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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg728352
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Nefrologia Pediátrica
Um paciente pediátrico com Síndrome Nefrótica apresenta hiponatremia (sódio sérico de 128 mEq/L) e edema generalizado. A dosagem de hormônio antidiurético (ADH) está elevada, e a osmolaridade urinária está aumentada. Qual é o principal mecanismo fisiopatológico responsável pela hiponatremia nesse paciente?
  1. APerda renal de sódio.
  2. BDeficiência de aldosterona.
  3. CDeficiência de vasopressina.
  4. DRetenção de água livre exacerbada pelo ADH, resultando em hiponatremia dilucional.
  5. EHipercalemia concomitante.
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GabaritoD — Retenção de água livre exacerbada pelo ADH, resultando em hiponatremia dilucional.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hiponatremia na Síndrome Nefrótica: mecanismo dilucional

Gabarito: letra D. Na síndrome nefrótica, a hiponatremia decorre da retenção de água livre exacerbada pelo ADH, configurando hiponatremia dilucional — o paciente apresenta edema (hipervolemia), ADH elevado e osmolaridade urinária aumentada, exatamente o quadro descrito no enunciado. O mecanismo central é o excesso de água corporal em relação ao sódio, não a perda renal de sódio nem deficiência hormonal.

A hiponatremia é o distúrbio hidroeletrolítico mais comum na prática clínica, definida como sódio sérico < 135 mEq/L. O ponto-chave para entender o caso é que a hiponatremia é, na maioria das vezes, um distúrbio do balanço hídrico — excesso de água corporal em relação ao sódio — e não uma perda primária de sódio. O hormônio antidiurético (ADH ou vasopressina) é o principal regulador da excreção de água livre pelos rins: quando elevado, aumenta a reabsorção de água nos túbulos coletores, concentrando a urina e retendo água livre no organismo.

Na síndrome nefrótica, há uma redução do volume circulante efetivo (devido à hipoalbuminemia e à perda de proteínas na urina), o que estimula a liberação de ADH como mecanismo compensatório. Esse ADH elevado promove retenção de água livre, diluindo o sódio sérico — mesmo com o paciente apresentando edema generalizado (hipervolemia clínica). A osmolaridade urinária aumentada confirma a ação do ADH nos túbulos coletores. É o mesmo mecanismo observado na insuficiência cardíaca e na cirrose: estados de baixo volume arterial efetivo com retenção de água e sódio.

A classificação da hiponatremia pelo estado volêmico é essencial: o paciente nefrótico com edema se enquadra na hiponatremia hipervolêmica, em que há aumento do volume extracelular, mas o volume circulante efetivo está reduzido. Nesses casos, o tratamento visa a doença de base e a restrição hídrica, não a reposição de sódio. A distinção entre as causas de hiponatremia (hipovolêmica, euvolêmica e hipervolêmica) é o critério que separa as alternativas desta questão.

A pegadinha da banca está em confundir o mecanismo dilucional (retenção de água livre) com perda renal de sódio ou deficiência hormonal. No paciente nefrótico, o sódio urinário costuma estar baixo (< 25-30 mEq/L) porque o rim está retendo sódio em resposta ao baixo volume circulante efetivo — não há perda renal de sódio. A deficiência de aldosterona (insuficiência adrenal primária) cursaria com hipovolemia e perda renal de sódio, não com edema. E a deficiência de vasopressina causaria diabetes insípido, com poliúria e hipernatremia, não hiponatremia.

Guarde a fronteira entre os mecanismos: retenção de água livre (ADH elevado) × perda renal de sódio × deficiência hormonal. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

Hiponatremia na Síndrome Nefrótica
  • 1Mecanismo central
    • Retenção de água livre (ADH elevado)
    • Diluição do sódio sérico
  • 2Estado volêmico
    • Hipervolêmica (edema)
    • Volume circulante efetivo reduzido
  • 3Achados
    • ADH elevado
    • Osmolaridade urinária aumentada
    • Sódio urinário baixo
  • 4Diagnósticos diferenciais
    • Perda renal de sódio
      • diuréticos, insuficiência adrenal
    • Deficiência de aldosterona (hipovolêmica, hipercalemia)
    • Deficiência de vasopressina
      • diabetes insípido, hipernatremia
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A perda renal de sódio não é o mecanismo principal na síndrome nefrótica. Nessa condição, o rim está retendo sódio (sódio urinário baixo) em resposta ao baixo volume circulante efetivo, e não o perdendo. A perda renal de sódio é típica de outras condições, como uso de diuréticos, insuficiência adrenal primária, síndrome cerebral perdedora de sal e nefropatia perdedora de sal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A deficiência de aldosterona caracteriza a insuficiência adrenal primária, que cursa com hiponatremia hipovolêmica (perda renal de sódio), hipercalemia e hipotensão. No paciente nefrótico, não há deficiência de aldosterona — o quadro é de hipervolemia com edema, não de hipovolemia.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A deficiência de vasopressina (ADH) causa diabetes insípido central, com incapacidade de concentrar a urina, poliúria e tendência à hipernatremia, não à hiponatremia. O enunciado afirma expressamente que o ADH está elevado, o que contraria diretamente esta alternativa.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a alternativa correta. Na síndrome nefrótica, o baixo volume circulante efetivo estimula a liberação de ADH, que promove retenção de água livre nos túbulos coletores. O excesso de água corporal dilui o sódio sérico, resultando em hiponatremia dilucional. A osmolaridade urinária aumentada confirma a ação do ADH. O paciente apresenta edema generalizado (hipervolemia clínica), ADH elevado e sódio urinário baixo — todos os dados do enunciado corroboram este mecanismo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A hipercalemia concomitante não é o mecanismo da hiponatremia neste paciente. A hipercalemia está associada à insuficiência adrenal (deficiência de aldosterona) ou à insuficiência renal, condições que não se aplicam ao quadro nefrótico descrito. Além disso, o enunciado não menciona alteração do potássio, e a hipercalemia não explica a diluição do sódio.

Gabarito: letra D — a hiponatremia na síndrome nefrótica é dilucional, causada pela retenção de água livre exacerbada pelo ADH elevado.

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