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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg728227
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Intensivista Pediátrico
Paciente de 3 anos foi internado em unidade de terapia intensiva pediátrica por necessidade de ventilação pulmonar mecânica (VPM) devido a diagnóstico de pneumonia com evolução para insuficiência respiratória. Permaneceu em VPM por 10 dias em uso de midazolam e fentanil. Foi realizado processo de extubação e o paciente evoluiu com sintomas de delirium hiperativo. Com relação à terapêutica do delirium desenvolvido pelo paciente, qual é a medicação de primeira escolha a ser prescrita?
  1. ARisperidona.
  2. BHaloperidol.
  3. COlanzanpina.
  4. DMorfina.
  5. EKetamina.
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GabaritoB — Haloperidol.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Delirium hiperativo em pediatria: tratamento farmacológico

Gabarito: letra B. No delirium hiperativo, o haloperidol é a medicação de primeira escolha, sendo o antipsicótico mais utilizado, mesmo sem estudos que comprovem sua superioridade. A dose inicial de 0,5 a 2 mg IV, IM ou VO pode ser suficiente, com doses adicionais a cada 30 a 60 minutos até o efeito desejado. Olanzapina e risperidona são opções alternativas, mas não a primeira escolha.

O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por alteração da atenção e da consciência, com curso que pode variar de horas a dias. No contexto de unidade de terapia intensiva (UTI), sua incidência é alta, especialmente em pacientes sob ventilação mecânica e uso de sedativos como midazolam e fentanil — exatamente o cenário do paciente do enunciado. O delirium pode se apresentar em três formas: hiperativo (agitação psicomotora, delírios, alucinações), hipoativo (letargia, sonolência — a forma mais comum e subdiagnosticada) e misto (alternância entre os dois).

O tratamento do delirium envolve, primeiramente, a identificação e correção da causa desencadeante, além de medidas não farmacológicas (reorientação, estímulo cognitivo, restabelecimento do ciclo sono-vigília, mobilização precoce). O tratamento farmacológico é reservado para pacientes muito agitados, com risco para si ou para terceiros, ou com sintomas psicóticos. Nesse cenário, os antipsicóticos são a classe de escolha, e o haloperidol é o fármaco mais utilizado, sendo considerado a primeira linha. A olanzapina e a risperidona são alternativas, mas não a primeira escolha. Os benzodiazepínicos têm papel limitado e são indicados principalmente quando o delirium é precipitado por abstinência alcoólica ou de benzodiazepínicos — não é o caso do paciente, que usou midazolam e fentanil, mas não está em abstinência dessas drogas.

É importante destacar que, embora o haloperidol seja a droga mais utilizada, não há evidência robusta de que antipsicóticos reduzam a incidência, gravidade ou mortalidade do delirium; seu uso visa controlar a agitação. A máxima para pacientes idosos — "start low, go slow" — também se aplica à pediatria: iniciar com doses baixas e titular conforme a resposta clínica. A morfina e a cetamina não são indicadas para o tratamento do delirium; a morfina é um opioide que pode até piorar o quadro, e a cetamina é um sedativo com possível papel na prevenção, mas não no tratamento do delirium estabelecido.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que, apesar de olanzapina e risperidona serem antipsicóticos atípicos válidos, o haloperidol (antipsicótico típico) é a primeira escolha clássica no manejo do delirium hiperativo. A banca explora a confusão entre as opções farmacológicas, oferecendo alternativas que são usadas, mas não como primeira linha. Guarde a hierarquia: haloperidol → primeira escolha; olanzapina/risperidona → alternativas; benzodiazepínicos → apenas em abstinência; opioides/cetamina → não indicados.

Delirium hiperativo: tratamento farmacológico
  • 1Haloperidol (1ª escolha)
    • Dose inicial 0,5–2 mg IV/IM/VO
    • Repetir a cada 30–60 min até efeito
  • 2Alternativas (não 1ª linha)
    • Olanzapina
    • Risperidona
  • 3Casos específicos
    • Benzodiazepínicos
      • abstinência alcoólica/benzodiazepínica
  • 4Não indicados
    • Morfina (opioide pode piorar)
    • Cetamina (só prevenção, não tratamento)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A risperidona é um antipsicótico atípico que pode ser usado no tratamento do delirium, mas não é a primeira escolha. O haloperidol é o fármaco de primeira linha, sendo a risperidona uma opção alternativa, com dose de 0,5 a 1 mg a cada 12 horas. A banca oferece a risperidona como distrator, pois é um antipsicótico válido, mas não o preferencial.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O haloperidol é a medicação de primeira escolha para o tratamento do delirium hiperativo. É o antipsicótico mais utilizado, com dose inicial de 0,5 a 2 mg IV, IM ou VO, podendo ser repetida a cada 30 a 60 minutos até o efeito desejado. Embora não haja evidência de superioridade sobre outros antipsicóticos, é a droga clássica e mais empregada na prática clínica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A olanzapina é um antipsicótico atípico que pode ser considerado no tratamento do delirium, com dose de 2,5 a 5 mg por dia, mas não é a primeira escolha. O haloperidol é o fármaco de primeira linha; a olanzapina é uma alternativa, não o tratamento inicial preferencial.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A morfina é um opioide utilizado para analgesia e sedação, mas não é indicada para o tratamento do delirium. Pelo contrário, opioides estão entre as causas iatrogênicas de delirium, podendo piorar o quadro. A morfina não tem papel no manejo da agitação do delirium hiperativo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A cetamina é um sedativo com propriedades analgésicas, cujo uso na UTI tem crescido, mas não é indicada para o tratamento do delirium estabelecido. Seu possível papel é na prevenção do delirium quando usada como sedativo adjuvante, não como terapêutica do quadro já instalado. A primeira escolha permanece o haloperidol.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os antipsicóticos: olanzapina e risperidona são opções válidas, mas o haloperidol é a primeira escolha clássica. O candidato que sabe que antipsicóticos são usados pode marcar qualquer um deles, mas a questão pede especificamente a medicação de primeira linha — e essa é o haloperidol. Fique atento à hierarquia: haloperidol primeiro, atípicos como alternativa.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de delirium, memorize a hierarquia farmacológica: haloperidol (1ª escolha) → olanzapina/risperidona (alternativas) → benzodiazepínicos (apenas abstinência alcoólica/benzodiazepínica) → dexmedetomidina (controle de agitação, com benefício no tempo livre de ventilação). Opioides e cetamina não são opções para o tratamento do delirium.

Gabarito: letra B — haloperidol é a medicação de primeira escolha para o delirium hiperativo.

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