição aguda (ocorre nas primeiras semanas, não após 6 meses).
O transplante hepático é o tratamento de escolha para doenças hepáticas terminais, e o pós-operatório exige vigilância intensa para complicações vasculares, biliares, infecciosas e imunológicas. A trombose da artéria hepática é a complicação vascular mais temida, especialmente no período precoce (primeiras semanas), pois pode levar à necrose do enxerto e à necessidade de retransplante. Sua fisiopatologia envolve múltiplos fatores: hipercoagulabilidade (estado protrombótico do paciente cirrótico ou pós-operatório), hemoconcentração (aumento da viscosidade sanguínea) e rejeição grave que causa edema do enxerto, comprimindo a artéria e reduzindo o fluxo. A prevenção inclui manter hematócrito em níveis adequados (não elevados), usar anticoagulantes e técnicas microcirúrgicas.
As complicações biliares, por outro lado, são as mais frequentes no pós-operatório de transplante hepático, ocorrendo em 10-30% dos casos. Incluem fístulas, estenoses anastomóticas e colangites. Dependem da técnica cirúrgica (colédoco-coledocostomia ou hepaticojejunostomia), da vascularização do ducto biliar e da preservação do órgão, mas não da imunossupressão do hospedeiro como fator principal. A rejeição celular aguda é um evento imunológico que ocorre tipicamente entre a primeira semana e os primeiros meses após o transplante, sendo mais comum nas primeiras 4-6 semanas. É mediada por linfócitos T do receptor contra o enxerto e se manifesta com febre, dor abdominal e disfunção do enxerto. Não está associada a infecções virais como hepatite B ou C como causa, embora infecções possam ocorrer em pacientes imunossuprimidos.
A distinção crucial que separa as alternativas é o conhecimento da epidemiologia e da fisiopatologia das complicações: saber que a TAH é mais comum em crianças (devido ao menor calibre vascular), que a prevenção envolve manter hematócrito em níveis baixos a normais (não elevados), que complicações biliares são as mais comuns (não raras) e que a rejeição aguda ocorre precocemente (não após 6 meses). A alternativa C é a única que descreve corretamente as causas da TAH, sem inversões ou valores incorretos.
Complicações pós-transplante hepático
1Vasculares
Trombose da artéria hepática (TAH)
Mais comum em crianças
Causas
Hipercoagulabilidade
Hemoconcentração
Rejeição grave com edema
Prevenção
Hematócrito baixo/normal
Anticoagulantes
2Biliares
Mais comuns (10–30%)
Causas
Técnica cirúrgica
Vascularização do ducto
Preservação do órgão
3Imunológicas
Rejeição aguda
Precoce (1ª semana–meses)
Linfócitos T do receptor
Rejeição crônica
Tardia (após 6 meses)
Fibrose
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A afirmação inverte a epidemiologia: as tromboses ou estenoses arteriais são mais comuns em crianças do que em adultos, devido ao menor calibre dos vasos e à maior dificuldade técnica da anastomose. O uso de enxertos vasculares na aorta (como interposição de enxerto de artéria ilíaca ou de veia) é uma técnica que aumenta a incidência de trombose, pois adiciona uma anastomose extra e um segmento vascular que pode trombosar. A alternativa erra nos dois pontos: a frequência (adultos vs. crianças) e o efeito do enxerto vascular (diminui vs. aumenta).
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a manutenção de hematócritos elevados (acima de 14 mg/dL) reduz a trombose precoce da artéria hepática. Isso é um erro conceitual e de valor: hematócrito elevado aumenta a viscosidade sanguínea e, portanto, aumenta o risco de trombose, não o reduz. A prevenção da TAH envolve manter hematócrito em níveis baixos a normais (geralmente abaixo de 30-35%), além do uso de anticoagulantes e antiagregantes plaquetários. O valor citado (14 mg/dL) também é incorreto — hematócrito é medido em porcentagem (%), não em mg/dL, e 14% seria um valor extremamente baixo, incompatível com a vida. A banca troca o conceito (elevado vs. baixo) e a unidade de medida.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve corretamente as causas da trombose da artéria hepática: hipercoagulabilidade pós-transplante (estado protrombótico), hemoconcentração (aumento da viscosidade) e rejeição grave com edema do enxerto (que comprime a artéria e reduz o fluxo). Esses são os fatores de risco clássicos para TAH precoce, reconhecidos na literatura de transplante hepático. A alternativa está correta em todos os seus termos, sem inversões ou valores incorretos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A afirmação de que as complicações biliares são as mais raras está incorreta — na verdade, são as mais comuns no pós-operatório de transplante hepático, ocorrendo em 10-30% dos casos. Além disso, a adequada imunossupressão do hospedeiro não é um fator determinante para complicações biliares; estas dependem principalmente da técnica cirúrgica, da vascularização do ducto biliar e da preservação do órgão. A alternativa erra na frequência (rara vs. comum) e no fator causal (imunossupressão vs. fatores mecânicos/técnicos).
Alternativa E — ❌ Incorreta
A rejeição celular aguda ocorre precocemente, tipicamente entre a primeira semana e os primeiros meses após o transplante, sendo mais comum nas primeiras 4-6 semanas. A alternativa afirma que ocorre a partir de 6 meses, o que é incorreto — esse período corresponde mais à rejeição crônica. Além disso, a rejeição aguda não está associada a infecções como hepatite B e C como causa; é um evento imunológico mediado por linfócitos T do receptor contra o enxerto. Infecções virais podem ocorrer em pacientes imunossuprimidos, mas não são causa de rejeição aguda. A alternativa erra no tempo (precoce vs. tardio) e na associação causal (infecções vs. resposta imune).
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as complicações vasculares e biliares, invertendo frequências (TAH mais comum em adultos vs. crianças; complicações biliares raras vs. comuns) e valores (hematócrito elevado vs. baixo). O candidato que decora os conceitos sem entender a fisiopatologia cai nas inversões. Fique atento: TAH é mais comum em crianças, complicações biliares são as mais comuns, e a rejeição aguda é precoce.
NÃO CAIA NESSA!
Para questões de transplante hepático, monte um quadro mental: complicações vasculares (TAH — mais comum em crianças, causas: hipercoagulabilidade, hemoconcentração, rejeição com edema), complicações biliares (mais comuns, causas: técnica cirúrgica, vascularização), rejeição aguda (precoce, imunológica) e rejeição crônica (tardia, fibrose). Isso cobre a maioria das pegadinhas da banca.