Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg728375
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Neonatologia
Prematuro 28 semanas, D4 de vida, em NCPAP 6 cmH₂O, FiO₂ 0,40, evolui com PaCO₂ 72 mmHg, pH 7,22 e atelectasias basais no RX. Sem apneias. Segundo evidências atuais, a conduta mais adequada nesse caso é
Aaumentar apenas FiO₂, pois a hipercapnia não influencia decisão ventilatória.
Bmanter CPAP e aguardar; hipercapnia permissiva sempre é aceitável até PaCO₂ 80.
Ctrocar CPAP por NIPPV sincronizado, que reduz falha de CPAP e melhora CO₂.
Dintubar imediatamente, pois PaCO₂ acima de 60 sempre exige VM invasiva.
Emigrar para cânula de alto fluxo (HFNC), pois melhora o clearance de CO₂.
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GabaritoC — trocar CPAP por NIPPV sincronizado, que reduz falha de CPAP e melhora CO₂.
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Suporte ventilatório não invasivo no prematuro: CPAP × NIPPV
Gabarito: letra C. Em prematuro de 28 semanas com desconforto respiratório em CPAP, evoluindo com hipercapnia (PaCO₂ 72 mmHg), acidose respiratória (pH 7,22) e atelectasias, a conduta mais adequada segundo evidências atuais é a troca para NIPPV sincronizado, que reduz a falha do CPAP e melhora a eliminação de CO₂. A alternativa C espelha exatamente essa recomendação, enquanto as demais ou subestimam a gravidade (A, B), ou superestimam a necessidade de intubação (D), ou usam estratégia inadequada para o quadro (E).
O caso descreve um prematuro extremo (28 semanas) em D4 de vida, em CPAP nasal com FiO₂ 0,40, que desenvolve falência ventilatória parcial: PaCO₂ elevada (72 mmHg) e pH acidêmico (7,22), com atelectasias basais. Não há apneias, o que afasta a indicação imediata de intubação por apneia recorrente. A questão central é: qual o próximo passo no suporte ventilatório não invasivo?
O CPAP (pressão positiva contínua em vias aéreas) é a modalidade inicial padrão para a síndrome do desconforto respiratório do recém-nascido (SDR), pois mantém a pressão expiratória positiva (PEEP), recrutando alvéolos e melhorando a oxigenação. Porém, o CPAP não auxilia ativamente na ventilação — ele apenas mantém a pressão, dependendo do esforço inspiratório espontâneo do paciente para gerar volume corrente. Quando o prematuro apresenta hipercapnia progressiva (PaCO₂ > 60–65 mmHg) com acidose, isso indica que a ventilação alveolar está inadequada: o volume minuto não é suficiente para eliminar o CO₂ produzido. Nesse cenário, a ventilação não invasiva com pressão de suporte (NIPPV) — que adiciona ciclos de pressão inspiratória acima da PEEP — é a evolução lógica, pois fornece assistência inspiratória, aumentando o volume corrente e melhorando a ventilação alveolar, sem necessidade de intubação.
Estudos randomizados e metanálises (como os de Lemyre et al., Cochrane) demonstraram que o NIPPV, especialmente o sincronizado, reduz a falha do CPAP e a necessidade de intubação em prematuros com SDR, comparado ao CPAP isolado. A sincronização (trigger) é importante porque permite que o ciclo inspiratório do ventilador coincida com o esforço do paciente, otimizando o suporte e reduzindo o trabalho respiratório. Essa é a base da recomendação atual: em prematuros em CPAP que evoluem com hipercapnia/acidose, escalonar para NIPPV antes de considerar intubação.
A alternativa E (HFNC) merece atenção: a cânula nasal de alto fluxo (HFNC) é uma opção de suporte não invasivo, mas não é superior ao CPAP para melhorar a ventilação; seu principal benefício é a oxigenação e o conforto, e não há evidência de que melhore o clearance de CO₂ de forma significativa. Além disso, em prematuros com falência ventilatória, o HFNC é menos eficaz que o NIPPV para reduzir a necessidade de intubação. Portanto, não é a conduta mais adequada neste caso.
A alternativa D (intubar imediatamente) é um erro clássico: a hipercapnia isolada, sem apneias ou hipoxemia refratária, não é indicação absoluta de intubação em prematuros. A decisão de intubar deve considerar o conjunto: falha de oxigenação (SatO₂ < 90% com FiO₂ alta), apneias recorrentes, trabalho respiratório intenso, ou incapacidade de proteger vias aéreas. Aqui, o paciente está em CPAP com FiO₂ 0,40 (não tão alta), sem apneias, e a hipercapnia pode ser manejada com escalonamento não invasivo. A intubação imediata seria precipitada e aumentaria o risco de complicações (displasia broncopulmonar, trauma de vias aéreas).
