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Questão de Medicina — Medicina Intensiva — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaMedicina Intensiva
Código
qg728253
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Medicina Intensiva
Com base nas recomendações atuais, assinale a alternativa que apresenta a indicação para uso de terapia com corticoide injetável (hidrocortisona) no manejo da sepse.
  1. APacientes com escore SOFA maior ou igual a 2
  2. BPacientes com escore SOFA maior ou igual a 3.
  3. CApós confirmação laboratorial de insuficiência adrenal.
  4. DApós confirmação laboratorial de insuficiência adrenal e tireoidiana.
  5. EEm pacientes com choque séptico que não respondem adequadamente aos vasopressores e à ressuscitação volêmica adequada (choque séptico refratário).
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GabaritoE — Em pacientes com choque séptico que não respondem adequadamente aos vasopressores e à ressuscitação volêmica adequada (choque séptico refratário).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Corticoterapia na sepse e no choque séptico

Gabarito: letra E. A indicação atual para uso de hidrocortisona injetável no manejo da sepse é o choque séptico refratário, ou seja, aquele que não responde adequadamente à ressuscitação volêmica e aos vasopressores — exatamente o que descreve a alternativa E. Essa recomendação está alinhada às principais diretrizes, como a Campanha Sobrevivendo à Sepse (SSC) e o Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS), que não recomendam o uso rotineiro de corticoide em todos os pacientes sépticos, mas sim em casos selecionados de maior gravidade.

A corticoterapia na sepse é um dos temas mais controversos da medicina intensiva. Historicamente, o uso de altas doses (pulsoterapia) foi testado na década de 1980 com o objetivo de modular a resposta inflamatória, mas resultou em aumento da mortalidade e foi abandonado. A partir daí, a pesquisa se voltou para doses baixas, com o racional de corrigir a chamada insuficiência adrenal relativa do paciente crítico — uma disfunção do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal que ocorre em estados graves e que contribui para a instabilidade hemodinâmica, já que o cortisol age na manutenção do tônus vascular e da permeabilidade capilar.

Os estudos com hidrocortisona em baixas doses (200 mg/dia) no choque séptico mostraram um efeito benéfico consistente na resolução mais rápida do choque, embora sem impacto claro na mortalidade global. Os dois grandes estudos publicados em 2018 ilustram bem essa controvérsia: o ADRENAL (NEJM) demonstrou resolução mais rápida do choque, menor tempo de ventilação mecânica e menor necessidade de transfusão, mas sem benefício em mortalidade; o APROCCHSS (NEJM), que incluiu pacientes mais graves com altas doses de vasopressor, demonstrou redução significativa de mortalidade com a combinação hidrocortisona + fludrocortisona. Metanálises mais recentes apontam para redução mínima de mortalidade, mas confirmam a resolução mais rápida do choque e menor tempo de internação em UTI.

É fundamental entender que a indicação da corticoterapia não se baseia em testes hormonais. Os testes de função adrenal (como a estimulação com ACTH/cortrosina) não distinguem de forma acurada os pacientes que se beneficiarão do corticoide — o estudo CORTICUS demonstrou que não há diferença entre respondedores e não respondedores ao teste. A indicação se estabelece pelo quadro clínico: choque séptico que persiste refratário apesar de ressuscitação volêmica adequada e uso de vasopressores. A dose recomendada é hidrocortisona 200 mg/dia (em infusão contínua ou 50 mg a cada 6 horas), por 7 dias, podendo-se associar fludrocortisona.

A pegadinha central desta questão é a tentativa de associar a indicação do corticoide a escores de gravidade (SOFA) ou a confirmação laboratorial de insuficiência adrenal — conceitos que parecem plausíveis, mas que não correspondem à recomendação atual. O SOFA ≥ 2 define sepse (disfunção orgânica), mas não é critério para corticoterapia; a confirmação laboratorial de insuficiência adrenal não é necessária nem recomendada para decidir o tratamento, pois o benefício é clínico e não depende do resultado do teste. Guarde bem essa fronteira: o que define a indicação é a refratariedade do choque, não o escore nem o laboratório — é exatamente nela que as alternativas se dividem.

