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Questão de Medicina — Nefrologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaNefrologia
Código
qg728267
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Medicina Intensiva
Paciente do sexo feminino, 52 anos, com doença renal crônica em programa de diálise, apresenta potássio sérico de 7,0 mEq/L. Qual alteração eletrocardiográfica é tipicamente a primeira manifestação esperada nessa condição?
  1. AOnda U proeminente.
  2. BAchatamento da onda T.
  3. CEncurtamento do intervalo PR.
  4. DOnda T apiculada e de base estreita.
  5. EInfradesnível do segmento ST.
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GabaritoD — Onda T apiculada e de base estreita.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipercalemia: manifestações eletrocardiográficas

Gabarito: letra D. Na hipercalemia, a primeira alteração eletrocardiográfica típica é a onda T apiculada e de base estreita (também chamada de "tenda"), que surge quando o potássio sérico ultrapassa 5,5 mEq/L. Essa é a manifestação mais precoce e característica, conforme a fisiopatologia do distúrbio e os achados clássicos descritos na literatura médica.

A hipercalemia é definida como potássio sérico > 5,5 mEq/L e representa uma emergência médica potencialmente fatal. O potássio é o principal determinante do potencial de repouso da membrana celular; quando elevado, despolariza parcialmente as células, tornando-as mais excitáveis inicialmente, mas com o tempo reduz a excitabilidade e a velocidade de condução. No coração, isso se traduz em alterações progressivas no eletrocardiograma (ECG), que acompanham a gravidade do distúrbio.

A sequência clássica de alterações no ECG conforme o potássio aumenta é bem estabelecida:

  • K+ > 5,5 mEq/L: onda T alta e apiculada (de base estreita) — a alteração mais precoce.

  • K+ > 6,5 mEq/L: alargamento do QRS, com fusão das ondas S e T.

  • K+ > 7,0 mEq/L: redução da amplitude e aumento da duração da onda P.

  • K+ > 8,0 mEq/L: desaparecimento da onda P, com ritmo de escape juncional ou ventricular.

  • K+ > 10 mEq/L: ritmo irregular, simulando fibrilação atrial.

  • K+ entre 12-14 mEq/L: taquicardia ventricular ou assistolia.

Essa progressão reflete o efeito do potássio na condução elétrica: primeiro afeta a repolarização ventricular (onda T), depois a despolarização atrial (onda P) e, por fim, a condução ventricular (QRS).

É importante destacar que a correlação entre o nível de potássio e as alterações no ECG não é perfeita — um estudo citado na literatura mostrou que 43% dos episódios com K+ < 6,8 mEq/L apresentavam ECG anormal, enquanto 55% com K+ > 6,8 mEq/L tinham ECG anormal. A onda T apiculada foi o achado mais frequente (36% dos casos), confirmando sua importância como marcador precoce.

A pegadinha desta questão está na confusão entre hipercalemia e hipocalemia. Enquanto a hipercalemia causa onda T apiculada, a hipocalemia causa:

  • Achatamento da onda T

  • Onda U proeminente

  • Infradesnível do segmento ST

Essas alterações são típicas de potássio baixo, não alto. O candidato que não domina essa distinção pode facilmente marcar uma alternativa errada.

  1. 1K+ > 5,5: onda T apiculada
  2. 2K+ > 6,5: alargamento do QRS
  3. 3K+ > 7,0: onda P reduzida
  4. 4K+ > 8,0: onda P some
  5. 5K+ > 10: ritmo irregular
  6. 6K+ 12-14: TV/assistolia
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A onda U proeminente é característica de hipocalemia, não de hipercalemia. Na hipocalemia, há redução da amplitude da onda T e aumento da amplitude da onda U, que pode até se confundir com a onda T. Na hipercalemia, a onda U não é um achado típico; o que se observa é a progressão das alterações descritas acima.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O achatamento da onda T também é um achado de hipocalemia, não de hipercalemia. Na hipercalemia, a onda T se torna alta e apiculada, não achatada. O achatamento da onda T pode ocorrer em diversas condições (isquemia, hipocalemia, uso de digitálicos), mas não é a primeira manifestação da hipercalemia.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O encurtamento do intervalo PR não é uma alteração típica da hipercalemia. Na verdade, a hipercalemia pode causar prolongamento do intervalo PR (bloqueio atrioventricular de primeiro grau), que ocorre em cerca de 11% dos casos, conforme estudo citado. O encurtamento do PR é mais associado a síndromes de pré-excitação (como Wolff-Parkinson-White) ou a hipercalcemia.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A onda T apiculada e de base estreita é a alteração eletrocardiográfica mais precoce e característica da hipercalemia. Ela surge quando o potássio sérico ultrapassa 5,5 mEq/L e é consequência da aceleração da repolarização ventricular. No ECG, a onda T se torna alta, estreita e simétrica, com aspecto de "tenda". Esse é o achado clássico que todo médico deve reconhecer para suspeitar de hipercalemia e iniciar o tratamento imediato.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O infradesnível do segmento ST é uma alteração inespecífica que pode ocorrer em diversas condições, como isquemia miocárdica, hipocalemia, uso de digitálicos, entre outras. Na hipercalemia, o infradesnível de ST não é um achado típico; o que pode ocorrer é supradesnível de ST, simulando infarto agudo do miocárdio, em casos mais graves. Portanto, essa alternativa não corresponde à primeira manifestação esperada.

Gabarito: letra D — a onda T apiculada e de base estreita é a alteração eletrocardiográfica típica e precoce da hipercalemia, sendo o achado que deve alertar o médico para o diagnóstico e tratamento imediato.

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