Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026
- Código
- qg728227
- Banca
- INSTITUTO AOCP
- Órgão
- SES-SC
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Área Intensivista Pediátrico
- ARisperidona.
- BHaloperidol.
- COlanzanpina.
- DMorfina.
- EKetamina.
GabaritoB — Haloperidol.
Gabarito: letra B. No delirium hiperativo, o haloperidol é a medicação de primeira escolha, sendo o antipsicótico mais utilizado, mesmo sem estudos que comprovem sua superioridade. A dose inicial de 0,5 a 2 mg IV, IM ou VO pode ser suficiente, com doses adicionais a cada 30 a 60 minutos até o efeito desejado. Olanzapina e risperidona são opções alternativas, mas não a primeira escolha.
O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por alteração da atenção e da consciência, com curso que pode variar de horas a dias. No contexto de unidade de terapia intensiva (UTI), sua incidência é alta, especialmente em pacientes sob ventilação mecânica e uso de sedativos como midazolam e fentanil — exatamente o cenário do paciente do enunciado. O delirium pode se apresentar em três formas: hiperativo (agitação psicomotora, delírios, alucinações), hipoativo (letargia, sonolência — a forma mais comum e subdiagnosticada) e misto (alternância entre os dois).
O tratamento do delirium envolve, primeiramente, a identificação e correção da causa desencadeante, além de medidas não farmacológicas (reorientação, estímulo cognitivo, restabelecimento do ciclo sono-vigília, mobilização precoce). O tratamento farmacológico é reservado para pacientes muito agitados, com risco para si ou para terceiros, ou com sintomas psicóticos. Nesse cenário, os antipsicóticos são a classe de escolha, e o haloperidol é o fármaco mais utilizado, sendo considerado a primeira linha. A olanzapina e a risperidona são alternativas, mas não a primeira escolha. Os benzodiazepínicos têm papel limitado e são indicados principalmente quando o delirium é precipitado por abstinência alcoólica ou de benzodiazepínicos — não é o caso do paciente, que usou midazolam e fentanil, mas não está em abstinência dessas drogas.
É importante destacar que, embora o haloperidol seja a droga mais utilizada, não há evidência robusta de que antipsicóticos reduzam a incidência, gravidade ou mortalidade do delirium; seu uso visa controlar a agitação. A máxima para pacientes idosos — "start low, go slow" — também se aplica à pediatria: iniciar com doses baixas e titular conforme a resposta clínica. A morfina e a cetamina não são indicadas para o tratamento do delirium; a morfina é um opioide que pode até piorar o quadro, e a cetamina é um sedativo com possível papel na prevenção, mas não no tratamento do delirium estabelecido.
A pegadinha desta questão está em reconhecer que, apesar de olanzapina e risperidona serem antipsicóticos atípicos válidos, o haloperidol (antipsicótico típico) é a primeira escolha clássica no manejo do delirium hiperativo. A banca explora a confusão entre as opções farmacológicas, oferecendo alternativas que são usadas, mas não como primeira linha. Guarde a hierarquia: haloperidol → primeira escolha; olanzapina/risperidona → alternativas; benzodiazepínicos → apenas em abstinência; opioides/cetamina → não indicados.
A risperidona é um antipsicótico atípico que pode ser usado no tratamento do delirium, mas não é a primeira escolha. O haloperidol é o fármaco de primeira linha, sendo a risperidona uma opção alternativa, com dose de 0,5 a 1 mg a cada 12 horas. A banca oferece a risperidona como distrator, pois é um antipsicótico válido, mas não o preferencial.
O haloperidol é a medicação de primeira escolha para o tratamento do delirium hiperativo. É o antipsicótico mais utilizado, com dose inicial de 0,5 a 2 mg IV, IM ou VO, podendo ser repetida a cada 30 a 60 minutos até o efeito desejado. Embora não haja evidência de superioridade sobre outros antipsicóticos, é a droga clássica e mais empregada na prática clínica.
A olanzapina é um antipsicótico atípico que pode ser considerado no tratamento do delirium, com dose de 2,5 a 5 mg por dia, mas não é a primeira escolha. O haloperidol é o fármaco de primeira linha; a olanzapina é uma alternativa, não o tratamento inicial preferencial.
A morfina é um opioide utilizado para analgesia e sedação, mas não é indicada para o tratamento do delirium. Pelo contrário, opioides estão entre as causas iatrogênicas de delirium, podendo piorar o quadro. A morfina não tem papel no manejo da agitação do delirium hiperativo.
A cetamina é um sedativo com propriedades analgésicas, cujo uso na UTI tem crescido, mas não é indicada para o tratamento do delirium estabelecido. Seu possível papel é na prevenção do delirium quando usada como sedativo adjuvante, não como terapêutica do quadro já instalado. A primeira escolha permanece o haloperidol.
A banca explora a confusão entre os antipsicóticos: olanzapina e risperidona são opções válidas, mas o haloperidol é a primeira escolha clássica. O candidato que sabe que antipsicóticos são usados pode marcar qualquer um deles, mas a questão pede especificamente a medicação de primeira linha — e essa é o haloperidol. Fique atento à hierarquia: haloperidol primeiro, atípicos como alternativa.
Para questões de delirium, memorize a hierarquia farmacológica: haloperidol (1ª escolha) → olanzapina/risperidona (alternativas) → benzodiazepínicos (apenas abstinência alcoólica/benzodiazepínica) → dexmedetomidina (controle de agitação, com benefício no tempo livre de ventilação). Opioides e cetamina não são opções para o tratamento do delirium.
Gabarito: letra B — haloperidol é a medicação de primeira escolha para o delirium hiperativo.
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