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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg728349
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Nefrologia Pediátrica
Um menino de 8 anos, previamente hígido e com Índice de Massa Corporal (IMC) adequado para a idade, é diagnosticado com hipertensão arterial sistêmica (pressão arterial persistentemente acima do percentil 95 para idade, sexo e altura). Durante o exame físico, o médico ausculta um sopro sistólico na região epigástrica. Qual é a causa mais provável da hipertensão nesse paciente e qual o exame inicial para confirmá-la?
  1. AHipertensão essencial; dosagem de metanefrinas urinárias.
  2. BCoarctação da aorta; ultrassonografia com Doppler cardíaco.
  3. CFeocromocitoma; dosagem de metanefrinas urinárias.
  4. DEstenose de artéria renal; ultrassonografia com Doppler de artérias renais.
  5. EHiperaldosteronismo primário; dosagem de aldosterona e renina plasmática.
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GabaritoD — Estenose de artéria renal; ultrassonografia com Doppler de artérias renais.

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Hipertensão arterial secundária na criança: estenose de artéria renal

Gabarito: letra D. Em uma criança de 8 anos, previamente hígida, com IMC adequado e hipertensão arterial confirmada (PA > percentil 95), a presença de sopro sistólico na região epigástrica é um forte indício de estenose de artéria renal, sendo o ultrassom com Doppler de artérias renais o exame inicial de escolha para confirmar a suspeita. A hipertensão secundária é a causa mais comum nessa faixa etária, e a estenose de artéria renal é uma das principais etiologias renovasculares, especialmente quando há sopro abdominal.

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) na infância difere fundamentalmente da HAS do adulto: enquanto no adulto predomina a forma essencial (primária), na criança, quanto mais jovem e quanto maior a elevação pressórica, maior a probabilidade de hipertensão secundária. As causas secundárias mais frequentes são as renoparenquimatosas (glomerulonefrites, doença renal crônica, displasia renal) e as renovasculares (estenose de artéria renal), seguidas por causas endócrinas (feocromocitoma, hiperaldosteronismo), coarctação de aorta e causas iatrogênicas (uso de corticoides, simpaticomiméticos).

O exame físico é uma ferramenta crucial na investigação etiológica. O sopro sistólico na região epigástrica (ou em flancos) é um achado clássico de estenose de artéria renal, que pode ser causada por displasia fibromuscular (mais comum em crianças) ou, menos frequentemente, por aterosclerose. Esse sopro é decorrente da turbulência do fluxo sanguíneo na artéria estenosada. A presença desse achado, em um contexto de hipertensão em criança, direciona a investigação para a causa renovascular.

O ultrassom com Doppler de artérias renais é o exame de imagem inicial recomendado para avaliação de estenose de artéria renal, por ser não invasivo, não utilizar radiação ionizante e permitir a avaliação anatômica e funcional do fluxo sanguíneo renal. Ele pode identificar a estenose, avaliar o índice de resistividade e o tamanho dos rins. A angiorressonância ou a angiotomografia são exames de confirmação mais precisos, mas são reservados para casos em que o Doppler é inconclusivo ou para planejamento terapêutico. A arteriografia renal é o padrão-ouro, porém é invasiva e reservada para casos selecionados.

A pegadinha desta questão está em associar o sopro epigástrico a outras causas de hipertensão secundária, como coarctação de aorta (que cursa com sopro sistólico no dorso, entre as escápulas, e assimetria de pulsos), feocromocitoma (que cursa com tríade clássica de cefaleia, palpitações e sudorese, além de hipertensão paroxística) e hiperaldosteronismo primário (que cursa com hipocalemia e alcalose metabólica). O sopro abdominal é um sinal semiológico que aponta diretamente para o território vascular renal.

Guarde a associação: sopro epigástrico + hipertensão em criança = estenose de artéria renal até prova em contrário, e o Doppler renal é o primeiro exame a ser solicitado. É essa correlação clínico-topográfica que separa a alternativa correta das demais.

