Questão de Medicina — Medicina Intensiva — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Medicina Intensiva
Código
qg728244
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Medicina Intensiva
Para um paciente em UTI com insuficiência renal aguda (IRA) e hipercatabolismo, necessitando de terapia renal substitutiva (TRS) intermitente, qual é a meta de oferta proteica (g/kg/dia) recomendada
A0,6 g/kg/dia.
B0,8 g/kg/dia.
C1,0 g/kg/dia.
D1,5 g/kg/dia.
E2,5 g/kg/dia.
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GabaritoD — 1,5 g/kg/dia.
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Resolução
Gabarito: letra D — a conta chega a 1,5 g/kg/dia — alternativa D.
A ideia por trás
A insuficiência renal aguda é a perda súbita da função dos rins, que deixam de filtrar bem o sangue e acumulam escórias como a ureia. No paciente crítico, isso costuma vir junto com hipercatabolismo, um estado em que o corpo quebra proteína muscular em ritmo acelerado, deixando o balanço de nitrogênio muito negativo — ou seja, o paciente perde massa magra rapidamente. A oferta proteica na dieta é a quantidade de proteína fornecida por quilo de peso por dia, medida em gramas, e precisa ser ajustada para compensar essa perda sem sobrecarregar os rins.
A relação aqui é entre a função renal e a dose de proteína: sem diálise, os rins não conseguem eliminar a ureia produzida a partir da proteína, então a oferta precisa ser baixa (0,6 a 0,8 g/kg/dia) para evitar azotemia. Com terapia renal substitutiva (TRS), a máquina remove a ureia, o que permite — e exige — uma oferta maior (1,2 a 2,5 g/kg/dia), porque a diálise também remove aminoácidos e o hipercatabolismo aumenta a necessidade. Quanto maior o catabolismo, maior a dose necessária, mas sempre dentro do limite que a TRS consegue manejar.
Esta questão testa exatamente essa distinção: o paciente está em TRS e é hipercatabólico, então a meta deve estar na faixa alta, não na faixa de restrição. A alternativa correta é a que representa a recomendação central para esse cenário.
O que a questão dá
paciente em UTI com insuficiência renal aguda (IRA)
hipercatabolismo
terapia renal substitutiva (TRS) intermitente
O que queremos: a meta de oferta proteica em g/kg/dia para esse paciente
Passo 1 — Identificar a faixa proteica para IRA com TRS
O primeiro passo é reconhecer que a presença da TRS muda completamente a recomendação. Sem diálise, a oferta é restrita para não acumular ureia; com diálise, a máquina remove a ureia, então a oferta pode ser maior. Como o enunciado diz que o paciente está em TRS, já sabemos que estamos na faixa de 1,2 a 2,5 g/kg/dia.
Por que esta fórmula: Não há fórmula, é um conhecimento de diretriz: as recomendações de suporte nutricional dividem os pacientes em duas categorias — IRA sem TRS (0,6–0,8) e IRA com TRS (1,2–2,5). Essa divisão é o coração da questão.
NÃO CAIA NESSA!
Associar IRA automaticamente a restrição proteica (0,6–0,8) e esquecer que a TRS permite oferta maior.
Passo 2 — Considerar o hipercatabolismo para escolher a dose
Dentro da faixa permitida pela TRS, o hipercatabolismo é o fator que empurra a dose para cima. Um paciente catabólico degrada proteína muscular rapidamente, então precisa de mais proteína para compensar. A meta central para a maioria dos pacientes catabólicos em TRS é 1,5 g/kg/dia, que fica no meio da faixa e é a recomendação clássica.
Por que esta fórmula: A escolha de 1,5 g/kg/dia vem das diretrizes: é a dose padrão para o paciente crítico com IRA em TRS, equilibrando a necessidade de repor proteína com a capacidade da diálise de remover escórias. Valores mais altos (2,5) são reservados para casos extremos como queimaduras extensas.
NÃO CAIA NESSA!
Escolher 2,5 g/kg/dia por ser o maior valor, sem considerar que é uma dose extrema para situações específicas, não a meta padrão.