Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg728393
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Neonatologia
Recém-nascido a termo, 39 semanas de idade gestacional, com 12 dias de vida, apresenta icterícia persistente observada pelos pais. O recém-nascido encontra-se em bom estado geral, com ganho ponderal adequado e aleitamento materno exclusivo. Exames laboratoriais mostram: bilirrubina total: 8,2 mg/dL, bilirrubina direta: 2,1 mg/dl. Considerando o quadro clínico e laboratorial, assinale a alternativa que apresenta a interpretação diagnóstica inicial e a conduta mais adequada nesse caso.
  1. AO quadro é compatível com icterícia fisiológica prolongada, sendo indicada apenas observação clínica.
  2. BOs achados sugerem icterícia associada ao leite materno, não havendo necessidade de investigação adicional nesse momento.
  3. CA elevação da bilirrubina direta indica colestase neonatal, devendo ser iniciada investigação etiológica específica.
  4. DA hiperbilirrubinemia observada é típica de hemólise tardia, sendo indicada apenas fototerapia conforme nomograma.
  5. EO padrão laboratorial sugere adaptação metabólica pós-natal, com tendência à normalização espontânea.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — A elevação da bilirrubina direta indica colestase neonatal, devendo ser iniciada investigação etiológica específica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Icterícia neonatal: bilirrubina direta elevada e colestase

Gabarito: letra C. A presença de bilirrubina direta (conjugada) ≥ 2,0 mg/dL em recém-nascido, independentemente da bilirrubina total, define colestase neonatal e exige investigação etiológica imediata — não é icterícia fisiológica nem associada ao leite materno, que cursam com predomínio de bilirrubina indireta. O valor de 2,1 mg/dL de bilirrubina direta é o ponto-chave que afasta as hipóteses benignas e impõe conduta ativa.

A icterícia neonatal é a expressão clínica da hiperbilirrubinemia e acomete cerca de 50% dos recém-nascidos a termo. O passo inicial e mais importante na avaliação é definir se a icterícia é predominantemente causada por elevação da bilirrubina não conjugada (indireta) ou conjugada (direta). Essa distinção muda completamente o raciocínio diagnóstico: a bilirrubina indireta elevada remete a causas como hemólise, imaturidade da conjugação hepática (icterícia fisiológica) ou icterícia associada ao leite materno; já a bilirrubina direta elevada indica comprometimento da excreção biliar — ou seja, colestase — e nunca deve ser atribuída a processos fisiológicos.

No caso apresentado, o recém-nascido tem 12 dias de vida, bom estado geral e ganho ponderal adequado, o que poderia sugerir benignidade. Porém, o exame laboratorial revela bilirrubina direta de 2,1 mg/dL, valor que ultrapassa o limiar de 2,0 mg/dL (ou 1,5 mg/dL, conforme algumas referências) que define colestase neonatal. A colestase neonatal é sempre patológica e exige investigação etiológica sistemática, pois condições como atresia biliar, hepatite neonatal, defeitos metabólicos e endocrinopatias podem estar por trás do quadro. O prognóstico de doenças como a atresia biliar depende diretamente da precocidade do diagnóstico e da intervenção (cirurgia de Kasai), o que torna a conduta de "apenas observar" ou "aguardar normalização espontânea" um erro grave.

A icterícia fisiológica, por sua vez, aparece entre o 2º e o 5º dia de vida, é predominantemente indireta, e desaparece espontaneamente em 1 a 2 semanas. A icterícia associada ao leite materno também cursa com predomínio de bilirrubina indireta, surge após a primeira semana e não causa elevação da bilirrubina direta. A hemólise tardia, mencionada na alternativa D, não é um padrão típico de apresentação nessa idade e, mesmo que houvesse hemólise, o padrão laboratorial seria de bilirrubina indireta elevada, não direta. Portanto, o dado laboratorial de bilirrubina direta elevada é o divisor de águas: ele transforma um quadro que poderia parecer benigno em uma urgência diagnóstica.

A conduta correta diante de colestase neonatal é iniciar investigação etiológica específica, incluindo anamnese detalhada, exame físico, exames laboratoriais (função hepática, coagulação, glicemia, gasometria, triagem para infecções congênitas, etc.) e exames de imagem (ultrassonografia abdominal). O encaminhamento a serviço especializado em hepatologia pediátrica é fundamental. A demora na investigação pode comprometer irreversivelmente o prognóstico, especialmente nos casos de atresia biliar, em que a cirurgia deve ser realizada idealmente antes de 60 dias de vida.

Guarde o critério decisivo: bilirrubina direta ≥ 2,0 mg/dL em recém-nascido = colestase = investigar sempre. É exatamente nesse limiar que as alternativas se dividem.

Icterícia neonatal
  • 1Bilirrubina indireta (não conjugada)
    • Icterícia fisiológica
    • Icterícia do leite materno
    • Hemólise
  • 2Bilirrubina direta (conjugada)
    • Colestase neonatal (BD ≥ 2,0 mg/dL)
      • Sempre patológica
      • Exige investigação etiológica
      • Encaminhar a serviço especializado
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A icterícia fisiológica prolongada cursa com predomínio de bilirrubina indireta, nunca com elevação da bilirrubina direta. O valor de 2,1 mg/dL de bilirrubina direta afasta essa hipótese e torna a conduta de "apenas observação clínica" inadequada e potencialmente perigosa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A icterícia associada ao leite materno também é caracterizada por predomínio de bilirrubina indireta. A presença de bilirrubina direta elevada exclui essa possibilidade e exige investigação adicional imediata, contrariando a afirmação de que "não há necessidade de investigação adicional".

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A bilirrubina direta de 2,1 mg/dL (≥ 2,0 mg/dL) define colestase neonatal, condição sempre patológica que demanda investigação etiológica específica e encaminhamento a serviço especializado. A alternativa espelha exatamente a conduta correta: reconhecer a colestase e iniciar a investigação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A hemólise tardia cursaria com elevação da bilirrubina indireta, não da direta. Além disso, a conduta de "apenas fototerapia conforme nomograma" seria inadequada, pois a fototerapia é ineficaz no tratamento da hiperbilirrubinemia conjugada e não aborda a causa subjacente da colestase.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A "adaptação metabólica pós-natal" é o mecanismo da icterícia fisiológica, que cursa com bilirrubina indireta elevada e tende à normalização espontânea. A elevação da bilirrubina direta não faz parte desse processo e indica doença hepática ou biliar, exigindo investigação, não apenas observação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a associação automática entre "icterícia em RN a termo, bom estado geral e aleitamento materno" com quadros benignos (fisiológica ou leite materno). O candidato que não valoriza o dado de bilirrubina direta elevada cai nas alternativas A, B ou E. O segredo é sempre separar a icterícia em direta e indireta: bilirrubina direta ≥ 2,0 mg/dL é colestase até prova em contrário — nunca é fisiológica.

PEGA ESSA DICA!

Na hora da prova, ao ler um caso de icterícia neonatal, faça duas perguntas em sequência: (1) A bilirrubina é direta ou indireta? (2) Se direta ≥ 2,0 mg/dL, qual a causa da colestase? Essa primeira pergunta já elimina metade das alternativas. Memorize o limiar: BD ≥ 2,0 mg/dL = colestase = investigar.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/qg728393