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Questão de Medicina — Nefrologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaNefrologia
Código
qg728357
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Nefrologia Pediátrica
A Síndrome Nefrótica Idiopática (SNI) é a forma mais comum de síndrome nefrótica na infância. A biópsia renal geralmente não é realizada de rotina em crianças com SNI que respondem bem à corticoterapia. Qual é a principal razão para essa conduta, considerando subjacente?
  1. AA histopatologia mais comum na SNI cortico-sensível é a Glomeruloesclerose Segmentar e Focal (GESF), que tem prognóstico reservado.
  2. BA histopatologia mais comum na SNI cortico-sensível é a Doença de Lesão Mínima (DLM), que não apresenta alterações à microscopia óptica.
  3. CA biópsia renal é um procedimento de alto risco em crianças e deve ser evitada sempre que possível, independentemente da histopatologia.
  4. DA biópsia renal é contraindicada em pacientes com SNI devido ao risco de sangramento exacerbado pela hipoalbuminemia e hemoconcentração.
  5. EA biópsia renal deve ser evitada nos pacientes córtico-sensíveis devido ao risco elevado de trombose em pacientes nefróticos.
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GabaritoB — A histopatologia mais comum na SNI cortico-sensível é a Doença de Lesão Mínima (DLM), que não apresenta alterações à microscopia óptica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome Nefrótica Idiopática na infância: por que não biopsiar de rotina?

Gabarito: letra B. A principal razão para não se realizar biópsia renal de rotina em crianças com Síndrome Nefrótica Idiopática (SNI) cortico-sensível é que a histopatologia mais comum nesse grupo é a Doença de Lesão Mínima (DLM), que não apresenta alterações à microscopia óptica e tem excelente prognóstico, com resposta à corticoterapia em cerca de 80% dos casos. A conduta se baseia no fato de que a resposta clínica ao corticoide é um forte preditor do diagnóstico subjacente, tornando o procedimento invasivo desnecessário na maioria dos casos.

A Síndrome Nefrótica Idiopática (SNI) é a apresentação mais comum de síndrome nefrótica na infância, caracterizada pela tríade clássica: proteinúria nefrótica (acima de 50 mg/kg/dia em crianças), hipoalbuminemia (albumina sérica < 2,5 g/dL) e edema, frequentemente acompanhada de hiperlipidemia. O termo "idiopática" indica que não se identifica uma causa secundária (como lúpus, hepatite B, HIV ou uso de medicamentos), sendo o diagnóstico essencialmente clínico e laboratorial.

A Doença de Lesão Mínima (DLM) é a causa mais frequente de SNI em crianças pré-púberes, correspondendo a aproximadamente 80% dos casos. Seu nome deriva do fato de que, à microscopia óptica, os glomérulos parecem normais — daí o termo "lesão mínima". O diagnóstico só é confirmado à microscopia eletrônica, que revela o apagamento difuso dos pedicelos dos podócitos, e à imunofluorescência, que é negativa para depósitos imunes. Essa é a chave da questão: como a DLM não altera a microscopia óptica, a biópsia não agregaria informação diagnóstica relevante na maioria das crianças que respondem bem à corticoterapia.

A conduta de não biopsiar de rotina se justifica por uma combinação de fatores: (1) a alta prevalência de DLM nesse grupo etário; (2) a excelente resposta à corticoterapia, que confirma o diagnóstico presuntivo; (3) o caráter invasivo do procedimento, que, embora não seja de altíssimo risco, não é isento de complicações (sangramento, hematoma, fístula arteriovenosa); e (4) o fato de que o resultado histopatológico raramente alteraria a conduta terapêutica inicial. A biópsia fica reservada para situações específicas, como: ausência de resposta à prednisona após 8 semanas (síndrome nefrótica cortico-resistente), hematúria macroscópica, hipertensão sustentada, complemento sérico diminuído, idade menor que 1 ano (suspeita de síndrome nefrótica congênita) ou maior que 8 anos (quando a probabilidade de DLM diminui).