A alternativa B (manter CPAP e aguardar) ignora a progressão: a hipercapnia com pH 7,22 já indica acidose respiratória significativa, e a conduta expectante pode levar a piora. A hipercapnia permissiva é uma estratégia em ventilação mecânica invasiva, não em CPAP espontâneo, e mesmo assim com limites (geralmente pH > 7,20–7,25). Manter CPAP sem escalonar seria subtratar.
A alternativa A (aumentar apenas FiO₂) é claramente incorreta: a hipercapnia influencia sim a decisão ventilatória, pois reflete hipoventilação alveolar, que não é corrigida apenas com oxigênio. Aumentar FiO₂ melhora a oxigenação, mas não a ventilação; o CO₂ continuaria elevado.
Portanto, a conduta mais adequada é a troca do CPAP por NIPPV sincronizado, que oferece suporte inspiratório, melhora a ventilação alveolar e reduz a necessidade de intubação, conforme evidências atuais.
Critério
CPAP
NIPPV sincronizado
HFNC
Intubação imediata
Suporte inspiratório ativo
Não (apenas PEEP)
Sim (pressão de suporte acima da PEEP)
Não (fluxo, sem ciclos assistidos)
Sim (ventilação invasiva total)
Efeito sobre PaCO₂
Não melhora ventilação alveolar
Melhora (aumenta volume corrente)
Sem evidência de melhora significativa
Melhora (ventilação controlada)
Indicação no caso (hipercapnia + pH 7,22)
Inadequado (subtrata)
Adequado (escalonamento antes de intubar)
Inadequado (menos eficaz que NIPPV)
Precipitado (sem apneias/hipoxemia refratária)
Evidência atual (reduz falha/intubação)
Padrão inicial, mas falha na hipercapnia
Reduz falha do CPAP e necessidade de intubação
Não superior ao CPAP para ventilação
Aumenta risco de complicações (DBP, trauma)
Suporte ventilatório não invasivo: CPAP (mantém PEEP, oxigenação, não assiste ventilação); NIPPV sincronizado (assistência inspiratória, reduz falha do CPAP, melhora CO₂); HFNC (conforto, sem ganho ventilatório); Indicação de intubação (apneias recorrentes, hipoxemia refratária, PaCO₂ isolada não indica)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a hipercapnia não influencia a decisão ventilatória e que basta aumentar a FiO₂. Erro conceitual: a hipercapnia é um marcador de hipoventilação alveolar, e a decisão ventilatória deve considerar a ventilação, não apenas a oxigenação. Aumentar FiO₂ trata a hipoxemia, mas não corrige a retenção de CO₂. A conduta correta seria escalonar o suporte ventilatório (NIPPV), não apenas a FiO₂.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Propõe manter CPAP e aguardar, citando hipercapnia permissiva até PaCO₂ 80. Erro: a hipercapnia permissiva é uma estratégia usada em ventilação mecânica invasiva para evitar volutrauma, não em CPAP espontâneo, e mesmo assim com limites de pH (geralmente > 7,20). Com pH 7,22 e PaCO₂ 72, o paciente já está em acidose respiratória significativa; aguardar sem escalonar pode levar a piora. A conduta expectante não é adequada.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A troca do CPAP por NIPPV sincronizado é a conduta mais adequada. O NIPPV adiciona pressão de suporte inspiratório, aumentando o volume corrente e melhorando a ventilação alveolar, o que reduz a PaCO₂. Evidências atuais (metanálises Cochrane) mostram que o NIPPV sincronizado reduz a falha do CPAP e a necessidade de intubação em prematuros com SDR. A alternativa espelha exatamente essa recomendação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que PaCO₂ acima de 60 sempre exige intubação. Erro: não há critério absoluto de PaCO₂ para intubação; a decisão é multifatorial (oxigenação, apneias, trabalho respiratório, proteção de vias aéreas). Neste caso, sem apneias e com FiO₂ 0,40, a intubação imediata é precipitada. O escalonamento não invasivo (NIPPV) é a conduta preferencial antes de considerar intubação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Sugere migrar para HFNC, alegando melhora do clearance de CO₂. Erro: o HFNC não é superior ao CPAP para ventilação; seu benefício principal é oxigenação e conforto. Não há evidência de que melhore o clearance de CO₂ de forma significativa, e em falência ventilatória o NIPPV é mais eficaz para reduzir intubação. Portanto, não é a conduta mais adequada.