Critério

Estenose de Artéria Renal (Gabarito)

Coarctação da Aorta

Feocromocitoma

Hiperaldosteronismo Primário

Achado clínico típico

Sopro sistólico em região epigástrica/flancos

Sopro sistólico no dorso (interescapular); assimetria de pulsos femorais

Tríade: cefaleia, palpitações, sudorese; hipertensão paroxística

Hipocalemia, alcalose metabólica; geralmente assintomático

Exame inicial de escolha

Ultrassonografia com Doppler de artérias renais

Ultrassonografia com Doppler cardíaco (ecocardiograma)

Dosagem de metanefrinas urinárias

Dosagem de aldosterona e renina plasmática

Mecanismo fisiopatológico

Renovascular (displasia fibromuscular, mais comum em crianças)

Obstrução mecânica ao fluxo aórtico

Tumor adrenal produtor de catecolaminas

Excesso de aldosterona (hipermineralocorticoidismo)

1Quanto mais jovem
Maior chance de causa secundária
2Causas secundárias
Renoparenquimatosas
Renovasculares (estenose de artéria renal)
Endócrinas (feocromocitoma, hiperaldosteronismo)
Coarctação da aorta
3Sopro epigástrico
Estenose de artéria renal
Doppler de artérias renais (exame inicial)
HAS na criança
LEVELsoulevel.com.br
HAS na criança: Quanto mais jovem (Maior chance de causa secundária); Causas secundárias (Renoparenquimatosas, Renovasculares (estenose de artéria renal), Endócrinas (feocromocitoma, hiperaldosteronismo), Coarctação da aorta); Sopro epigástrico (Estenose de artéria renal, Doppler de artérias renais (exame inicial))

Alternativa A — ❌ Incorreta

A hipertensão essencial (primária) é um diagnóstico de exclusão e é mais comum em adolescentes com fatores de risco, como obesidade e história familiar. Neste caso, a criança é previamente hígida, tem IMC adequado e apresenta um sopro epigástrico, o que aponta fortemente para uma causa secundária. Além disso, a dosagem de metanefrinas urinárias é o exame de rastreio para feocromocitoma, não para hipertensão essencial.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A coarctação da aorta é uma causa importante de hipertensão secundária em crianças, mas o sopro característico é sistólico no dorso, região interescapular, e o exame físico revela assimetria de pulsos (pulsos femorais fracos ou ausentes) e diferença de PA entre membros superiores e inferiores. O sopro epigástrico não é o achado típico. O ultrassom com Doppler cardíaco é o exame inicial para avaliar a coarctação, mas a localização do sopro e a ausência de outros sinais tornam essa alternativa incorreta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O feocromocitoma é um tumor da medula adrenal produtor de catecolaminas, que cursa com hipertensão paroxística, cefaleia, palpitações e sudorese. A dosagem de metanefrinas urinárias é o exame de rastreio correto, mas o sopro epigástrico não é um achado típico dessa condição. A tríade clássica e o contexto clínico não se encaixam no caso apresentado.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A estenose de artéria renal é uma causa renovascular de hipertensão secundária, mais comum em crianças, e o sopro sistólico na região epigástrica é um sinal clássico dessa condição, decorrente da turbulência do fluxo na artéria estenosada. O ultrassom com Doppler de artérias renais é o exame inicial de escolha, por ser não invasivo, acessível e capaz de avaliar o fluxo sanguíneo renal. A alternativa correlaciona corretamente o achado físico com a etiologia e o exame complementar.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O hiperaldosteronismo primário é uma causa endócrina de hipertensão secundária, caracterizada por hipocalemia, alcalose metabólica e níveis elevados de aldosterona com renina suprimida. A dosagem de aldosterona e renina plasmática é o exame de rastreio correto, mas o sopro epigástrico não é um achado típico dessa condição. A apresentação clínica não se encaixa no caso.

Gabarito: letra D

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