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Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaFarmacologia e Anestesiologia
Código
qg728226
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Intensivista Pediátrico
Referente ao manejo e à terapêutica no estado de mal epilético (EME), assinale a alternativa correta.
  1. AO fenobarbital tem mecanismo de ação semelhante ao dos benzodiazepínicos.
  2. BOs benzodiazepínicos são as medicações de segunda linha no atendimento do EME.
  3. CO diazepam é o medicamento de primeira linha que está mais disponível e pode ser realizado por via endovenosa, intramuscular e nasal com mesma eficácia.
  4. DEntre os fármacos de segunda linha estão fenitoína, fosfenitoína, levetiracetam e midazolam.
  5. EA fenitoína age nos receptores gabaérgicos e deve ser usada como medicamento de terceira linha.
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GabaritoA — O fenobarbital tem mecanismo de ação semelhante ao dos benzodiazepínicos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Estado de mal epiléptico (EME): manejo farmacológico

Gabarito: letra A. O fenobarbital, assim como os benzodiazepínicos, potencializa a ação do GABA no receptor GABA-A, aumentando a frequência de abertura do canal de cloro — por isso o mecanismo de ação é semelhante. As demais alternativas erram ao classificar os benzodiazepínicos como segunda linha (são primeira linha), ao afirmar eficácia igual entre vias do diazepam (a via IM tem absorção errática), ao incluir o midazolam entre os fármacos de segunda linha (é benzodiazepínico, portanto primeira linha) e ao atribuir à fenitoína ação gabaérgica (seu alvo é o canal de sódio).

O estado de mal epiléptico (EME) é definido como crise convulsiva com duração superior a 5 minutos ou crises repetidas sem recuperação da consciência entre elas. É uma emergência neurológica que exige tratamento imediato e escalonado. O entendimento do manejo farmacológico depende de conhecer as três linhas de tratamento e o mecanismo de ação de cada fármaco.

Primeira linha: benzodiazepínicos. São os fármacos de escolha inicial, pois agem rapidamente potencializando a neurotransmissão inibitória GABAérgica. O diazepam e o midazolam são os mais utilizados. O diazepam é administrado por via endovenosa (EV), na dose de 10 mg em adultos, podendo ser repetido uma vez. O midazolam é a primeira opção quando não há acesso venoso, pois pode ser administrado por via intramuscular (IM), na dose de 10 mg. É importante destacar que o diazepam por via IM tem absorção errática e não é recomendado; a via nasal existe para o midazolam, mas não para o diazepam com a mesma eficácia.

Segunda linha: anticonvulsivantes não benzodiazepínicos. Quando a crise persiste após os benzodiazepínicos, parte-se para os fármacos de segunda linha: fenitoína, fosfenitoína, levetiracetam e ácido valproico. Esses medicamentos têm mecanismos de ação distintos: a fenitoína e a fosfenitoína bloqueiam os canais de sódio dependentes de voltagem; o levetiracetam liga-se à proteína sináptica SV2A; o valproato tem múltiplos mecanismos, incluindo aumento da disponibilidade de GABA. O midazolam, por ser benzodiazepínico, pertence à primeira linha, não à segunda.

Terceira linha: anestésicos gerais. No EME refratário, quando as duas primeiras linhas falham, utiliza-se infusão contínua de anestésicos, como midazolam, propofol ou tiopental, geralmente em ambiente de UTI, com monitorização por EEG contínuo. O objetivo é o controle eletrográfico das crises.

A pegadinha central desta questão é a classificação dos fármacos nas linhas de tratamento e o mecanismo de ação. A banca mistura conceitos: coloca o midazolam (que é benzodiazepínico) como segunda linha, e atribui à fenitoína ação gabaérgica, quando na verdade ela age nos canais de sódio. Guarde bem: benzodiazepínicos = primeira linha, agem no GABA; fenitoína/fosfenitoína = segunda linha, agem no sódio; levetiracetam e valproato = segunda linha, com outros mecanismos.

Fármaco

Linha de tratamento

Mecanismo de ação

Benzodiazepínicos (diazepam, midazolam, lorazepam)

Primeira linha

Potencialização do GABA no receptor GABA-A (aumento da frequência de abertura do canal de cloro)

Fenitoína / Fosfenitoína

Segunda linha

Bloqueio dos canais de sódio dependentes de voltagem

Levetiracetam

Segunda linha

Ligação à proteína sináptica SV2A

Ácido valproico

Segunda linha

Múltiplos mecanismos, incluindo aumento da disponibilidade de GABA

Fenobarbital

(Barbitúrico, usado em contextos específicos)

Potencialização do GABA no receptor GABA-A (aumento da duração da abertura do canal de cloro)

Anestésicos gerais (propofol, tiopental)

Terceira linha

Atuação em múltiplos alvos, incluindo GABA-A (infusão contínua em UTI)

Estado de mal epiléptico
  • 11ª linha: benzodiazepínicos
    • Diazepam (EV)
    • Midazolam (IM/nasal)
    • Agem no GABA-A
  • 22ª linha: anticonvulsivantes
    • Fenitoína/fosfenitoína (bloqueiam sódio)
    • Levetiracetam (proteína SV2A)
    • Valproato (aumenta GABA)
  • 33ª linha: anestésicos gerais
    • Propofol
    • Tiopental
    • Midazolam em infusão contínua
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O fenobarbital é um barbitúrico que, assim como os benzodiazepínicos, potencializa a ação inibitória do GABA no receptor GABA-A. A diferença está no mecanismo molecular: os benzodiazepínicos aumentam a frequência de abertura do canal de cloro, enquanto os barbitúricos aumentam a duração da abertura. Ambos, porém, facilitam a neurotransmissão GABAérgica, o que torna a afirmação correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Os benzodiazepínicos são a primeira linha no tratamento do EME, não a segunda. A segunda linha é composta por fármacos como fenitoína, fosfenitoína, levetiracetam e ácido valproico, utilizados quando a crise persiste após a dose inicial de benzodiazepínico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O diazepam é administrado por via endovenosa (EV) e, excepcionalmente, por via retal, mas não por via intramuscular (IM) com eficácia adequada — a absorção IM é errática e imprevisível. A via nasal é utilizada para o midazolam, não para o diazepam. Portanto, a afirmação de que o diazepam pode ser usado por via EV, IM e nasal com a mesma eficácia é incorreta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O midazolam é um benzodiazepínico e, portanto, pertence à primeira linha de tratamento, não à segunda. Os fármacos de segunda linha corretos são fenitoína, fosfenitoína, levetiracetam e ácido valproico. A inclusão do midazolam torna a alternativa errada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A fenitoína não age em receptores gabaérgicos; seu mecanismo de ação é o bloqueio dos canais de sódio dependentes de voltagem, estabilizando a membrana neuronal e reduzindo a descarga repetitiva. Além disso, a fenitoína é um fármaco de segunda linha, não de terceira linha. A terceira linha é reservada aos anestésicos gerais, como propofol e tiopental.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte as linhas de tratamento e os mecanismos de ação. O candidato que decora apenas os nomes dos fármacos pode marcar a letra D, achando que midazolam é segunda linha, ou a letra E, atribuindo à fenitoína ação gabaérgica. Lembre-se: benzodiazepínicos (diazepam, midazolam, lorazepam) são sempre primeira linha e agem no GABA; fenitoína e fosfenitoína são segunda linha e agem no sódio. Com esse mapa, você elimina as pegadinhas com segurança.

Gabarito: letra A

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