Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg728397
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Neonatologia
A respeito dos fatores de risco para hipoglicemia em relação aos distúrbios hidroeletrolíticos e metabólicos no período neonatal, assinale a alternativa correta.
AA hipoglicemia neonatal costuma refletir falha na adaptação metabólica pós-natal, especialmente em recém-nascidos com fatores de risco, podendo ocorrer mesmo na ausência de sintomas clínicos específicos.
BA hiponatremia neonatal pode ocorrer por múltiplos mecanismos, incluindo fatores relacionados ao manejo de fluidos no período neonatal.
CA hipocalcemia neonatal tardia decorre predominantemente de alterações do metabolismo do magnésio, sendo rara em recém - nascidos a termo.
DOs distúrbios ácido-base no período neonatal são incomuns nas primeiras semanas de vida, devido à elevada capacidade renal de compensação metabólica.
EA hipercalemia neonatal ocorre principalmente por excesso de ingestão de potássio na dieta, com menor relação com imaturidade renal.
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GabaritoA — A hipoglicemia neonatal costuma refletir falha na adaptação metabólica pós-natal, especialmente em recém-nascidos com fatores de risco, podendo ocorrer mesmo na ausência de sintomas clínicos específicos.
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Distúrbios metabólicos e hidroeletrolíticos no período neonatal
Gabarito: letra A. A hipoglicemia neonatal é, de fato, a expressão de uma falha na adaptação metabólica pós-natal, particularmente em recém-nascidos com fatores de risco, e pode ocorrer mesmo sem sintomas clínicos específicos — o que torna a alternativa A correta. As demais alternativas contêm erros conceituais: a hipocalcemia tardia não é predominantemente por alteração do magnésio, os distúrbios ácido-base não são incomuns nas primeiras semanas, e a hipercalemia neonatal está mais relacionada à imaturidade renal do que ao excesso de ingestão de potássio.
A hipoglicemia neonatal é um dos distúrbios metabólicos mais comuns e importantes na neonatologia. O recém-nascido, ao nascer, precisa fazer uma transição metabólica abrupta: deixa de receber glicose continuamente pela placenta e passa a depender da glicogenólise e da gliconeogênese hepáticas para manter a glicemia. Essa adaptação depende de um equilíbrio hormonal delicado — com queda da insulina e elevação de glucagon, catecolaminas e cortisol — e de reservas adequadas de glicogênio. Quando esse mecanismo falha, instala-se a hipoglicemia. Os principais fatores de risco incluem prematuridade, pequeno para a idade gestacional (PIG), macrossomia (frequentemente filho de mãe diabética), asfixia perinatal, hipotermia, policitemia e erros inatos do metabolismo. Um ponto crucial, e que a alternativa A captura com precisão, é que a hipoglicemia neonatal é frequentemente assintomática ou oligossintomática — os sinais clínicos, quando presentes, são inespecíficos (tremores, irritabilidade, letargia, hipotonia, recusa alimentar, cianose, apneia, convulsões) e podem ser confundidos com outras condições. Por isso, a triagem e o monitoramento da glicemia em recém-nascidos de risco são fundamentais, independentemente da presença de sintomas. Essa é a razão pela qual a alternativa A está correta: ela descreve com precisão a fisiopatologia e a apresentação clínica da hipoglicemia neonatal.
A hiponatremia, por sua vez, é uma das anormalidades eletrolíticas mais comuns na prática clínica, e o contexto neonatal não é exceção. Os mecanismos são múltiplos: perdas renais ou gastrointestinais, administração de líquidos hipotônicos, uso de diuréticos, síndrome de secreção inapropriada de hormônio antidiurético (SIADH), entre outros. No recém-nascido, a imaturidade renal e a alta proporção de água corporal total tornam o manejo de fluidos particularmente delicado. A alternativa B afirma que a hiponatremia neonatal pode ocorrer por múltiplos mecanismos, incluindo fatores relacionados ao manejo de fluidos — essa afirmação é verdadeira e consistente com a fisiopatologia descrita. No entanto, a questão pede a alternativa correta, e a alternativa A é mais específica e diretamente relacionada ao tema central do enunciado (fatores de risco para hipoglicemia). A alternativa B, embora correta, não é a mais adequada porque não aborda diretamente a hipoglicemia, que é o foco da pergunta.
A hipocalcemia neonatal é outro distúrbio metabólico relevante. Ela pode ser classificada em precoce (nas primeiras 48-72 horas de vida) e tardia (após o terceiro dia). A hipocalcemia precoce está associada a prematuridade, asfixia, diabetes materno e hipoparatireoidismo transitório. A hipocalcemia tardia, por sua vez, está mais relacionada à ingestão de fórmulas com alta carga de fosfato, hipomagnesemia e hipoparatireoidismo. A alternativa C afirma que a hipocalcemia tardia decorre predominantemente de alterações do metabolismo do magnésio, sendo rara em recém-nascidos a termo. Essa afirmação é incorreta por dois motivos: primeiro, a hipocalcemia tardia não é predominantemente por alteração do magnésio — a causa mais comum é a ingestão de fórmulas com alta carga de fosfato, que leva à hiperfosfatemia e à queda do cálcio ionizado; segundo, a hipocalcemia tardia não é rara em recém-nascidos a termo, especialmente naqueles alimentados com fórmulas inadequadas. A hipomagnesemia pode estar associada, mas não é a causa predominante.
