Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg728268
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Medicina Intensiva
Assinale a alternativa que apresenta a alteração eletrocardiográfica que é classicamente associada à hipocalemia (nível sérico de potássio baixo).
AAlargamento do complexo QRS.
BPresença de onda U proeminente.
CEncurtamento do intervalo QT.
DOnda T apiculada e de base estreita.
ESupradesnível do segmento ST.
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GabaritoB — Presença de onda U proeminente.
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Hipocalemia e alterações eletrocardiográficas
Gabarito: letra B. A hipocalemia (K⁺ < 3,5 mEq/L) classicamente associa-se à presença de onda U proeminente, além de redução da amplitude da onda T, infradesnivelamento do segmento ST e aumento do intervalo QT corrigido (QTc). As demais alternativas descrevem alterações típicas de outras condições: alargamento do QRS e onda T apiculada são achados da hipercalemia, encurtamento do QT é próprio da hipercalcemia, e supradesnível de ST sugere isquemia miocárdica.
A hipocalemia é um distúrbio eletrolítico comum, definido pela concentração sérica de potássio menor que 3,5 mEq/L, e suas manifestações clínicas — predominantemente neuromusculares e cardíacas — costumam aparecer quando o potássio sérico atinge níveis mais baixos, geralmente abaixo de 3 mEq/L. No eletrocardiograma, as alterações mais precoces e características são o achatamento ou inversão da onda T, a depressão do segmento ST e o surgimento de ondas U proeminentes, especialmente nas derivações precordiais V4 a V6. Essas mudanças refletem a alteração na repolarização ventricular causada pela redução do potássio extracelular, que prolonga a fase 3 do potencial de ação.
É importante destacar que o intervalo QT na hipocalemia costuma estar prolongado (aumento do QTc), e não encurtado. Isso ocorre porque a onda U, que aparece fusionada ao final da onda T, pode ser erroneamente interpretada como parte dela, alongando a medida do QT. O encurtamento do intervalo QT, por sua vez, é um achado típico da hipercalcemia, assim como a onda T apiculada e de base estreita é característica da hipercalemia. O alargamento do complexo QRS também é um marcador de hipercalemia, aparecendo quando o potássio sérico ultrapassa 6,5 mEq/L, devido à lentificação da condução miocárdica.
A tabela a seguir resume as principais alterações eletrocardiográficas associadas aos distúrbios eletrolíticos, facilitando a memorização e a diferenciação na hora da prova:
Alteração
Hipocalemia
Hipercalemia
Hipercalcemia
Hipocalcemia
Onda T
Achatada/invertida
Alta e apiculada
Normal
Normal
Segmento ST
Infradesnivelado
Pode haver supra
Encurtado
Prolongado
Intervalo QT
Prolongado (QTc ↑)
Normal
Encurtado (QTc ↓)
Prolongado (QTc ↑)
Onda U
Proeminente
Ausente
Ausente
Ausente
Complexo QRS
Normal
Alargado (K⁺ > 6,5)
Normal
Normal
A pegadinha clássica desta questão é inverter os achados entre hipocalemia e hipercalemia. O candidato que confunde os dois distúrbios tende a marcar a alternativa que descreve a onda T apiculada (típica da hipercalemia) ou o alargamento do QRS (também da hipercalemia). A chave é lembrar que o potássio baixo "achata" o ECG — reduz a onda T, deprime o ST e faz aparecer a onda U — enquanto o potássio alto "apicula" e "alarga" o traçado.
Guarde a fronteira entre os achados de hipocalemia e hipercalemia: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A onda U proeminente é o marcador mais específico e classicamente cobrado da hipocalemia.
ECG nos distúrbios eletrolíticos: Hipocalemia (K⁺ baixo) (Onda T achatada/invertida, ST infradesnivelado, QTc prolongado, Onda U proeminente); Hipercalemia (K⁺ alto) (Onda T apiculada, QRS alargado); Hipercalcemia (Ca²⁺ alto) (QTc encurtado); Hipocalcemia (Ca²⁺ baixo) (QTc prolongado)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O alargamento do complexo QRS é um achado da hipercalemia, não da hipocalemia. Quando o potássio sérico ultrapassa 6,5 mEq/L, a lentificação da condução miocárdica prolonga a despolarização ventricular, alargando o QRS. Na hipocalemia, o QRS permanece normal, pois o distúrbio afeta principalmente a repolarização (onda T, ST e QT).
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A presença de onda U proeminente é a alteração eletrocardiográfica classicamente associada à hipocalemia. A onda U aparece com maior amplitude, especialmente nas derivações precordiais V4 a V6, e é um dos primeiros sinais do distúrbio. Esse achado, juntamente com o achatamento da onda T e o infradesnivelamento do ST, compõe o padrão típico da hipocalemia no ECG.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O encurtamento do intervalo QT é característico da hipercalcemia, não da hipocalemia. Na hipocalemia, o intervalo QT corrigido (QTc) está prolongado, em parte pela fusão da onda U com a onda T, o que aumenta a medida. Quanto maior a concentração de cálcio, menor o QTc; inversamente, na hipocalcemia o QTc aumenta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A onda T apiculada e de base estreita é o achado clássico da hipercalemia (K⁺ > 5,5 mEq/L). Na hipocalemia, a onda T sofre o oposto: torna-se achatada, de baixa amplitude, podendo até inverter-se. A banca troca o achado de um distúrbio pelo outro — armadilha clássica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O supradesnível do segmento ST é um sinal de isquemia miocárdica (IAM com supra de ST) ou, em alguns casos, de hipercalemia grave. Na hipocalemia, o que se observa é o infradesnivelamento do segmento ST, não o supradesnível. A banca inverte o sentido do desvio do ST.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter os achados entre hipocalemia e hipercalemia. Nesta questão, as alternativas A e D descrevem alterações da hipercalemia (QRS alargado e onda T apiculada), e a alternativa E traz o supra de ST, que é de isquemia. A única que descreve corretamente a hipocalemia é a onda U proeminente. Memorize: hipocalemia achata (onda T baixa, ST infradesnivelado, onda U aparece), hipercalemia apicula e alarga (onda T alta, QRS largo). Com esse raciocínio, você elimina as distratoras de imediato. 💪
Gabarito: letra B — a presença de onda U proeminente é a alteração eletrocardiográfica classicamente associada à hipocalemia.