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Questão de Medicina — Nefrologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaNefrologia
Código
qg728346
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Nefrologia Pediátrica
Um adolescente de 14 anos apresenta um quadro de urina “cor de Coca-Cola” (hematúria macroscópica) que se iniciou concomitantemente a um episódio de faringite, sem febre alta. Ele relata ter tido dois episódios semelhantes no último ano, sempre durante quadros de infecção de via aérea superior, com resolução espontânea da hematúria em poucos dias. A pressão arterial está em 130/85 mmHg (limítrofe) e não há edemas significativos. A investigação laboratorial mostra função renal normal e níveis de complemento sérico (C3 e C4) dentro da normalidade. Qual é a principal hipótese diagnóstica para esse quadro de hematúria macroscópica recorrente?
  1. AGlomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE).
  2. BNefropatia por IgA (Doença de Berger).
  3. CSíndrome de Alport.
  4. DNefrite Lúpica.
  5. EGlomerulonefrite Membranoproliferativa.
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GabaritoB — Nefropatia por IgA (Doença de Berger).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hematúria macroscópica recorrente em adolescente: Nefropatia por IgA

Gabarito: letra B. O quadro descrito — hematúria macroscópica recorrente, desencadeada por infecções de via aérea superior, com resolução espontânea, função renal preservada e complemento sérico normal — é a apresentação clássica da Nefropatia por IgA (Doença de Berger), a glomerulopatia primária mais comum no mundo. O dado decisivo que afasta a Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE) é o complemento sérico normal, pois na GNPE o C3 está tipicamente baixo durante a fase aguda.

A Nefropatia por IgA é uma glomerulonefrite mediada por imunocomplexos, caracterizada pela deposição predominante de IgA no mesângio glomerular. A patogênese envolve moléculas de IgA1 deficientes em galactose (GD-IgA1) e a produção de autoanticorpos anti-GD-IgA1, com deposição de imunocomplexos no mesângio, resultando em ativação do complemento e cascatas de citocinas. Clinicamente, manifesta-se com episódios de hematúria macroscópica que frequentemente coincidem com infecções de vias aéreas superiores (a chamada hematúria sinfaríngica), com resolução espontânea em poucos dias. É mais comum em adolescentes e adultos jovens, e o complemento sérico (C3 e C4) permanece normal — diferentemente da GNPE, em que o C3 está consumido.

O diagnóstico diferencial das glomerulopatias que cursam com hematúria glomerular é guiado por alguns pilares: a presença de hematúria dismórfica e cilindros hemáticos no sedimento urinário confirma a origem glomerular; a dosagem do complemento sérico separa as doenças com hipocomplementemia (GNPE, GNMP, nefrite lúpica) daquelas com complemento normal (Nefropatia por IgA, Síndrome de Alport, doença da membrana basal fina); e a história clínica (recorrência, associação com infecções, história familiar) refina a hipótese. No caso apresentado, o paciente tem episódios recorrentes associados a infecções de via aérea superior, sem febre alta, sem edema significativo, com PA limítrofe e função renal normal — um conjunto que aponta fortemente para a Nefropatia por IgA.

A GNPE, embora seja a causa mais comum de síndrome nefrítica aguda em crianças, tipicamente ocorre 1 a 3 semanas após uma infecção estreptocócica de faringe ou pele, com hipocomplementemia (C3 baixo) na fase aguda, e não costuma ser recorrente. A Síndrome de Alport é uma doença genética do colágeno tipo IV, que cursa com hematúria persistente, frequentemente associada a surdez neurossensorial e alterações oculares, além de história familiar. A Nefrite Lúpica faz parte de uma doença sistêmica autoimune, com acometimento de múltiplos órgãos, e geralmente cursa com hipocomplementemia. A Glomerulonefrite Membranoproliferativa (GNMP) é um padrão de lesão glomerular que se manifesta com síndrome nefrítica ou nefrótica, frequentemente com hipocomplementemia, e pode estar associada a infecções crônicas, doenças autoimunes ou gamopatias monoclonais.

