Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Farmacologia e Anestesiologia
Código
qg728250
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Medicina Intensiva
A milrinona é um agente inotrópico positivo e vasodilatador, possuindo pouca atividade cronotrópica. Nesse sentido, assinale a alternativa que apresenta o efeito e o mecanismo de ação desse medicamento.
AÉ um agente cronotrópico e vasodilatador; via ativação de receptores beta-1 e beta-2.
BÉ um agente inotrópico, cronotrópico e vasodilatador; via ativação de receptores beta-1 e beta-2.
CÉ um agente inotrópico, vasodilatador pulmonar e vasoconstrictor esplâncnico; via ativação de receptores beta-1 e beta-2.
DÉ um agente cronotrópico e vasodilatador; via inibição seletiva da isoenzima fosfodiesterase III do AMP cíclico.
EÉ um agente inotrópico, vasodilatador e que possui pouca atividade cronotrópica; via inibição seletiva da isoenzima fosfodiesterase III do AMP cíclico.
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GabaritoE — É um agente inotrópico, vasodilatador e que possui pouca atividade cronotrópica; via inibição seletiva da isoenzima fosfodiesterase III do AMP cíclico.
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Milrinona: inodilatador e inibidor da fosfodiesterase III
Gabarito: letra E. A milrinona é um agente inotrópico positivo e vasodilatador (propriedade inodilatadora), com pouca atividade cronotrópica, cujo mecanismo de ação é a inibição seletiva da isoenzima fosfodiesterase III (PDE III) do AMP cíclico — exatamente o que a alternativa E descreve. As demais alternativas erram ao atribuir à milrinona mecanismo de ativação de receptores beta-1 e beta-2 (próprio da dobutamina) ou ao incluir efeito cronotrópico relevante.
A milrinona pertence à classe dos inodilatadores: fármacos que combinam efeito inotrópico positivo (aumento da contratilidade miocárdica) com vasodilatação arterial e venosa. Seu mecanismo de ação é a inibição seletiva da fosfodiesterase III, enzima responsável pela degradação do AMP cíclico (AMPc) no miócito e na musculatura lisa vascular. Ao inibir essa enzima, a milrinona aumenta os níveis intracelulares de AMPc, o que leva a:
No miocárdio: aumento do influxo de cálcio e da contratilidade (efeito inotrópico positivo).
Na vasculatura: relaxamento da musculatura lisa vascular (vasodilatação), reduzindo a resistência vascular sistêmica e pulmonar.
Diferentemente das catecolaminas (como dobutamina e noradrenalina), que agem via receptores beta-adrenérgicos, a milrinona não depende da ativação de receptores beta — o que explica sua eficácia mesmo em pacientes em uso de betabloqueadores. Essa é uma distinção clínica fundamental: enquanto a dobutamina é agonista de receptores β1 e β2, a milrinona atua em etapa pós-receptor, na via de degradação do AMPc.
Na prática clínica, a milrinona é utilizada no manejo da insuficiência cardíaca aguda descompensada e no choque cardiogênico, especialmente em situações de:
Disfunção de ventrículo direito (VD);
Hipertensão pulmonar (por seu potencial de reduzir a resistência vascular pulmonar);
Intolerância à taquicardia induzida pela dobutamina;
Pacientes em uso prévio de betabloqueadores.
Seus principais efeitos adversos incluem hipotensão arterial e arritmias (potencial arritmogênico), particularmente em pacientes com miocardiopatia isquêmica. Por isso, seu uso deve ser criterioso e monitorizado.
A pegadinha central desta questão é a troca do mecanismo de ação: a banca associa a milrinona à ativação de receptores beta-1 e beta-2 (alternativas A, B e C), que é o mecanismo da dobutamina, não da milrinona. Além disso, as alternativas A e B incluem efeito cronotrópico relevante, contrariando a característica de "pouca atividade cronotrópica" da milrinona. A alternativa D acerta o mecanismo (inibição da PDE III), mas erra ao descrever a milrinona como "agente cronotrópico e vasodilatador", omitindo o efeito inotrópico e incluindo efeito cronotrópico que ela não possui de forma relevante.
