Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg728249
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Medicina Intensiva
Um paciente de 70 anos com histórico de infarto agudo do miocárdio prévio é internado com taquicardia de complexo largo e monomórfica, estável hemodinamicamente (FC 180 bpm, PA 110x70 mmHg). O ECG de 12 derivações mostra QRS > 120 ms e a morfologia de bloqueio de ramo direito (BRD). Qual dos seguintes achados no ECG (critérios de Brugada) é o mais sugestivo do diagnóstico de taquicardia ventricular (TV), em detrimento de uma taquicardia supraventricular (TSV) com condução aberrante?
ADissociação atrioventricular.
BDuração do intervalo RS < 100 ms em qualquer derivação precordial.
CDuração do intervalo RS < 90 ms em qualquer derivação precordial.
DPresença de ondas R e S em D1 e AVF.
EEixo elétrico do QRS desviado para a esquerda (-30 graus).
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — Dissociação atrioventricular.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Taquicardia de QRS largo: critérios de Brugada
Gabarito: letra A. Em um paciente com taquicardia de QRS largo e morfologia de bloqueio de ramo direito (BRD), a dissociação atrioventricular (AV) é o achado mais específico e sugestivo de taquicardia ventricular (TV), pois indica que os átrios e os ventrículos estão sendo ativados por marcapassos independentes — algo que não ocorre na taquicardia supraventricular (TSV) com aberrância, onde a ativação ventricular é sempre consequência da atrial. Este é o primeiro e mais importante critério do algoritmo de Brugada, que também inclui a ausência de complexo RS em todas as derivações precordiais e a duração do intervalo RS > 100 ms.
A taquicardia de QRS largo (duração > 120 ms) é um desafio diagnóstico clássico na emergência. Ela pode ser de origem ventricular (TV) ou supraventricular com condução aberrante (TSV com bloqueio de ramo pré-existente ou dependente de frequência, ou pré-excitação). A distinção é crucial porque o tratamento difere: drogas como verapamil ou diltiazem, usadas para TSV, podem precipitar colapso hemodinâmico em pacientes com TV. Em pacientes com cardiopatia isquêmica prévia, como o do enunciado (IAM prévio), a probabilidade de uma taquicardia de QRS largo ser TV ultrapassa 90% — um dado epidemiológico que já favorece fortemente o diagnóstico de TV.
O algoritmo de Brugada foi desenvolvido justamente para essa diferenciação e é aplicado em sequência, com quatro passos. Se qualquer um deles for positivo, o diagnóstico é TV; se todos forem negativos, trata-se de TSV com aberrância. Os critérios são:
Dissociação AV (ausência de relação entre ondas P e complexos QRS) — o mais específico e o primeiro a ser avaliado.
Ausência de complexo RS em todas as derivações precordiais (V1 a V6).
Duração do intervalo RS > 100 ms em alguma derivação precordial (medido do início do QRS ao nadir da onda S).
Morfologia típica de TV — para BRD: complexo QRS monofásico ou bifásico em V1 (R, QR, RS) e razão R/S < 1, ou QS/QR em V6; para BRE: R > 30 ms ou nadir de S > 60 ms em V1/V2, e razão R/S < 1 ou QS/QR em V6.
A dissociação AV é o critério mais forte porque é um fenômeno fisiológico que só ocorre quando há dois marcapassos independentes: um comandando os átrios (nó sinusal ou foco atrial) e outro comandando os ventrículos (foco ventricular). Na TSV, o estímulo sempre se origina acima do feixe de His e desce pelos ramos, então há uma relação fixa entre onda P e QRS (1:1, ou bloqueio AV com relação fixa). A presença de dissociação AV, batimentos de captura ou batimentos de fusão é diagnóstica de TV.
A pegadinha desta questão está nos critérios 2 e 3 do algoritmo de Brugada: a banca inverte o limiar de duração do intervalo RS. O critério correto é RS > 100 ms (não < 100 ms, nem < 90 ms). Um intervalo RS curto (< 100 ms) sugere TSV, não TV. Além disso, as alternativas D e E citam achados que não fazem parte do algoritmo de Brugada — são distratores que misturam outros critérios de TV, como o desvio do eixo ou a concordância QRS.
Guarde a sequência exata do algoritmo de Brugada e o valor limiar de 100 ms: é exatamente nesses detalhes que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A dissociação atrioventricular é o primeiro e mais específico critério de Brugada para TV. Ela ocorre quando os átrios e ventrículos são ativados por marcapassos independentes, sem relação entre as ondas P e os complexos QRS. Na TSV com aberrância, a ativação ventricular é sempre consequência da atrial, então a dissociação AV não ocorre. Sua presença é diagnóstica de TV e exclui TSV.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Inverte o limiar do terceiro critério de Brugada. O critério correto é duração do intervalo RS > 100 ms em qualquer derivação precordial — não < 100 ms. Um intervalo RS curto (< 100 ms) sugere TSV, pois a condução aberrante tende a produzir um RS mais rápido. A banca troca o sinal da desigualdade, uma armadilha clássica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Também inverte o limiar, e ainda usa um valor que não existe no algoritmo (90 ms). O critério de Brugada é RS > 100 ms. O valor de 90 ms não corresponde a nenhum parâmetro do algoritmo — é um distrator numérico puro.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A presença de ondas R e S em D1 e AVF não é um critério de Brugada. Isso se refere à análise do eixo elétrico ou à morfologia do QRS nas derivações periféricas, que não faz parte do algoritmo. O algoritmo de Brugada analisa as derivações precordiais (V1 a V6) e a dissociação AV, não D1 e AVF.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O desvio do eixo para a esquerda (-30°) não é um critério de Brugada. Embora o desvio extremo do eixo possa ser um sinal sugestivo de TV em alguns contextos, ele não integra o algoritmo de Brugada, que se baseia em dissociação AV, ausência de RS, duração do RS e morfologia nas precordiais. É um distrator que mistura outros achados de TV.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter o sinal da desigualdade nos critérios de Brugada. O limiar correto é RS > 100 ms — não < 100 ms, nem < 90 ms. Decore o valor exato e o sentido: intervalo RS longo (> 100 ms) sugere TV; intervalo curto sugere TSV. Com treino, você enxerga essas inversões de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar o algoritmo de Brugada, use a sequência: Dissociação AV → Ausência de RS → Duração do RS > 100 ms → Morfologia. A primeira letra de cada critério forma "DADM". E lembre: o primeiro critério (dissociação AV) é o mais forte — se presente, não precisa avaliar os demais.