A pegadinha central desta questão é a associação imediata entre hematúria macroscópica e infecção de via aérea superior com a GNPE, que é a glomerulonefrite mais comum em crianças. No entanto, a recorrência dos episódios e o complemento sérico normal são os elementos que direcionam o diagnóstico para a Nefropatia por IgA. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que memoriza apenas a tríade clássica da GNPE (hematúria, edema, hipertensão após infecção estreptocócica) pode ser induzido ao erro, sem considerar que a GNPE não é recorrente e cursa com hipocomplementemia. Guarde a fronteira entre as glomerulopatias com complemento normal e as com complemento baixo: é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Glomerulopatias com hematúria
  • 1Complemento sérico normal
    • Nefropatia por IgA
      • Hematúria sinfaríngica
      • Recorrente e autolimitada
    • Síndrome de Alport
      • Surdez neurossensorial
      • Alterações oculares
  • 2Complemento sérico baixo
    • GNPE
      • 1–3 semanas pós-estreptococo
      • Não recorrente
    • GNMP
      • Síndrome nefrítica/nefrótica
    • Nefrite lúpica
      • Doença sistêmica autoimune
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A GNPE é uma glomerulonefrite aguda que ocorre 1 a 3 semanas após infecção estreptocócica (faringite ou piodermite), com quadro clássico de síndrome nefrítica: hematúria, edema, hipertensão e oligúria. O complemento sérico (C3) está tipicamente baixo durante a fase aguda, devido ao consumo pela via clássica do complemento. Além disso, a GNPE não é recorrente — cada episódio de infecção estreptocócica pode desencadear um novo surto, mas a recorrência com resolução espontânea em poucos dias, como descrita no caso, é atípica. O paciente apresenta complemento normal e episódios recorrentes, o que afasta essa hipótese.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A Nefropatia por IgA (Doença de Berger) é a glomerulopatia primária mais comum no mundo e a principal causa de hematúria macroscópica recorrente em adolescentes e adultos jovens. O quadro clássico é exatamente o descrito: episódios de hematúria macroscópica que coincidem com infecções de vias aéreas superiores (hematúria sinfaríngica), com resolução espontânea em poucos dias. O complemento sérico (C3 e C4) é normal, a função renal é preservada e a proteinúria é geralmente discreta. A patogênese envolve a deposição de IgA1 deficiente em galactose no mesângio glomerular, com ativação do complemento e cascatas de citocinas. O diagnóstico é confirmado por biópsia renal, que mostra depósitos mesangiais de IgA na imunofluorescência.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A Síndrome de Alport é uma doença genética ligada ao cromossomo X (na maioria dos casos) que afeta a síntese do colágeno tipo IV, componente essencial da membrana basal glomerular. Manifesta-se com hematúria persistente (microscópica ou macroscópica), frequentemente associada a surdez neurossensorial e alterações oculares (lenticone anterior, retinopatia). A história familiar é positiva em cerca de 85% dos casos. No caso apresentado, não há menção a surdez, alterações oculares ou história familiar, e a hematúria é recorrente e autolimitada, não persistente. Além disso, a Síndrome de Alport não está associada a infecções de via aérea superior.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A Nefrite Lúpica é uma manifestação do Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), doença autoimune sistêmica que acomete múltiplos órgãos. O diagnóstico exige critérios clínicos e laboratoriais, como rash malar, fotossensibilidade, artrite, serosite, alterações hematológicas e presença de autoanticorpos (FAN, anti-DNA). A nefrite lúpica pode cursar com hematúria, proteinúria e, frequentemente, hipocomplementemia (C3 e C4 baixos). No caso apresentado, o paciente é um adolescente do sexo masculino, sem sinais sistêmicos de LES, com complemento normal e hematúria recorrente associada a infecções — um padrão que não se encaixa na nefrite lúpica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A Glomerulonefrite Membranoproliferativa (GNMP) é um padrão de lesão glomerular que resulta da deposição subendotelial e mesangial de imunocomplexos ou de fatores do complemento. Manifesta-se com síndrome nefrítica ou nefrótica, frequentemente com hipocomplementemia (C3 baixo, às vezes C4 também). Pode estar associada a infecções crônicas (hepatite B, hepatite C), doenças autoimunes (LES, crioglobulinemia) ou gamopatias monoclonais. No caso apresentado, o complemento sérico é normal, o que afasta a GNMP. Além disso, a GNMP não costuma se manifestar com hematúria macroscópica recorrente e autolimitada associada a infecções de via aérea superior.

Gabarito: letra B — Nefropatia por IgA (Doença de Berger).

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