Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg728391
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Neonatologia
Acerca de infecções neonatais não relacionadas diretamente à sepse precoce, assinale a correta.
AOnfalite é mais comum em países de alta renda e geralmente está associada a Listeria monocytogenes.
BPneumonia neonatal precoce costuma cursar sem taquipneia, sendo diagnóstico exclusivamente radiológico.
CEm UTIs neonatais, Coagulase-negative Staphylococci (CoNS) são causas frequentes de IRAS tardias.
DA profilaxia de onfalite com clorexidina 7,1% é recomendada universalmente para todos os neonatos.
EPneumonia neonatal raramente se associa à sepse concomitante.
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GabaritoC — Em UTIs neonatais, Coagulase-negative Staphylococci (CoNS) são causas frequentes de IRAS tardias.
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Infecções neonatais tardias e IRAS em UTIs neonatais
Gabarito: letra C. Em UTIs neonatais, os estafilococos coagulase-negativos (CoNS) são, de fato, as causas mais frequentes de infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) tardias, especialmente em recém-nascidos pré-termo com cateteres venosos centrais — é o que a alternativa C afirma corretamente. As demais alternativas erram ao associar onfalite a país de alta renda e Listeria, negar taquipneia na pneumonia precoce, recomendar clorexidina 7,1% universalmente e afirmar que pneumonia raramente se associa à sepse.
O enunciado pede que você identifique a assertiva correta sobre infecções neonatais não relacionadas diretamente à sepse precoce — ou seja, o foco está nas infecções de início tardio (após 48–72 horas de vida) e nas infecções hospitalares (IRAS). Vamos entender o cenário para depois julgar cada alternativa.
O que são as IRAS tardias em neonatologia? São infecções adquiridas durante a internação em UTI neonatal, que se manifestam após as primeiras 48–72 horas de vida. Os principais fatores de risco são a prematuridade, o baixo peso ao nascer, o uso de cateter venoso central, a ventilação mecânica e a nutrição parenteral. Os agentes etiológicos mais comuns são os estafilococos coagulase-negativos (CoNS), especialmente o Staphylococcus epidermidis, que colonizam a pele e formam biofilme nos cateteres. Outros agentes incluem Staphylococcus aureus, Klebsiella pneumoniae, Escherichia coli e fungos como Candida spp.
Por que os CoNS são tão frequentes? Porque são parte da microbiota normal da pele, e a pele do prematuro é imatura e frágil, facilitando a translocação bacteriana. Além disso, os CoNS têm grande capacidade de aderir a superfícies de cateteres e formar biofilme, o que os torna resistentes à fagocitose e aos antibióticos. Essa é a razão pela qual a alternativa C está correta: ela reflete a epidemiologia real das IRAS tardias em UTIs neonatais.
Distinção importante: a sepse precoce (primeiras 48–72 horas) é causada principalmente por Streptococcus agalactiae (estreptococo do grupo B) e Escherichia coli, adquiridos durante o parto. Já as infecções tardias são, em sua maioria, hospitalares, e os CoNS são os protagonistas. Essa distinção é crucial para o diagnóstico e tratamento empírico.
Pegadinha da banca: a alternativa A inverte completamente a epidemiologia da onfalite. A onfalite é mais comum em países de baixa renda, e os agentes mais frequentes são Staphylococcus aureus, Streptococcus pyogenes e bactérias Gram-negativas, não Listeria monocytogenes. A banca troca o contexto socioeconômico e o agente etiológico para confundir o candidato.
Gancho: para acertar esta questão, você precisa dominar a epidemiologia das infecções neonatais tardias e saber diferenciar os agentes da sepse precoce dos da sepse tardia. Vamos analisar cada alternativa com esse critério.