A distinção crucial que a banca explora é entre a DLM e a Glomeruloesclerose Segmentar e Focal (GESF). Enquanto a DLM é a causa mais comum de SNI cortico-sensível em crianças e tem prognóstico excelente, a GESF é menos frequente (menos de 15% dos casos em crianças), frequentemente cursa com cortico-resistência, hipertensão e hematúria, e tem prognóstico mais reservado. A GESF, ao contrário da DLM, apresenta alterações visíveis à microscopia óptica (esclerose segmentar dos tufos glomerulares). Portanto, a alternativa que associa a histopatologia mais comum na SNI cortico-sensível à GESF está incorreta, pois inverte a epidemiologia e o prognóstico.

A pegadinha central desta questão é a associação automática entre "síndrome nefrótica" e "biópsia renal" como procedimento diagnóstico obrigatório. O candidato pode ser tentado a escolher uma alternativa que justifique a biópsia por risco de complicações (como sangramento ou trombose), mas a razão principal para a conduta conservadora é a alta probabilidade de DLM, que tem excelente resposta ao corticoide e não apresenta alterações à microscopia óptica. A biópsia não é contraindicada nem de altíssimo risco em crianças com SNI; ela simplesmente não é necessária de rotina quando a resposta clínica ao tratamento é favorável.

Guarde a fronteira entre DLM e GESF: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A alternativa correta deve reconhecer que a histopatologia mais comum na SNI cortico-sensível é a DLM, com suas características histológicas específicas.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a histopatologia mais comum na SNI cortico-sensível é a GESF, com prognóstico reservado. Isso inverte a epidemiologia: a GESF responde por menos de 15% dos casos de SNI em crianças, enquanto a DLM corresponde a cerca de 80%. Além disso, a GESF frequentemente cursa com cortico-resistência, não com sensibilidade ao corticoide. O erro está em trocar a DLM pela GESF como causa mais comum.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A DLM é a histopatologia mais comum na SNI cortico-sensível em crianças (cerca de 80% dos casos). À microscopia óptica, os glomérulos são normais — daí o nome "lesão mínima" — e o diagnóstico só é possível à microscopia eletrônica, que mostra apagamento difuso dos pedicelos. Essa é exatamente a razão pela qual a biópsia não é realizada de rotina: o procedimento não alteraria a conduta, pois a resposta ao corticoide já confirma o diagnóstico presuntivo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a biópsia renal é um procedimento de alto risco em crianças e deve ser evitada "sempre que possível". Embora a biópsia renal seja um procedimento invasivo com riscos (sangramento, hematoma), ela não é considerada de alto risco em crianças e não é contraindicada de forma absoluta. A decisão de não biopsiar de rotina se baseia na alta probabilidade de DLM e na resposta ao tratamento, não no risco do procedimento em si. A biópsia é realizada quando há indicação clínica, como cortico-resistência ou suspeita de outra glomerulopatia.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a biópsia renal é contraindicada em pacientes com SNI devido ao risco de sangramento exacerbado pela hipoalbuminemia e hemoconcentração. Essa afirmação é incorreta por dois motivos: (1) a biópsia não é contraindicada em SNI — ela é indicada em situações específicas, como cortico-resistência; (2) a hipoalbuminemia na SNI está associada a hipercoagulabilidade (risco de trombose), não a sangramento. A hemoconcentração, quando presente, não é uma contraindicação absoluta. O erro está em inverter o perfil de risco: o paciente nefrótico tem maior risco trombótico, não hemorrágico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a biópsia deve ser evitada em pacientes cortico-sensíveis devido ao risco elevado de trombose. Embora a SNI confira risco aumentado de trombose (devido à perda de antitrombina III e hipercoagulabilidade), esse não é o motivo principal para evitar a biópsia de rotina. A razão central é a alta probabilidade de DLM e a excelente resposta ao corticoide, que tornam o procedimento desnecessário. Além disso, o risco de trombose não contraindica a biópsia quando há indicação clínica; ele é manejado com medidas profiláticas.

Gabarito: letra B — a DLM é a histopatologia mais comum na SNI cortico-sensível, sem alterações à microscopia óptica, o que justifica a conduta de não biopsiar de rotina.

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