Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Farmacologia e Anestesiologia
Código
qg728228
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Medicina Intensiva
Paciente do sexo masculino, 18 anos, vítima de traumatismos múltiplos, deu entrada na unidade de terapia intensiva e manteve-se internado por longo período. Após estabilização e desmame ventilatório, o paciente evoluiu com desorientação, alucinações visuais e agressividade. Nesse caso, as medicações indicadas para tratamento de delirium são
Ametadona e lorazepam
Bquetiapina e metadona.
Cbiperideno e quetiapina.
Dbiperideno e haloperidol.
Edexmedetomidina e haloperidol.
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GabaritoE — dexmedetomidina e haloperidol.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Delirium na UTI: tratamento farmacológico
Gabarito: letra E. No delirium hiperativo do paciente crítico, as medicações indicadas são a dexmedetomidina e o haloperidol — o haloperidol é o antipsicótico mais utilizado para controle da agitação, e a dexmedetomidina é um sedativo com papel crescente no manejo do delirium em UTI, associado à redução da proporção de pacientes com delirium quando comparado ao midazolam. As demais alternativas combinam fármacos inadequados (metadona, biperideno) ou com papel limitado (lorazepam, quetiapina isolada).
O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por perturbação da atenção e da consciência, com curso flutuante e frequentemente precipitada por doença grave, internação prolongada, uso de medicamentos ou distúrbios metabólicos. No paciente internado em UTI, o delirium hiperativo manifesta-se com agitação psicomotora, alucinações (tipicamente visuais) e agressividade — exatamente o quadro descrito no enunciado. O tratamento farmacológico é reservado para pacientes muito agitados, com risco para si ou para terceiros, ou com sintomas psicóticos e delirantes, e deve ser limitado, pois muitas drogas têm potencial de causar ou piorar o delirium.
A base do tratamento é a identificação e correção da causa subjacente, além de medidas não farmacológicas (reorientação, mobilização precoce, redução de sedativos, otimização do sono). Quando a intervenção farmacológica é necessária, o haloperidol é a droga mais utilizada, mesmo sem estudos que comprovem sua superioridade, com dose inicial de 0,5 a 2 mg IV, IM ou VO, podendo ser repetida a cada 30 a 60 minutos até o efeito desejado. Antipsicóticos atípicos como olanzapina e risperidona também são opções. Os benzodiazepínicos (como lorazepam) têm papel limitado, sendo indicados principalmente quando o precipitante é abstinência alcoólica ou de benzodiazepínicos, e como segunda opção em pacientes que não responderam a outras formas de tratamento.
A dexmedetomidina, um agonista alfa-2 adrenérgico, tem sido cada vez mais utilizada no controle do delirium em UTI. Estudos mostram que seu uso para controle de agitação associa-se a aumento do tempo livre de ventilação mecânica e redução da proporção de pacientes com delirium quando comparado ao midazolam. Por isso, a combinação de dexmedetomidina e haloperidol é uma abordagem racional e atual para o tratamento do delirium hiperativo no paciente crítico.
A pegadinha da questão está em combinar fármacos que não são indicados para delirium: metadona (opioide, que pode até causar delirium), biperideno (anticolinérgico, que piora o delirium) e quetiapina (antipsicótico atípico, mas que não é a primeira escolha no contexto de UTI e não aparece combinada com o fármaco mais adequado). O lorazepam, embora citado em algumas fontes como opção, tem papel limitado e não é a primeira escolha no delirium não relacionado a abstinência.
Guarde a distinção central: no delirium hiperativo do paciente crítico, a dupla consagrada é antipsicótico típico (haloperidol) + sedativo alfa-2 agonista (dexmedetomidina) — é exatamente essa combinação que a alternativa correta apresenta.
Delirium na UTI
1Tratamento farmacológico
Haloperidol (antipsicótico típico)
Dexmedetomidina (alfa-2 agonista)
2Fármacos inadequados
Metadona (opioide — causa delirium)
Biperideno (anticolinérgico — piora)
Lorazepam (papel limitado)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A metadona é um opioide, que pode causar ou piorar o delirium, e não é indicada para seu tratamento. O lorazepam, benzodiazepínico, tem papel limitado no delirium, sendo reservado para casos de abstinência alcoólica ou de benzodiazepínicos, e não é a primeira escolha no delirium hiperativo do paciente crítico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A quetiapina é um antipsicótico atípico que pode ser usado no delirium, mas não é a primeira escolha no contexto de UTI, e a metadona é um opioide que não tem indicação para tratamento de delirium — pelo contrário, pode precipitá-lo ou agravá-lo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O biperideno é um anticolinérgico, e drogas anticolinérgicas são causas conhecidas de delirium (inclusive listadas como potenciais causas iatrogênicas). A quetiapina, embora seja um antipsicótico atípico, não é a combinação mais adequada para o delirium hiperativo do paciente crítico, e a presença do biperideno torna a alternativa claramente incorreta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O biperideno, anticolinérgico, é contraindicado no delirium por ser uma causa potencial da síndrome. O haloperidol é o antipsicótico de escolha, mas a combinação com biperideno é inadequada — a alternativa correta combina haloperidol com dexmedetomidina, não com um anticolinérgico.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A dexmedetomidina é um sedativo alfa-2 agonista com papel crescente no manejo do delirium em UTI, associado à redução da proporção de pacientes com delirium e aumento do tempo livre de ventilação mecânica. O haloperidol é o antipsicótico mais utilizado para controle da agitação no delirium hiperativo. A combinação desses dois fármacos é a abordagem farmacológica mais adequada para o caso descrito.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a associação automática entre "agitação" e "benzodiazepínico" (lorazepam) ou entre "sintomas psicóticos" e "anticolinérgico" (biperideno). No delirium, benzodiazepínicos têm papel limitado (exceto em abstinência alcoólica) e anticolinérgicos são causa da síndrome — o correto é antipsicótico típico + dexmedetomidina.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar o tratamento do delirium hiperativo na UTI, lembre-se do par "haloperidol + dexmedetomidina". Na dúvida entre as alternativas, elimine primeiro qualquer opção com metadona (opioide) ou biperideno (anticolinérgico) — ambos são causas potenciais de delirium, não tratamento.