Guarde a fronteira: dobutamina = agonista beta-1/beta-2 (inotrópico e cronotrópico); milrinona = inibidor da PDE III (inodilatador, sem efeito cronotrópico relevante). É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
Fármaco
Mecanismo de Ação
Efeito Inotrópico
Efeito Cronotrópico
Efeito Vasodilatador
Milrinona
Inibição seletiva da fosfodiesterase III (PDE III) do AMPc
Positivo (aumenta contratilidade)
Pouco relevante (pouca atividade cronotrópica)
Sim (arterial e venosa, sistêmica e pulmonar)
Dobutamina
Ativação de receptores beta-1 e beta-2
Positivo
Relevante (cronotrópico positivo)
Sim (vasodilatação periférica)
Milrinona: Efeitos (Inotrópico positivo, Vasodilatador, Pouca atividade cronotrópica); Mecanismo (Inibição da fosfodiesterase III, Aumenta AMP cíclico); Comparação com dobutamina (Dobutamina: agonista beta-1/beta-2, Milrinona: pós-receptor (PDE III))
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erra duplamente: (1) descreve a milrinona como "agente cronotrópico e vasodilatador", omitindo o efeito inotrópico positivo (sua principal ação) e incluindo efeito cronotrópico que ela não possui de forma relevante; (2) atribui mecanismo de ativação de receptores beta-1 e beta-2, que é o mecanismo da dobutamina, não da milrinona. A milrinona age por inibição da fosfodiesterase III, não por agonismo beta-adrenérgico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Embora acerte ao incluir o efeito inotrópico e vasodilatador, erra ao acrescentar o efeito cronotrópico — a milrinona tem pouca atividade cronotrópica, conforme o próprio enunciado. Além disso, repete o erro do mecanismo: ativação de receptores beta-1 e beta-2 é característica da dobutamina, não da milrinona, que age por inibição da PDE III.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erra ao atribuir à milrinona o mecanismo de ativação de receptores beta-1 e beta-2 (próprio da dobutamina). Além disso, descreve efeitos que não correspondem à milrinona: ela é vasodilatadora sistêmica e pulmonar, não "vasoconstritora esplâncnica" — na verdade, promove vasodilatação generalizada, reduzindo a resistência vascular sistêmica e pulmonar. O efeito inotrópico está correto, mas o mecanismo e a descrição vascular estão errados.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Acerta o mecanismo de ação (inibição seletiva da fosfodiesterase III do AMP cíclico), mas erra ao descrever a milrinona como "agente cronotrópico e vasodilatador", omitindo o efeito inotrópico positivo — sua principal ação farmacológica. Além disso, inclui efeito cronotrópico que a milrinona não possui de forma relevante (pouca atividade cronotrópica). A descrição correta é: inotrópico positivo, vasodilatador e com pouca atividade cronotrópica.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve com precisão a milrinona: agente inotrópico positivo e vasodilatador (propriedade inodilatadora), com pouca atividade cronotrópica, e mecanismo de ação por inibição seletiva da isoenzima fosfodiesterase III do AMP cíclico. Essa é exatamente a farmacologia da milrinona: aumenta o AMPc intracelular ao inibir sua degradação, resultando em aumento da contratilidade miocárdica e vasodilatação, sem efeito cronotrópico relevante.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o mecanismo de ação da milrinona pelo da dobutamina (ativação de receptores beta-1 e beta-2) e insere efeito cronotrópico que a milrinona não possui. Decore: milrinona = inibidor da PDE III (inodilatador); dobutamina = agonista beta-1/beta-2 (inotrópico e cronotrópico). Com esse par fixado, você elimina as alternativas A, B e C na hora.