Questão de Medicina — Medicina Intensiva — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Medicina Intensiva
Código
qg728231
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Medicina Intensiva
Qual das seguintes variáveis, incluída no cálculo do SAPS 3, confere o maior peso ou a maior penalidade para o risco de mortalidade do paciente no momento da admissão na UTI?
AHipotermia.
BPressão arterial sistólica menor que 90 mmHg.
CCâncer metastático.
DPaciente hospitalizado há mais de 28 dias antes da admissão em UTI.
EUso de droga vasoativa antes da admissão em UTI.
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GabaritoC — Câncer metastático.
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SAPS 3: variáveis e peso prognóstico
Gabarito: letra C. No SAPS 3, o câncer metastático é a variável que confere o maior peso (maior penalidade) para o risco de mortalidade na admissão em UTI, superando hipotermia, hipotensão, tempo de internação prévio e uso de drogas vasoativas. O SAPS 3 (Simplified Acute Physiology Score 3) é um escore prognóstico desenvolvido pela Sociedade Europeia de Medicina Intensiva, que incorpora 20 variáveis coletadas na primeira hora de admissão na UTI, e a presença de neoplasia metastática é um dos componentes com maior pontuação no modelo.
O SAPS 3 foi desenvolvido a partir de dados de 16.784 pacientes de UTI de 35 países em cinco continentes, coletados em 2002. Diferentemente do APACHE IV, o SAPS 3 leva em conta o tipo de admissão (clínica, cirúrgica programada ou cirúrgica de urgência) e se o paciente estava ou não em uso de drogas vasoativas. As variáveis do SAPS 3 incluem idade, comorbidades (como câncer, doença hepática, insuficiência cardíaca, doença cerebrovascular, insuficiência renal), diagnóstico de admissão, local de origem do paciente, tempo de internação prévio, cirurgia de urgência, trombólise em casos de infarto agudo do miocárdio, ventilação mecânica e alterações fisiológicas nas primeiras 24 horas de internação.
O modelo gera um escore que prediz a mortalidade hospitalar. As variáveis fisiológicas correspondem a dois terços da predição de mortalidade hospitalar. Além disso, o índice prediz também o tempo de internação na UTI. A pontuação de cada variável é determinada por coeficientes de regressão logística, e o câncer metastático, por representar uma condição crônica grave com impacto significativo na sobrevida, recebe uma das maiores pontuações entre as comorbidades avaliadas.
A lógica por trás do peso do câncer metastático é que a presença de metástases indica doença avançada, com comprometimento de múltiplos órgãos e menor reserva fisiológica, o que aumenta substancialmente o risco de morte mesmo com suporte intensivo. Em contraste, hipotermia, hipotensão e uso de drogas vasoativas são alterações fisiológicas agudas que, embora graves, podem ser reversíveis com intervenção precoce. O tempo de internação prévio maior que 28 dias reflete um paciente já hospitalizado, mas não necessariamente com doença tão avançada quanto o câncer metastático.
A pegadinha desta questão está em associar o maior peso a variáveis fisiológicas agudas (hipotensão, hipotermia) ou a intervenções (drogas vasoativas), que são mais "visíveis" na admissão. No entanto, o SAPS 3 atribui peso maior a condições crônicas como o câncer metastático, que representam um estado de saúde basal comprometido e influenciam fortemente o prognóstico. É importante distinguir o SAPS 3 de outros escores: no MPM0-III, por exemplo, a neoplasia metastática também é um componente, mas o peso relativo pode diferir.
Guarde esta hierarquia: no SAPS 3, a presença de câncer metastático é o fator com maior penalidade individual, seguido por outras comorbidades e alterações fisiológicas graves. É exatamente essa hierarquia que a questão explora.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A hipotermia é uma variável fisiológica que pode estar presente no SAPS 3, mas não confere o maior peso. A hipotermia (temperatura central < 36°C) é um critério menor em outros escores, como o IDSA/ATS para indicação de UTI, e no SAPS 3 sua pontuação é menor que a do câncer metastático. A banca tenta confundir ao apresentar uma alteração fisiológica aguda que parece grave, mas que não tem o mesmo impacto prognóstico de uma doença crônica avançada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A pressão arterial sistólica menor que 90 mmHg é uma variável fisiológica importante, presente em vários escores (CURB-65, SMART-COP, MPM0-III), mas no SAPS 3 seu peso é inferior ao do câncer metastático. A hipotensão reflete instabilidade hemodinâmica aguda, potencialmente reversível com suporte vasopressor, enquanto o câncer metastático indica doença de base incurável e com pior prognóstico a longo prazo.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O câncer metastático é a variável com maior peso no SAPS 3. A presença de neoplasia metastática representa doença oncológica avançada, com comprometimento de múltiplos órgãos e menor reserva fisiológica, o que aumenta substancialmente o risco de mortalidade. No modelo SAPS 3, essa comorbidade recebe uma das maiores pontuações entre todas as variáveis, refletindo seu impacto prognóstico significativo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O paciente hospitalizado há mais de 28 dias antes da admissão em UTI é uma variável que reflete o tempo de internação prévio, mas não confere o maior peso no SAPS 3. Essa variável indica um paciente já debilitado pela hospitalização prolongada, mas seu impacto prognóstico é menor que o do câncer metastático. A banca tenta confundir ao apresentar uma condição que sugere gravidade, mas que não tem a mesma penalidade individual.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O uso de droga vasoativa antes da admissão em UTI é uma variável que indica instabilidade hemodinâmica prévia, mas não confere o maior peso no SAPS 3. Embora o SAPS 3 considere o uso de drogas vasoativas como uma das variáveis, seu peso é menor que o do câncer metastático. A banca tenta confundir ao apresentar uma intervenção que sugere gravidade aguda, mas que não tem o mesmo impacto prognóstico de uma doença crônica avançada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a tendência de associar o maior peso a variáveis fisiológicas agudas (hipotensão, hipotermia) ou a intervenções (drogas vasoativas), que são mais "visíveis" na admissão. No entanto, no SAPS 3, o câncer metastático, por ser uma condição crônica grave com impacto significativo na sobrevida, recebe uma das maiores pontuações. Lembre-se: no SAPS 3, a doença de base avançada pesa mais que a disfunção aguda reversível.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre escores prognósticos, memorize as variáveis com maior peso em cada um: no SAPS 3, câncer metastático; no MPM0-III, neoplasia metastática também é relevante; no APACHE IV, as variáveis fisiológicas dominam. Compare os escores em uma tabela para fixar as diferenças.