Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — INSTITUTO AOCP 2026
- Código
- qg728237
- Banca
- INSTITUTO AOCP
- Órgão
- SES-SC
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Área Medicina Intensiva
- ADantroleno.
- BSugamadex.
- CAtropina.
- DDroperidol.
- EBiperideno.
GabaritoB — Sugamadex.
Gabarito: letra B. O sugamadex é o fármaco de escolha para reverter o bloqueio neuromuscular profundo causado por rocurônio (e também vecurônio), pois atua como um agente quelante que encapsula a molécula do bloqueador, impedindo sua ação no receptor nicotínico da placa motora. Essa é a alternativa correta, pois o rocurônio é um bloqueador neuromuscular não despolarizante e o sugamadex é o único fármaco capaz de reverter especificamente essa classe de bloqueio por encapsulamento.
O rocurônio é um bloqueador neuromuscular não despolarizante, ou seja, compete com a acetilcolina pelo receptor nicotínico na junção neuromuscular, impedindo a despolarização da placa motora e, consequentemente, a contração muscular. A reversão desse bloqueio pode ser feita de duas formas principais: pela administração de inibidores da acetilcolinesterase (como neostigmina), que aumentam a concentração de acetilcolina na fenda sináptica e competem com o bloqueador, ou pelo uso do sugamadex, uma ciclodextrina modificada que encapsula seletivamente a molécula de rocurônio (e vecurônio), formando um complexo estável que é excretado pelos rins. O sugamadex é particularmente útil em bloqueios profundos, onde os inibidores da acetilcolinesterase são ineficazes, e tem a vantagem de não causar os efeitos colaterais colinérgicos (bradicardia, broncoconstrição, secreções) associados à neostigmina.
Na prática clínica, o sugamadex é administrado por via intravenosa em dose baseada no peso corporal e no grau de bloqueio neuromuscular, monitorado por aceleromiografia (TOF). Por exemplo, para um bloqueio moderado (2 respostas ao TOF), a dose é de 2 mg/kg; para bloqueio profundo (1 resposta ao TOF), 4 mg/kg; e para reversão imediata após dose de intubação, 16 mg/kg. O efeito é rápido, com recuperação da função muscular em poucos minutos, o que é crucial em situações de emergência como a descrita no enunciado, onde o paciente permanece sem respiração espontânea após a cirurgia.
A distinção fundamental que a questão explora é entre o sugamadex, que reverte bloqueadores não despolarizantes por encapsulamento, e outros fármacos que atuam em diferentes alvos ou mecanismos. O dantroleno, por exemplo, é usado no tratamento da hipertermia maligna, uma complicação dos anestésicos inalatórios e do suxametônio, e não tem relação com a reversão do bloqueio neuromuscular. A atropina é um anticolinérgico que bloqueia os receptores muscarínicos, usado para tratar bradicardia e como adjuvante na reversão com neostigmina, mas não reverte o bloqueio por si só. O droperidol é um antipsicótico (neuroléptico) usado como antiemético e sedativo, sem ação na junção neuromuscular. O biperideno é um anticolinérgico central usado no tratamento da doença de Parkinson e de reações extrapiramidais, sem relação com o bloqueio neuromuscular.
A pegadinha da banca está em associar o rocurônio a um bloqueador neuromuscular e oferecer alternativas que são fármacos de outras classes, testando se o candidato conhece o mecanismo de ação específico do sugamadex. O candidato que confunde o rocurônio com um bloqueador despolarizante (como o suxametônio) poderia pensar em neostigmina, mas essa não é uma opção, e o sugamadex é a única alternativa que atua diretamente na reversão do rocurônio. Guarde a fronteira entre os fármacos que atuam na junção neuromuscular (sugamadex, neostigmina) e aqueles que atuam em outros sistemas (dantroleno, atropina, droperidol, biperideno): é exatamente nela que as alternativas se dividem.
O dantroleno é um relaxante muscular de ação direta, usado no tratamento da hipertermia maligna, uma síndrome hipermetabólica desencadeada por anestésicos inalatórios e suxametônio. Ele atua inibindo a liberação de cálcio do retículo sarcoplasmático nas células musculares, mas não tem nenhuma ação sobre o bloqueio neuromuscular por rocurônio. A confusão pode ocorrer porque ambos estão relacionados à anestesia, mas o dantroleno não é um antagonista de bloqueadores neuromusculares.
O sugamadex é uma ciclodextrina modificada que encapsula seletivamente o rocurônio (e o vecurônio), formando um complexo que é excretado pelos rins. Isso remove o bloqueador da junção neuromuscular, permitindo a recuperação da transmissão neuromuscular e da respiração espontânea. É o fármaco de escolha para reversão do bloqueio neuromuscular por rocurônio, especialmente em bloqueios profundos, e é a única alternativa que atua diretamente no mecanismo de ação do rocurônio.
A atropina é um anticolinérgico que bloqueia os receptores muscarínicos, usado para tratar bradicardia e para prevenir os efeitos colaterais colinérgicos da neostigmina (que é um inibidor da acetilcolinesterase). Ela não reverte o bloqueio neuromuscular por rocurônio, pois não atua nos receptores nicotínicos da placa motora. A confusão pode ocorrer porque a atropina é frequentemente administrada junto com a neostigmina na reversão de bloqueadores não despolarizantes, mas sozinha não tem efeito.
O droperidol é um antipsicótico (butirofenona) usado como antiemético e sedativo em anestesia. Ele atua bloqueando receptores de dopamina no sistema nervoso central, sem qualquer ação na junção neuromuscular. Não tem relação com a reversão do bloqueio neuromuscular por rocurônio.
O biperideno é um anticolinérgico central usado no tratamento da doença de Parkinson e de reações extrapiramidais induzidas por antipsicóticos. Ele atua bloqueando receptores muscarínicos no sistema nervoso central, sem ação na junção neuromuscular. Não reverte o bloqueio neuromuscular por rocurônio.
Gabarito: letra B
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