Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg728372
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Neonatologia
Recém-nascido com 25 semanas, 420 g, múltiplas disfunções orgânicas persistentes, hemorragia intraventricular grau IV bilateral e ventilação de alta frequência sem estabilidade. Pais perguntam sobre “limites terapêuticos” e se é possível transitar para cuidados de conforto. Segundo as recomendações atuais de cuidados paliativos neonatais, qual conduta é mais adequada?
AManter suporte máximo até a falência cardiorrespiratória, pois a retirada de suporte configura eutanásia.
BInformar que decisões sobre limitação terapêutica devem ser tomadas exclusivamente pela equipe, sem participação da família.
CSuspender imediatamente toda forma de suporte ventilatório, independentemente da opinião dos pais.
DIniciar abordagem paliativa estruturada, com comunicação compartilhada, foco em controle de sintomas e possibilidade de retirada proporcional de suportes fúteis.
EOferecer apenas analgesia, mantendo todas as intervenções invasivas previamente indicadas.
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GabaritoD — Iniciar abordagem paliativa estruturada, com comunicação compartilhada, foco em controle de sintomas e possibilidade de retirada proporcional de suportes fúteis.
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Cuidados paliativos neonatais: limites terapêuticos e conforto
Gabarito: letra D. Em recém-nascidos extremamente prematuros com múltiplas disfunções orgânicas persistentes e prognóstico reservado, a conduta mais adequada é iniciar abordagem paliativa estruturada, com comunicação compartilhada com a família, foco no controle de sintomas e possibilidade de retirada proporcional de suportes considerados fúteis — exatamente o que a alternativa D descreve. Essa conduta está alinhada às recomendações atuais de cuidados paliativos neonatais, que priorizam o conforto e a dignidade do paciente, com decisões compartilhadas entre equipe e família.
Os cuidados paliativos neonatais constituem uma abordagem multidisciplinar que visa aliviar o sofrimento e melhorar a qualidade de vida de recém-nascidos com doenças limitantes ou ameaçadoras à vida, bem como apoiar suas famílias. No caso descrito — um RN de 25 semanas, 420 g, com hemorragia intraventricular grau IV bilateral e ventilação de alta frequência sem estabilidade —, o prognóstico é extremamente reservado, com alta probabilidade de morte ou de sequelas neurológicas graves. Nesse cenário, a medicina moderna reconhece que a obstinação terapêutica (insistir em medidas fúteis) não é eticamente aceitável, e a transição para cuidados de conforto é uma opção legítima e recomendada.
O princípio central é a distinção entre eutanásia (ação deliberada para provocar a morte) e limitação de suporte terapêutico (retirada ou não instituição de medidas que apenas prolongam o processo de morte, sem benefício real). A eutanásia é proibida e não faz parte dos cuidados paliativos; já a limitação de suporte fútil é aceita ética e legalmente, desde que decidida de forma compartilhada, com comunicação clara e foco no conforto. A administração de analgésicos e sedativos para alívio de dor e desconforto, mesmo que possa acelerar indiretamente a morte, é ética e legalmente correta quando a intenção é o alívio do sofrimento, não a morte.
A comunicação com a família é essencial. Os pais devem ser informados sobre o diagnóstico, o prognóstico e as opções terapêuticas, participando ativamente das decisões. A decisão de limitar ou retirar suportes deve ser gradual, cuidadosa e documentada, com revisão da prescrição para suspender medicamentos que não contribuam para o conforto (como profilaxias e anti-hipertensivos) e manter aqueles que aliviam sintomas. Em caso de conflito entre familiares, a conduta mais conservadora (manter o suporte) é preferida até nova discussão.
A alternativa D resume exatamente essa abordagem: iniciar cuidados paliativos estruturados, com comunicação compartilhada, controle de sintomas e possibilidade de retirada proporcional de suportes fúteis. É a conduta que respeita a dignidade do paciente, a autonomia da família e os princípios da bioética (beneficência, não maleficência, autonomia e justiça).
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre limitação de suporte terapêutico (ética e legalmente aceita) e eutanásia (proibida). A alternativa A afirma que retirar o suporte configura eutanásia — o que é incorreto. A retirada de suporte fútil, com foco no conforto e decisão compartilhada, não é eutanásia. Fique atento: a intenção é aliviar o sofrimento, não causar a morte.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que manter suporte máximo até a falência é a única opção, pois a retirada configuraria eutanásia. Erro: confunde limitação de suporte terapêutico com eutanásia. A retirada de medidas fúteis, com foco no conforto e decisão compartilhada, é ética e legalmente aceita — não é eutanásia, que é a ação deliberada para provocar a morte. A obstinação terapêutica não é recomendada quando o prognóstico é reservado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que as decisões sobre limitação terapêutica devem ser tomadas exclusivamente pela equipe, sem participação da família. Erro: contraria o princípio da autonomia e a recomendação de comunicação compartilhada. A família deve ser informada e participar ativamente das decisões, especialmente quando o paciente é incapaz de decidir por si.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que se deve suspender imediatamente toda forma de suporte ventilatório, independentemente da opinião dos pais. Erro: a retirada de suporte deve ser gradual, cuidadosa e compartilhada com a família, não uma decisão unilateral e abrupta. A conduta correta envolve comunicação, planejamento e, em caso de conflito, a opção mais conservadora.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve exatamente a conduta recomendada: iniciar abordagem paliativa estruturada, com comunicação compartilhada, foco em controle de sintomas e possibilidade de retirada proporcional de suportes fúteis. Essa é a abordagem ética e alinhada às recomendações atuais de cuidados paliativos neonatais, respeitando a dignidade do paciente e a participação da família.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que se deve oferecer apenas analgesia, mantendo todas as intervenções invasivas previamente indicadas. Erro: a analgesia é parte do cuidado paliativo, mas a abordagem deve ser mais ampla, incluindo a revisão das intervenções e a retirada proporcional de suportes fúteis. Manter todas as intervenções invasivas, mesmo sem benefício, configura obstinação terapêutica.
Gabarito: letra D — a conduta mais adequada é iniciar cuidados paliativos estruturados, com comunicação compartilhada, controle de sintomas e retirada proporcional de suportes fúteis.