Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg728394
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Neonatologia
Acerca da investigação de colestase neonatal, assinale a alternativa correta.
AA avaliação de colestase deve ser iniciada apenas após 4 semanas de vida.
BBilirrubina direta ≥1 mg/dl é considerada normal em qualquer idade.
CA presença de colúria e acolia não contribui para diferenciar hiperbilirrubinemia fisiológica de colestática.
DAtraso no diagnóstico de atresia biliar está associado a pior prognóstico após Kasai.
EA dosagem de GGT é irrelevante na investigação de colestase.
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GabaritoD — Atraso no diagnóstico de atresia biliar está associado a pior prognóstico após Kasai.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Colestase neonatal: investigação e atresia biliar
Gabarito: letra D. O atraso no diagnóstico da atresia biliar piora o prognóstico da portoenterostomia de Kasai, pois a cirurgia tem melhores resultados quando realizada precocemente, idealmente antes de 60 dias de vida. As demais alternativas distorcem a conduta correta na investigação de colestase neonatal.
A colestase neonatal é definida pela elevação da bilirrubina direta (conjugada) no sangue do recém-nascido. Diferentemente da hiperbilirrubinemia fisiológica, que é indireta (não conjugada) e benigna, a colestase indica doença hepatobiliar e exige investigação urgente. O reconhecimento precoce é crucial porque algumas causas, como a atresia biliar, têm tratamento cirúrgico cuja eficácia depende diretamente da idade do paciente.
A investigação começa com a suspeita clínica: icterícia persistente após 2 semanas de vida, colúria (urina escura) e acolia fecal (fezes claras ou acólicas). A presença de fezes acólicas é um sinal de alerta importante, pois sugere obstrução do fluxo biliar. O diagnóstico laboratorial se baseia na dosagem de bilirrubina total e frações: considera-se colestase quando a bilirrubina direta é superior a 1,0 mg/dL (ou > 20% da bilirrubina total, se esta for > 5 mg/dL). A dosagem de GGT (gama-glutamiltransferase) é útil para diferenciar causas intra-hepáticas de extra-hepáticas, sendo tipicamente elevada na atresia biliar.
A atresia biliar é a causa cirúrgica mais comum de colestase neonatal e a principal indicação de transplante hepático em crianças. O tratamento é a portoenterostomia de Kasai, que conecta o fígado diretamente ao intestino delgado. O sucesso da cirurgia está inversamente relacionado à idade: quando realizada antes de 60 dias de vida, a taxa de sucesso (drenagem biliar eficaz) é significativamente maior. O atraso no diagnóstico leva à cirrose e à falência hepática, piorando o prognóstico mesmo após a cirurgia.
A banca explora a confusão entre hiperbilirrubinemia fisiológica (indireta, comum, benigna) e colestase (direta, patológica, urgente). O candidato que não domina essa distinção pode marcar alternativas que minimizam a gravidade da colestase ou que adiam a investigação. Guarde o critério decisivo: bilirrubina direta elevada (> 1 mg/dL) = colestase = investigação imediata, independentemente da idade.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a avaliação deve ser iniciada apenas após 4 semanas de vida. Isso é perigoso e contrário à prática recomendada. A investigação de colestase deve ser iniciada imediatamente quando há suspeita, idealmente antes de 2 semanas de vida, pois o atraso compromete o prognóstico de doenças como a atresia biliar. Aguardar 4 semanas perde a janela ideal para a cirurgia de Kasai (antes de 60 dias).
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que bilirrubina direta ≥ 1 mg/dL é normal em qualquer idade. Isso é falso. Na verdade, valores de bilirrubina direta acima de 1,0 mg/dL são sempre anormais e definem colestase, exigindo investigação. O valor de referência para bilirrubina direta é tipicamente < 0,2-0,3 mg/dL em recém-nascidos e < 0,3 mg/dL em crianças maiores. A alternativa inverte o limiar diagnóstico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que colúria e acolia não contribuem para diferenciar hiperbilirrubinemia fisiológica de colestática. Isso é falso. A presença de acolia fecal (fezes claras) e colúria (urina escura) são sinais clínicos importantes que ajudam a diferenciar as duas condições. Na hiperbilirrubinemia fisiológica, as fezes são amareladas e a urina é clara; na colestase, há acolia e colúria devido ao acúmulo de bilirrubina conjugada.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que o atraso no diagnóstico de atresia biliar está associado a pior prognóstico após Kasai. Isso é correto e reflete a literatura médica. A portoenterostomia de Kasai tem melhores resultados quando realizada precocemente, idealmente antes de 60 dias de vida. O atraso no diagnóstico leva à progressão da fibrose hepática e à cirrose, reduzindo a taxa de sucesso da cirurgia e aumentando a necessidade de transplante hepático.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a dosagem de GGT é irrelevante na investigação de colestase. Isso é falso. A GGT é um marcador enzimático de colestase e é útil na investigação. Níveis elevados de GGT são encontrados na maioria das causas de colestase neonatal, incluindo atresia biliar, e ajudam a diferenciar causas intra-hepáticas (como hepatite neonatal) de extra-hepáticas (como atresia biliar). Valores normais ou baixos de GGT podem sugerir causas específicas, como defeitos de síntese de ácidos biliares.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato minimizar a gravidade da colestase neonatal. As alternativas A, B, C e E apresentam condutas ou interpretações que adiariam ou negligenciariam a investigação, quando a regra de ouro é: bilirrubina direta > 1 mg/dL = colestase = investigação imediata. A letra D é a única que reconhece a urgência e a importância do diagnóstico precoce.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de colestase neonatal, memorize o limiar diagnóstico (BD > 1 mg/dL) e a janela de 60 dias para a cirurgia de Kasai. Na dúvida entre alternativas, desconfie de qualquer uma que sugira adiar a investigação ou que minimize sinais como acolia e colúria — a colestase é sempre uma emergência diagnóstica.