Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg728373
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Neonatologia
Recém-nascido a termo, 12 horas de vida, parto vaginal, bom estado geral. Mãe em uso de varfarina por válvula mecânica durante toda a gestação. O RN apresenta sangramento em punção de calcâneo e equimoses difusas. TAP e TTPa estão muito prolongados. Diante desse quadro, qual é o diagnóstico mais provável?
AHemofilia A.
BDoença hemorrágica tardia do RN.
CCIVD neonatal precoce por sepse.
DPlaquetopenia aloimune neonatal.
ECoagulopatia por deficiência de vitamina K secundária a antagonistas maternos.
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GabaritoE — Coagulopatia por deficiência de vitamina K secundária a antagonistas maternos.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Coagulopatia neonatal por antagonistas da vitamina K
Gabarito: letra E. O quadro é de doença hemorrágica do recém-nascido (DHRN) precoce, causada pela passagem transplacentária da varfarina materna, que inibe a síntese dos fatores de coagulação dependentes de vitamina K (II, VII, IX e X), levando ao prolongamento de TAP e TTPa. A alternativa E nomeia exatamente essa fisiopatologia: "Coagulopatia por deficiência de vitamina K secundária a antagonistas maternos".
A doença hemorrágica do recém-nascido (DHRN) é um distúrbio hemorrágico que ocorre por deficiência dos fatores de coagulação dependentes de vitamina K. A vitamina K é essencial para a gama-carboxilação dos fatores II, VII, IX e X, sem a qual esses fatores não se tornam funcionais. No recém-nascido, essa deficiência pode ser agravada por vários fatores: baixa reserva hepática, ausência de flora intestinal (que produz vitamina K), ingestão inadequada (leite materno é pobre em vitamina K) e, como no caso, uso materno de medicamentos que atravessam a placenta e interferem no metabolismo da vitamina K, como a varfarina.
A varfarina é um antagonista da vitamina K, inibindo a enzima que reduz a vitamina K epóxido à sua forma ativa. Como a varfarina atravessa a barreira placentária, o feto fica exposto ao seu efeito anticoagulante, resultando em deficiência funcional dos fatores II, VII, IX e X ao nascimento. Isso explica o quadro clínico apresentado: sangramento em punção de calcâneo e equimoses difusas, com TAP e TTPa muito prolongados, em um recém-nascido a termo, com bom estado geral, cuja mãe usou varfarina durante toda a gestação.
A DHRN é classificada em três formas, conforme o momento de apresentação:
Forma
Período de apresentação
Causa mais comum
Precoce
Primeiras 24 horas de vida
Uso materno de drogas que interferem na vitamina K (varfarina, anticonvulsivantes)
Clássica
1º a 7º dia de vida
Deficiência fisiológica de vitamina K, ausência de profilaxia ao nascimento
Tardia
2ª a 12ª semana de vida
Aleitamento materno exclusivo, colestase, fibrose cística, uso de antibióticos
O caso descrito se encaixa na forma precoce, pois o sangramento ocorre com 12 horas de vida e há o fator de risco claro: uso materno de varfarina. A profilaxia com vitamina K intramuscular ao nascimento é a medida preventiva padrão, mas, no caso de uso materno de varfarina, o recém-nascido pode necessitar de tratamento com vitamina K exógena e, em casos graves, plasma fresco congelado.
A distinção crucial para resolver a questão está em reconhecer que o uso materno de varfarina é o gatilho fisiopatológico. As demais alternativas apresentam causas de sangramento neonatal que não se encaixam no quadro, seja pela apresentação clínica, seja pelos exames laboratoriais. A banca explora a confusão entre as diferentes causas de sangramento no recém-nascido, especialmente a hemofilia e a CIVD, que também cursam com coagulopatia, mas têm mecanismos e apresentações distintas.
Doença hemorrágica do RN (DHRN): Precoce (1º dia) (Uso materno de varfarina, Anticonvulsivantes); Clássica (1º-7º dia) (Deficiência fisiológica, Sem profilaxia); Tardia (2ª-12ª semana) (Aleitamento exclusivo, Colestase)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A hemofilia A é uma doença hemorrágica hereditária ligada ao cromossomo X, causada por deficiência do fator VIII. Embora possa causar sangramento no recém-nascido, o quadro típico inclui hematomas profundos, hemartroses e sangramento após circuncisão, e o TTPa é prolongado, mas o TAP geralmente é normal. No caso, ambos os exames estão muito prolongados, o que sugere deficiência de múltiplos fatores, não apenas do fator VIII. Além disso, a hemofilia A é uma doença genética, não relacionada ao uso materno de varfarina.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A doença hemorrágica tardia do RN ocorre entre a 2ª e a 12ª semana de vida, não nas primeiras 12 horas. As causas mais comuns são aleitamento materno exclusivo, colestase e outras condições que levam à má absorção de vitamina K. O quadro apresentado é de DHRN precoce, não tardia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A CIVD neonatal precoce por sepse é uma possibilidade, mas o recém-nascido está em bom estado geral, sem sinais de sepse (febre, hipotermia, desconforto respiratório, letargia). A CIVD cursa com consumo de fatores de coagulação e plaquetas, levando a TAP e TTPa prolongados, mas também a plaquetopenia, que não é mencionada no caso. Além disso, a história materna de uso de varfarina é o fator determinante para o diagnóstico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A plaquetopenia aloimune neonatal é causada pela destruição das plaquetas do feto por anticorpos maternos, levando a trombocitopenia grave. O quadro clínico é de petéquias e equimoses, mas o TAP e o TTPa são normais, pois a coagulação não está afetada. No caso, ambos os exames estão muito prolongados, indicando alteração da hemostasia secundária, não primária.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa E descreve com precisão a fisiopatologia do caso: a varfarina é um antagonista da vitamina K, e seu uso materno durante a gestação leva à deficiência funcional dos fatores II, VII, IX e X no recém-nascido, resultando em coagulopatia com TAP e TTPa prolongados. O quadro clínico de sangramento em punção de calcâneo e equimoses difusas nas primeiras 24 horas de vida é característico da DHRN precoce, e a história materna de uso de varfarina é o dado que confirma o diagnóstico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as causas de sangramento neonatal. A hemofilia A (alternativa A) também cursa com TTPa prolongado, mas o TAP é normal, e não há relação com o uso materno de varfarina. A CIVD (alternativa C) cursa com plaquetopenia e comprometimento do estado geral, o que não está presente no caso. A chave é identificar o fator de risco materno e a apresentação precoce, que apontam diretamente para a DHRN por antagonistas da vitamina K.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de sangramento neonatal, monte um raciocínio em etapas: 1) identificar o fator de risco materno (medicações, infecções, doenças); 2) avaliar a apresentação clínica (precoce, clássica ou tardia); 3) correlacionar com os exames (TAP, TTPa, plaquetas). A presença de TAP e TTPa prolongados com plaquetas normais sugere deficiência de fatores de coagulação, enquanto plaquetopenia isolada sugere distúrbio plaquetário.