Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — INSTITUTO AOCP 2026
- Código
- qg728240
- Banca
- INSTITUTO AOCP
- Órgão
- SES-SC
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Área Medicina Intensiva
- AAtropina.
- BGlucagon.
- CFlumazenil
- DNaloxona.
- ESugamadex.
GabaritoD — Naloxona.
Gabarito: letra D. A naloxona é o antídoto específico para a intoxicação aguda por opioides, pois atua como antagonista competitivo dos receptores opioides μ, revertendo rapidamente a depressão respiratória — a principal causa de morte nesses casos. As demais alternativas correspondem a antídotos de outras intoxicações (atropina para organofosforados, glucagon para betabloqueadores, flumazenil para benzodiazepínicos e sugamadex para rocurônio/vecurônio).
A intoxicação por opioides é uma emergência médica frequente, caracterizada pela tríade clássica: depressão do nível de consciência, miose puntiforme e depressão respiratória. O opioide liga-se aos receptores μ (mi), κ (kappa) e δ (delta) no sistema nervoso central e periférico, promovendo analgesia, mas também causando os efeitos adversos que levam ao óbito — principalmente a depressão do centro respiratório no tronco encefálico. O manejo imediato prioriza a via aérea e a ventilação, com administração de oxigênio e suporte ventilatório com bolsa-válvula-máscara, antes mesmo da administração do antídoto.
A naloxona é um antagonista competitivo puro dos receptores opioides, sem atividade agonista intrínseca. Ao ocupar o receptor, ela desloca o opioide e reverte seus efeitos, incluindo a depressão respiratória. Sua administração pode ser feita por diversas vias: intravenosa (preferencial), intramuscular, subcutânea, intranasal e até inalatória. A dose inicial em adultos é de 0,2 a 1 mg, IV ou IM, podendo ser repetida a cada 2-3 minutos até a reversão da depressão respiratória. Em pacientes dependentes crônicos, doses menores (0,04-0,1 mg) são recomendadas para evitar a precipitação de síndrome de abstinência aguda.
A duração do efeito da naloxona é de 1 a 1,5 hora, mais curta que a maioria dos opioides. Por isso, em intoxicações por opioides de longa duração (metadona, oxicodona, fentanil adesivo), pode ser necessária a infusão contínua (2/3 da dose total que reverteu a respiração, por hora) e observação prolongada. A principal indicação é a depressão respiratória grave (FR < 12 irpm). Se não houver melhora clínica após doses cumulativas de 5-10 mg, deve-se considerar outro diagnóstico.
A banca explora a associação automática entre "antídoto" e "reversão de depressão respiratória", mas cada fármaco tem alvo específico. A tabela abaixo resume os antídotos das principais intoxicações que causam rebaixamento do nível de consciência:
Intoxicação | Antídoto | Mecanismo |
|---|---|---|
Opioides | Naloxona | Antagonista competitivo dos receptores μ |
Benzodiazepínicos | Flumazenil | Antagonista competitivo do receptor GABA-A |
Betabloqueadores | Glucagon | Ativação da adenilato ciclase, contornando o bloqueio β |
Organofosforados/carbamatos | Atropina | Antagonista muscarínico |
Bloqueadores neuromusculares (rocurônio/vecurônio) | Sugamadex | Encapsulamento do fármaco (ciclodextrina) |
Guarde a fronteira entre antagonista competitivo (naloxona, flumazenil) e antídoto que age por outro mecanismo (glucagon, atropina, sugamadex): é exatamente nela que as alternativas se dividem.
A atropina é um antagonista muscarínico, indicada como antídoto para intoxicação por organofosforados e carbamatos (inseticidas), revertendo a crise colinérgica (bradicardia, broncorreia, miose, fasciculações). Na intoxicação por opioides, a atropina não tem papel, pois o mecanismo é a depressão do SNC e respiratória por receptores opioides, não por excesso de acetilcolina. A banca troca o antídoto de uma intoxicação que também causa miose e bradicardia, mas por mecanismo completamente diferente.
O glucagon é o antídoto para intoxicação por betabloqueadores (propranolol) e, em alguns casos, bloqueadores de canais de cálcio. Ele ativa a adenilato ciclase diretamente, contornando o bloqueio dos receptores β-adrenérgicos, melhorando inotropismo e cronotropismo. Na intoxicação por opioides, não há indicação, pois o problema não é cardíaco, mas sim a depressão respiratória central. A confusão surge porque ambos podem causar bradicardia, mas o tratamento é distinto.
O flumazenil é o antídoto para intoxicação por benzodiazepínicos, atuando como antagonista competitivo do receptor GABA-A. Na intoxicação por opioides, o flumazenil é ineficaz e pode até ser prejudicial, pois não reverte a depressão respiratória opioide e pode precipitar convulsões em pacientes com uso crônico de benzodiazepínicos ou intoxicação mista. A banca troca os dois antagonistas competitivos que revertem depressão do SNC, mas com alvos diferentes (receptor opioide vs. GABA-A).
A naloxona é o antídoto específico para intoxicação aguda por opioides. Como antagonista competitivo dos receptores μ, ela desloca o opioide e reverte a depressão respiratória em minutos. A dose inicial é de 0,2 a 1 mg IV ou IM, repetível a cada 2-3 minutos até a ventilação adequada. Em pacientes dependentes, usar doses menores (0,04-0,1 mg) para evitar abstinência aguda. A via de administração pode ser IV, IM, SC, intranasal ou inalatória, dependendo do acesso e da gravidade.
O sugamadex é uma ciclodextrina modificada que encapsula os bloqueadores neuromusculares rocurônio e vecurônio, revertendo o bloqueio neuromuscular. É usado em anestesia para reverter a paralisia muscular, não para intoxicação por opioides. A banca inclui esse fármaco por ser um "antídoto" moderno e específico, mas para uma classe completamente diferente de medicamentos. A confusão pode ocorrer porque ambos são usados em contexto de emergência, mas o alvo é distinto.
Para decorar os antídotos, associe cada um ao mecanismo da intoxicação: opioide → receptor μ → naloxona; benzodiazepínico → GABA-A → flumazenil; betabloqueador → receptor β → glucagon; organofosforado → acetilcolinesterase → atropina; rocurônio → receptor nicotínico → sugamadex. Na prova, leia o mecanismo da intoxicação e o antídoto correspondente — a banca troca os pares para confundir.
Gabarito: letra D — naloxona.
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