Os distúrbios ácido-base no período neonatal são relativamente comuns, especialmente em recém-nascidos prematuros ou com condições como asfixia, sepse, cardiopatias congênitas e doenças respiratórias. A capacidade renal de compensação metabólica no recém-nascido é limitada, não elevada, devido à imaturidade tubular e à baixa taxa de filtração glomerular. A alternativa D afirma que os distúrbios ácido-base são incomuns nas primeiras semanas de vida, devido à elevada capacidade renal de compensação metabólica — essa afirmação é duplamente incorreta: os distúrbios são comuns, e a capacidade renal de compensação é limitada, não elevada.
A hipercalemia neonatal pode ocorrer por diversos mecanismos, incluindo imaturidade renal (especialmente em prematuros), acidose, hemólise, asfixia, hemorragia e uso de medicamentos como a indometacina. A imaturidade renal é um fator importante, pois a excreção de potássio depende da função tubular distal, que é limitada no recém-nascido. A alternativa E afirma que a hipercalemia neonatal ocorre principalmente por excesso de ingestão de potássio na dieta, com menor relação com imaturidade renal — essa afirmação é incorreta, pois a imaturidade renal é um dos principais fatores, e o excesso de ingestão é menos comum como causa primária.
A questão aborda um tema central da neonatologia: os distúrbios metabólicos e hidroeletrolíticos no período neonatal. A banca explora a capacidade do candidato de identificar a alternativa que descreve corretamente a fisiopatologia e a apresentação clínica da hipoglicemia neonatal, em contraste com as demais alternativas que contêm erros conceituais sobre outros distúrbios. A alternativa A é a única que está totalmente correta, pois descreve com precisão a hipoglicemia neonatal como uma falha na adaptação metabólica pós-natal, que pode ocorrer mesmo na ausência de sintomas clínicos específicos.
Distúrbios metabólicos neonatais: Hipoglicemia (Falha na adaptação metabólica pós-natal, Pode ser assintomática, Fatores de risco: prematuridade, PIG, macrossomia); Hiponatremia (Múltiplos mecanismos, Manejo de fluidos); Hipocalcemia tardia (Não é por alteração do magnésio, Causa: fórmula com alta carga de fosfato); Distúrbios ácido-base (Não são incomuns, Capacidade renal é limitada); Hipercalemia (Não é por excesso de ingestão, Causa: imaturidade renal)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A está correta porque descreve com precisão a hipoglicemia neonatal: ela é uma falha na adaptação metabólica pós-natal, especialmente em recém-nascidos com fatores de risco, e pode ocorrer mesmo sem sintomas clínicos específicos. A hipoglicemia neonatal é frequentemente assintomática ou oligossintomática, e os sinais clínicos, quando presentes, são inespecíficos. Por isso, a triagem e o monitoramento da glicemia em recém-nascidos de risco são fundamentais, independentemente da presença de sintomas. Essa é a razão pela qual a alternativa A está correta.
Alternativa B — ✅ Correta
A alternativa B está correta, pois a hiponatremia neonatal pode ocorrer por múltiplos mecanismos, incluindo fatores relacionados ao manejo de fluidos. No recém-nascido, a imaturidade renal e a alta proporção de água corporal total tornam o manejo de fluidos particularmente delicado, e a administração de líquidos hipotônicos é um fator de risco conhecido. No entanto, a alternativa B não é a mais adequada porque não aborda diretamente a hipoglicemia, que é o foco da pergunta. A alternativa A é mais específica e diretamente relacionada ao tema central do enunciado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C está incorreta porque a hipocalcemia tardia não decorre predominantemente de alterações do metabolismo do magnésio. A causa mais comum da hipocalcemia tardia é a ingestão de fórmulas com alta carga de fosfato, que leva à hiperfosfatemia e à queda do cálcio ionizado. Além disso, a hipocalcemia tardia não é rara em recém-nascidos a termo, especialmente naqueles alimentados com fórmulas inadequadas. A hipomagnesemia pode estar associada, mas não é a causa predominante.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D está incorreta porque os distúrbios ácido-base no período neonatal são relativamente comuns, especialmente em recém-nascidos prematuros ou com condições como asfixia, sepse, cardiopatias congênitas e doenças respiratórias. Além disso, a capacidade renal de compensação metabólica no recém-nascido é limitada, não elevada, devido à imaturidade tubular e à baixa taxa de filtração glomerular. A afirmação de que os distúrbios são incomuns e que a capacidade renal é elevada é duplamente incorreta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E está incorreta porque a hipercalemia neonatal não ocorre principalmente por excesso de ingestão de potássio na dieta. A imaturidade renal é um dos principais fatores, pois a excreção de potássio depende da função tubular distal, que é limitada no recém-nascido. Outros mecanismos incluem acidose, hemólise, asfixia, hemorragia e uso de medicamentos como a indometacina. O excesso de ingestão é menos comum como causa primária.