Infecções neonatais
1Sepse precoce (até 48–72h)
Adquirida no parto
E. coli e GBS
2Sepse tardia (após 48–72h)
Adquirida no hospital (IRAS)
CoNS (Staphylococcus epidermidis)
Fatores de risco
Prematuridade
Cateter venoso central
Ventilação mecânica
Nutrição parenteral
3Onfalite
Países de baixa renda
S. aureus, S. pyogenes, Gram-negativos
Profilaxia: cuidado seco (não universal)
4Pneumonia neonatal
Taquipneia (sinal clássico)
Diagnóstico clínico e radiológico
Associada à sepse
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A onfalite é uma infecção do coto umbilical que ocorre mais comumente em países de baixa renda, onde as condições de higiene e o acesso a cuidados de saúde são precários. Os agentes etiológicos mais frequentes são Staphylococcus aureus, Streptococcus pyogenes e bactérias Gram-negativas, como Escherichia coli e Klebsiella spp. A Listeria monocytogenes é um agente importante de sepse precoce e meningite neonatal, mas não é uma causa comum de onfalite. Portanto, a alternativa erra tanto na epidemiologia quanto no agente etiológico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A pneumonia neonatal precoce cursa com taquipneia, que é um dos sinais clínicos mais comuns, juntamente com gemência, retrações intercostais e desconforto respiratório. O diagnóstico é clínico e radiológico, não exclusivamente radiológico. A banca tenta fazer o candidato acreditar que a taquipneia está ausente, o que é falso. A pneumonia neonatal precoce é uma causa importante de desconforto respiratório no recém-nascido e deve ser suspeitada em todo RN com taquipneia e infiltrados pulmonares ao raio-X.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa está correta. Os estafilococos coagulase-negativos (CoNS), especialmente o Staphylococcus epidermidis, são as causas mais frequentes de IRAS tardias em UTIs neonatais. Isso ocorre porque esses microrganismos colonizam a pele e formam biofilme em cateteres venosos centrais, que são amplamente utilizados em prematuros. A incidência é maior em recém-nascidos de muito baixo peso (< 1500 g) e com internação prolongada. O tratamento empírico geralmente inclui vancomicina, devido à alta taxa de resistência à meticilina.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A profilaxia da onfalite com clorexidina 7,1% não é recomendada universalmente para todos os neonatos. A OMS recomenda o cuidado seco do coto umbilical, com limpeza com água e sabão, e o uso de antissépticos como clorexidina apenas em situações específicas, como em países de baixa renda ou em surtos de infecção. A concentração de 7,1% é específica para alguns contextos e não é universal. A banca tenta fazer o candidato acreditar que há uma recomendação universal, o que é falso.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A pneumonia neonatal frequentemente se associa à sepse concomitante. Na verdade, a pneumonia é uma das manifestações da sepse neonatal, e a bacteremia pode ser a fonte da infecção pulmonar ou vice-versa. A associação é tão comum que a pneumonia neonatal é frequentemente tratada como parte do quadro séptico. A banca tenta fazer o candidato acreditar que a pneumonia é uma entidade isolada, o que é falso.
Conclusão: a única alternativa correta é a letra C, que afirma corretamente que os CoNS são causas frequentes de IRAS tardias em UTIs neonatais. As demais alternativas erram em pontos específicos da epidemiologia e da clínica das infecções neonatais.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter a epidemiologia das infecções neonatais. Na alternativa A, ela troca o contexto socioeconômico (país de baixa renda por alta renda) e o agente etiológico (Listeria por Staphylococcus). Na alternativa B, nega a taquipneia, que é um sinal clássico. Na D, generaliza uma recomendação específica. Na E, nega a associação pneumonia-sepse. Fique atento a essas inversões — elas são o padrão da banca.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar os agentes da sepse neonatal, use o mnemônico "E. coli e GBS" para sepse precoce (estreptococo do grupo B e Escherichia coli) e "CoNS" para sepse tardia. Lembre-se: precoce = adquirida no parto; tardia = adquirida no hospital. Essa distinção é a chave para muitas questões de neonatologia.