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Questão de Medicina — Medicina Intensiva — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaMedicina Intensiva
Código
qg728264
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Medicina Intensiva
Paciente na UTI com diagnóstico de tromboembolismo pulmonar (TEP) evolui com instabilidade hemodinâmica, apresentando hipotensão arterial persistente (PAS < 90 mmHg). A terapia de reperfusão indicada para essa condição é
  1. Aanticoagulação plena isolada com heparina não fracionada ou heparina de baixo peso molecular.
  2. Btrombólise sistêmica.
  3. Cimplante de filtro de veia cava inferior.
  4. Dimplante de filtro de veia cava inferior e superior.
  5. Eanticoagulação plena com heparina não fracionada ou heparina de baixo peso molecular, associada à infusão contínua de milrinona.
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GabaritoB — trombólise sistêmica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tromboembolismo pulmonar com instabilidade hemodinâmica: terapia de reperfusão

Gabarito: letra B. No TEP com instabilidade hemodinâmica (hipotensão persistente, PAS < 90 mmHg), a terapia de reperfusão de primeira linha é a trombólise sistêmica, conforme as diretrizes da European Society of Cardiology (ESC) e da American College of Chest Physicians (ACCP). A anticoagulação plena isolada é a base do tratamento do TEP estável, mas não é suficiente para reperfundir o leito vascular obstruído no paciente instável, que apresenta alto risco de morte.

O tromboembolismo pulmonar (TEP) é uma obstrução da artéria pulmonar ou de seus ramos por um êmbolo, geralmente originado de uma trombose venosa profunda (TVP) dos membros inferiores. A gravidade do quadro é determinada pela apresentação hemodinâmica: pacientes instáveis (TEP maciço) têm letalidade de até 45%, enquanto pacientes estáveis e sem comorbidades têm letalidade inferior a 1%. A instabilidade hemodinâmica é definida por parada cardiorrespiratória, choque obstrutivo (PAS < 90 mmHg ou necessidade de inotrópicos, com sinais de hipoperfusão) ou hipotensão persistente (PAS < 90 mmHg ou queda > 40 mmHg do basal por mais de 15 minutos).

A fisiopatologia da instabilidade no TEP é a falência aguda do ventrículo direito (VD) devido ao aumento súbito da pós-carga. O VD dilatado compromete o enchimento do ventrículo esquerdo, reduzindo o débito cardíaco e a pressão arterial. Nesse cenário, a anticoagulação plena — pedra angular do tratamento do TEP estável — apenas impede o crescimento do trombo, mas não remove a obstrução já existente. A reperfusão imediata é necessária para desobstruir o leito vascular pulmonar e reverter o choque obstrutivo.

A trombólise sistêmica é a terapia de reperfusão de escolha para o TEP com instabilidade hemodinâmica, desde que não haja contraindicações absolutas (sangramento ativo, hemorragia intracraniana prévia, cirurgia recente, etc.). O benefício é maior quando realizada nas primeiras 48 horas, mas a janela terapêutica se estende por até 14 dias. A heparina não fracionada é preferida nesses pacientes, pois permite rápida reversão e ajuste, e pode ser mantida durante a infusão de alteplase (rTPA), mas não com estreptoquinase ou uroquinase. Em pacientes com contraindicação à trombólise ou falha desta, a embolectomia cirúrgica ou a trombectomia mecânica são alternativas.

A distinção crucial é entre o TEP estável e o instável. No estável, a anticoagulação plena é suficiente; no instável, a reperfusão (trombólise) é mandatória. As alternativas que oferecem apenas anticoagulação (A e E) ou filtro de veia cava (C e D) não tratam a obstrução aguda e não revertem o choque. O filtro de veia cava inferior é indicado para prevenir novos êmbolos em pacientes com contraindicação à anticoagulação ou TEP recorrente apesar de anticoagulação adequada, não como terapia de reperfusão. A milrinona (alternativa E) é um inotrópico que pode ser usado no suporte hemodinâmico, mas não é terapia de reperfusão.

Guarde a fronteira: TEP instável = trombólise sistêmica (reperfusão); TEP estável = anticoagulação plena. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A anticoagulação plena isolada é o tratamento do TEP hemodinamicamente estável, mas não é suficiente no paciente instável. Ela previne o crescimento do trombo, mas não promove a reperfusão imediata necessária para reverter o choque obstrutivo. No TEP maciço, a anticoagulação deve ser iniciada, mas sempre associada à trombólise.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A trombólise sistêmica é a terapia de reperfusão de primeira linha para o TEP com instabilidade hemodinâmica (hipotensão persistente, PAS < 90 mmHg). Ela dissolve o trombo, desobstrui a artéria pulmonar e reverte a falência do ventrículo direito. As diretrizes da ESC e da ACCP recomendam a trombólise sistêmica nesse cenário, preferencialmente nas primeiras 48 horas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O filtro de veia cava inferior é indicado para prevenir novos episódios de TEP em pacientes com contraindicação à anticoagulação ou com TEP recorrente apesar de anticoagulação adequada. Ele não tem papel na reperfusão do trombo já existente e não reverte a instabilidade hemodinâmica. Além disso, não há indicação de filtro de veia cava superior (alternativa D), que é uma invenção sem base na prática clínica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O filtro de veia cava inferior e superior não é uma terapia de reperfusão e não está indicado no TEP agudo instável. O filtro de veia cava superior não é um procedimento estabelecido na prática clínica para TEP. A alternativa mistura conceitos: filtro de veia cava (prevenção) com terapia de reperfusão (trombólise).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A anticoagulação plena associada à milrinona não é terapia de reperfusão. A milrinona é um inotrópico vasodilatador que pode ser usado no suporte hemodinâmico do choque, mas não dissolve o trombo. No TEP instável, a reperfusão é obrigatória, e a anticoagulação isolada (mesmo com suporte inotrópico) não é suficiente. Além disso, a milrinona pode piorar a hipotensão por seu efeito vasodilatador.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o tratamento do TEP estável e o do instável. No estável, a anticoagulação plena é suficiente; no instável, a trombólise é mandatória. As alternativas A e E oferecem apenas anticoagulação (com ou sem inotrópico), que não reperfundem o leito vascular obstruído. O filtro de veia cava (C e D) é uma medida de prevenção, não de reperfusão. Lembre-se: instabilidade hemodinâmica = trombólise sistêmica.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de TEP, classifique primeiro o paciente: estável ou instável? Se instável (PAS < 90 mmHg, choque, PCR), a resposta é trombólise sistêmica. Se estável, a resposta é anticoagulação plena. Essa dicotomia resolve a maioria das questões sobre o tema.

Gabarito: letra B

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