Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg728384
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Neonatologia
Recém-nascido termo apresenta massa lombossacra com placa neural exposta, vazamento de líquido claro e ausência de sensibilidade abaixo da lesão. Mãe relata uso de valproato durante o primeiro trimestre. Assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada nas primeiras horas de vida desse paciente.
ACobrir a lesão com gaze seca e aguardar avaliação de neurocirurgia em 48 horas.
BAguardar RM para definir se o caso é cirúrgico.
CPunção lombar imediata para avaliar risco de meningite.
DIniciar antibióticos e realizar fechamento cirúrgico idealmente nas primeiras 24-48 horas.
ECorrigir imediatamente hidrocefalia com derivação ventriculoperitoneal no mesmo ato.
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GabaritoD — Iniciar antibióticos e realizar fechamento cirúrgico idealmente nas primeiras 24-48 horas.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Mielomeningocele: conduta nas primeiras horas de vida
Gabarito: letra D. O quadro descrito é de mielomeningocele (defeito do tubo neural com placa neural exposta), e a conduta nas primeiras horas de vida inclui iniciar antibióticos e realizar o fechamento cirúrgico idealmente nas primeiras 24-48 horas — a cirurgia precoce reduz o risco de infecção do sistema nervoso central e de deterioração neurológica. O uso de valproato no primeiro trimestre é um fator de risco clássico para defeitos do tubo neural, reforçando o diagnóstico.
A mielomeningocele é a forma mais comum de espinha bífida aberta, caracterizada pela exposição da placa neural (tecido nervoso) através de um defeito no arco vertebral e na pele. O vazamento de líquido claro descrito é o líquido cefalorraquidiano (LCR), e a ausência de sensibilidade abaixo da lesão reflete o comprometimento neurológico já presente ao nascimento. O manejo inicial é uma emergência: a placa neural exposta é porta de entrada para bactérias, e a meningite é a principal causa de morbimortalidade nesses pacientes. Por isso, o fechamento cirúrgico precoce (nas primeiras 24-48 horas de vida) é o padrão-ouro, associado à antibioticoterapia profilática de amplo espectro.
O diagnóstico é essencialmente clínico, pela inspeção da massa lombossacra com placa neural exposta. A ressonância magnética (RM) é útil para avaliar malformações associadas (como a malformação de Chiari II e hidrocefalia), mas não deve atrasar a cirurgia — o fechamento precoce é prioritário. A hidrocefalia, quando presente, geralmente é tratada em um segundo momento, com derivação ventriculoperitoneal (DVP), e não no mesmo ato do fechamento da lesão, pois o risco de infecção do sistema de derivação é maior se implantado junto com a correção da mielomeningocele.
A punção lombar imediata é contraindicada nesse contexto: além de ser um procedimento que pode lesar ainda mais o tecido neural exposto, o diagnóstico de meningite é feito por outros meios (hemocultura, cultura do LCR obtido por punção ventricular ou durante o ato cirúrgico), e a punção lombar não é o primeiro passo da conduta. A cobertura com gaze seca também é inadequada — o ideal é cobrir a lesão com gaze estéril embebida em soro fisiológico (ou com filme plástico estéril) para manter a umidade e evitar o ressecamento e a contaminação da placa neural.
A conduta nas primeiras horas de vida, portanto, segue uma sequência lógica: estabilização do RN, proteção da lesão com curativo estéril úmido, início de antibióticos de amplo espectro e encaminhamento imediato para o fechamento cirúrgico. A cirurgia precoce (idealmente nas primeiras 24-48 horas) é o fator que mais impacta na redução do risco de meningite e na preservação da função neurológica residual. Esse é o critério decisivo que separa as alternativas: a urgência do fechamento cirúrgico e a necessidade de antibióticos.
1Proteger lesão (curativo úmido estéril)
2Iniciar antibióticos de amplo espectro
3Fechamento cirúrgico em 24-48h
4Avaliar hidrocefalia/Chiari II depois
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Cobrir a lesão com gaze seca e aguardar 48 horas é conduta inadequada. A gaze seca adere à placa neural exposta, causando lesão mecânica e favorecendo o ressecamento do tecido nervoso. O curativo correto é com gaze estéril embebida em soro fisiológico (ou filme plástico estéril), e a espera de 48 horas sem cirurgia aumenta exponencialmente o risco de infecção do SNC. A cirurgia deve ser feita o quanto antes, idealmente nas primeiras 24-48 horas de vida.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Aguardar a RM para definir se o caso é cirúrgico é um erro grave. O diagnóstico de mielomeningocele é clínico, e a indicação cirúrgica é imediata — não depende da RM. A RM é um exame complementar que avalia malformações associadas (Chiari II, hidrocefalia), mas não deve atrasar o fechamento da lesão. A demora aumenta o risco de meningite e de deterioração neurológica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A punção lombar imediata é contraindicada. Além do risco de lesão iatrogênica da placa neural exposta, a punção lombar não é o método de escolha para avaliar meningite nesse contexto — o LCR pode ser obtido por punção ventricular ou durante o ato cirúrgico. A conduta inicial é proteger a lesão, iniciar antibióticos e encaminhar para cirurgia, não realizar punção lombar.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Iniciar antibióticos e realizar fechamento cirúrgico idealmente nas primeiras 24-48 horas é a conduta correta. A antibioticoterapia profilática de amplo espectro (geralmente cobertura para gram-positivos e gram-negativos) reduz o risco de infecção ascendente pela placa neural exposta. O fechamento cirúrgico precoce é o padrão-ouro: protege o tecido neural, reduz o risco de meningite e preserva a função neurológica residual. Essa é a conduta recomendada nas primeiras horas de vida.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Corrigir imediatamente a hidrocefalia com derivação ventriculoperitoneal (DVP) no mesmo ato do fechamento da mielomeningocele é inadequado. A hidrocefalia, quando presente, é tratada em um segundo momento, pois o implante de DVP junto com a correção da lesão aumenta o risco de infecção do sistema de derivação. A prioridade é o fechamento da mielomeningocele; a DVP é realizada posteriormente, se houver hidrocefalia progressiva.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a urgência do fechamento cirúrgico e a necessidade de exames complementares. O candidato pode achar que a RM é obrigatória antes da cirurgia (alternativa B) ou que a hidrocefalia deve ser corrigida no mesmo ato (alternativa E). Na prática, o fechamento precoce da lesão é a prioridade absoluta — a RM e a DVP vêm depois. Lembre-se: placa neural exposta = emergência cirúrgica.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de mielomeningocele, memorize a sequência: (1) proteger a lesão com curativo estéril úmido, (2) iniciar antibióticos, (3) fechamento cirúrgico nas primeiras 24-48 horas, (4) avaliar hidrocefalia e Chiari II posteriormente. Essa ordem resolve a maioria das questões sobre o tema.