Questão de Medicina — Medicina Intensiva — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Medicina Intensiva
Código
qg728255
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Medicina Intensiva
Durante a fase inicial de ressuscitação do choque séptico, após hidratação venosa e estabilização da pressão arterial média com vasopressores, a monitorização de parâmetros dinâmicos é crucial para guiar a terapia volêmica. Nesse sentido, qual dos seguintes achados de monitorização dinâmica da responsividade a fluidos sugere que o paciente não é mais respondedor a volume e que a infusão de cristaloides deve ser interrompida?
AVariação da pressão de pulso de 13%.
BVariação do volume sistólico de 13%.
CVariação do volume sistólico de 8%.
DSaturação venosa central de oxigênio de 55%.
ESaturação venosa central de oxigênio de 50%.
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GabaritoC — Variação do volume sistólico de 8%.
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Responsividade a fluidos no choque séptico: índices dinâmicos
Gabarito: letra C. Na fase inicial de ressuscitação do choque séptico, a variação do volume sistólico (VVS) é um índice dinâmico que prediz responsividade a fluidos; valores acima de 13% indicam que o paciente ainda responde a volume, enquanto valores abaixo desse corte (como 8%) sugerem que ele não é mais respondedor e a infusão deve ser interrompida. A alternativa C é a única que apresenta um valor de VVS abaixo do limiar de 13%, indicando ausência de responsividade.
A monitorização hemodinâmica na sepse evoluiu de parâmetros estáticos (PVC, PAPO) para índices dinâmicos, que avaliam a interação coração-pulmão durante a ventilação mecânica. Os principais índices dinâmicos são a variação da pressão de pulso (VPP), a variação do volume sistólico (VVS) e a variação da pressão sistólica (VPS). O valor de corte clássico para VPP e VVS é de 13%: valores acima indicam que o paciente é respondedor a volume (a infusão de fluidos aumentará o débito cardíaco), enquanto valores abaixo indicam que ele não se beneficia de mais volume — e a infusão deve ser suspensa para evitar sobrecarga hídrica, associada a maior morbimortalidade.
Esses índices foram validados em condições específicas: pacientes sob ventilação mecânica controlada, sem esforço respiratório espontâneo, com volume corrente > 8 mL/kg, em ritmo sinusal, sem disfunção de ventrículo direito e sem hipertensão intra-abdominal. Fora dessas condições, o valor preditivo cai significativamente. A saturação venosa central de oxigênio (SvcO2) é um parâmetro de perfusão tecidual, não de responsividade a volume — valores baixos (como 50-55%) indicam hipoperfusão, mas não respondem diretamente à pergunta sobre responsividade a fluidos.
Na prática, após a ressuscitação inicial com cristaloides (30 mL/kg) e estabilização da PAM com vasopressores, a avaliação da responsividade a volume guia a decisão de continuar ou interromper a infusão. Se a VVS ou VPP estiver acima de 13%, o paciente provavelmente se beneficiará de mais volume; se estiver abaixo, a infusão deve ser interrompida e outras estratégias (inotrópicos, vasopressores) devem ser consideradas. A sobrecarga hídrica é um risco real e está associada a piores desfechos, por isso a monitorização dinâmica é crucial.
A pegadinha desta questão está em inverter o raciocínio: o candidato pode associar valores altos de variação a "não respondedor", quando na verdade é o oposto — valores altos indicam responsividade. O valor de corte de 13% é o divisor de águas: acima = responde a volume; abaixo = não responde.
1VVS/VPP ≥ 13%
2Respondedor a volume
3Continuar infusão
4VVS/VPP < 13%
5Não respondedor
6Interromper infusão
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A variação da pressão de pulso (VPP) de 13% está no limiar exato do corte e, na prática, valores ≥ 13% indicam que o paciente ainda é respondedor a volume — ou seja, a infusão de cristaloides deve continuar, não ser interrompida. O erro está em interpretar um valor alto como ausência de responsividade.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A variação do volume sistólico (VVS) de 13% também está no limiar de corte e indica responsividade a volume — o paciente ainda se beneficiaria de fluidos. A banca troca o valor alto (respondedor) por baixo (não respondedor), invertendo o significado do índice.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A variação do volume sistólico (VVS) de 8% está abaixo do corte de 13%, indicando que o paciente não é mais respondedor a volume — a infusão de cristaloides deve ser interrompida para evitar sobrecarga hídrica. Este é o achado que responde diretamente ao enunciado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A saturação venosa central de oxigênio (SvcO2) de 55% é um parâmetro de perfusão tecidual, não de responsividade a volume. Embora valores baixos indiquem hipoperfusão, a SvcO2 não é um índice dinâmico e não responde à pergunta sobre responsividade a fluidos. Além disso, 55% está próximo do alvo (>70%), não sendo um valor que indique interrupção de volume por si só.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A saturação venosa central de oxigênio (SvcO2) de 50% é um parâmetro de perfusão tecidual, não de responsividade a volume. Valores baixos indicam hipoperfusão e podem sugerir necessidade de otimização, mas não são índices dinâmicos e não respondem à pergunta sobre responsividade a fluidos. A SvcO2 não é o parâmetro correto para guiar a decisão de interromper a infusão de cristaloides.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a inversão do significado dos índices dinâmicos: valores altos (≥13%) indicam responsividade a volume (continuar infusão), enquanto valores baixos (<13%) indicam ausência de responsividade (interromper). O candidato pode associar "variação alta" a "não responde", quando é o oposto. Além disso, a SvcO2 (alternativas D e E) é um parâmetro de perfusão, não de responsividade — a banca mistura conceitos para confundir.
PEGA ESSA DICA!
Memorize o corte de 13% para VPP e VVS: acima = responde a volume; abaixo = não responde. Na prova, identifique se o parâmetro é dinâmico (VPP, VVS, VPS) ou estático/perfusão (PVC, SvcO2, lactato) — a pergunta sobre responsividade a fluidos só pode ser respondida por índices dinâmicos.
Gabarito: letra C — a VVS de 8% indica ausência de responsividade a volume, justificando a interrupção da infusão de cristaloides.