1Indicação (choque séptico refratário)
Não responde a volume
Não responde a vasopressores
Hidrocortisona 200 mg/dia
2Não é critério
Escore SOFA (≥2 ou ≥3)
Teste de insuficiência adrenal
Insuficiência tireoidiana
3Racional
Insuficiência adrenal relativa
Resolução mais rápida do choque
Corticoterapia na sepse
LEVELsoulevel.com.br
Corticoterapia na sepse: Indicação (choque séptico refratário) (Não responde a volume, Não responde a vasopressores, Hidrocortisona 200 mg/dia); Não é critério (Escore SOFA (≥2 ou ≥3), Teste de insuficiência adrenal, Insuficiência tireoidiana); Racional (Insuficiência adrenal relativa, Resolução mais rápida do choque)

Alternativa A — ❌ Incorreta

O escore SOFA ≥ 2 é o critério que define sepse (disfunção orgânica ameaçadora à vida secundária a uma resposta desregulada do organismo a uma infecção), mas não é indicação para corticoterapia. A recomendação atual é justamente evitar o uso de corticoide em pacientes sépticos com o objetivo de prevenir evolução para choque — ou seja, a simples presença de sepse (SOFA ≥ 2) não justifica o tratamento. A alternativa confunde o critério diagnóstico de sepse com o critério terapêutico do corticoide.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O escore SOFA ≥ 3 também não é critério para corticoterapia. Embora represente maior gravidade, a indicação do corticoide não é definida por um ponto de corte no SOFA, mas sim pela refratariedade do choque — persistência de hipotensão apesar de ressuscitação volêmica adequada e uso de vasopressores. A alternativa repete o mesmo erro da letra A, apenas com um valor diferente de escore, sem correspondência com qualquer recomendação de diretriz.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A confirmação laboratorial de insuficiência adrenal não é critério para indicar corticoterapia no choque séptico. Os testes de função adrenal (como a estimulação com ACTH) não distinguem de forma acurada os pacientes que se beneficiarão do corticoide — o estudo CORTICUS demonstrou que não há diferença entre respondedores e não respondedores ao teste. A indicação se estabelece pelo quadro clínico (choque refratário), e não pela investigação hormonal. A alternativa inverte a lógica: o tratamento não espera o laboratório; ele é guiado pela hemodinâmica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Esta alternativa acumula dois erros: (1) exige confirmação laboratorial de insuficiência adrenal, que não é critério para a indicação (como explicado na letra C); e (2) acrescenta a exigência de insuficiência tireoidiana, que não tem qualquer relação com a indicação de hidrocortisona no choque séptico. Não há recomendação que condicione a corticoterapia à avaliação da tireoide. A alternativa é um distrator que mistura conceitos endocrinológicos sem base nas diretrizes de sepse.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a indicação correta: choque séptico refratário, definido como aquele em que não se consegue manter a pressão arterial alvo a despeito de ressuscitação volêmica adequada e uso de vasopressores. As diretrizes atuais recomendam considerar hidrocortisona 200 mg/dia nesses pacientes, individualizando a decisão. O racional é que o corticoide em baixas doses auxilia na resolução do choque, especialmente no subgrupo mais grave — exatamente o que a alternativa descreve ao mencionar "choque séptico que não responde adequadamente aos vasopressores e à ressuscitação volêmica adequada".

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre critério diagnóstico de sepse (SOFA ≥ 2) e critério terapêutico do corticoide (choque refratário). O candidato que memorizou a definição de sepse pelo SOFA tende a marcar a letra A, mas a indicação do corticoide não é definida por escore — é definida pela refratariedade hemodinâmica. Outra armadilha é a associação com insuficiência adrenal laboratorial: os testes hormonais não guiam a decisão, pois não distinguem quem se beneficia. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪

NÃO CAIA NESSA!

Para questões de corticoterapia na sepse, memorize o tripé da indicação: choque séptico + refratário a volume e vasopressores + dose baixa (hidrocortisona 200 mg/dia). E lembre: SOFA ≥ 2 define sepse; choque refratário define a indicação do corticoide. São coisas diferentes — não confunda o diagnóstico com o tratamento.

Gabarito: letra E

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