Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg728399
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Neonatologia
A hipertensão pulmonar persistente do recém-nascido é um distúrbio da transição cardiopulmonar que pode estar associado a diferentes fatores perinatais. Considerando aspectos fisiopatológicos e fatores associados, assinale a alternativa correta a respeito dessa condição.
AEstá relacionada principalmente à retenção de líquido pulmonar fetal, com melhora progressiva após as primeiras horas de vida.
BPode estar associada à exposição gestacional a determinados medicamentos, com falha na redução da resistência vascular pulmonar após o nascimento.
COcorre predominantemente por imaturidade estrutural pulmonar, sendo mais frequente em recém-nascidos de muito baixo peso.
DApresenta-se, em geral, como complicação tardia de infecções neonatais adquiridas após o período neonatal imediato.
EEstá vinculada sobretudo a alterações anatômicas cardíacas, com repercussão hemodinâmica progressiva no período pós-natal.
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GabaritoB — Pode estar associada à exposição gestacional a determinados medicamentos, com falha na redução da resistência vascular pulmonar após o nascimento.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Hipertensão pulmonar persistente do recém-nascido
Gabarito: letra B. A hipertensão pulmonar persistente do recém-nascido (HPPRN) é um distúrbio da transição cardiopulmonar em que a resistência vascular pulmonar (RVP) permanece elevada após o nascimento, e a alternativa correta aponta corretamente que ela pode estar associada à exposição gestacional a determinados medicamentos, com falha na redução da RVP. As demais alternativas confundem a HPPRN com outras condições neonatais, como a taquipneia transitória do recém-nascido (retenção de líquido pulmonar) e a síndrome do desconforto respiratório (imaturidade pulmonar).
A HPPRN é uma síndrome caracterizada pela manutenção da hipertensão pulmonar fetal após o nascimento, impedindo a transição normal da circulação fetal para a neonatal. Durante a vida fetal, a RVP é elevada e o sangue é desviado do pulmão através do canal arterial e do forame oval. Ao nascimento, com a primeira respiração, a RVP cai drasticamente, permitindo o aumento do fluxo sanguíneo pulmonar. Na HPPRN, essa queda não ocorre adequadamente, resultando em hipoxemia grave e shunt extrapulmonar (direita-esquerda) através do canal arterial e do forame oval.
As causas da HPPRN são variadas e podem ser divididas em três grupos principais: (1) HPPRN primária ou idiopática, sem causa aparente; (2) HPPRN secundária a doenças pulmonares, como síndrome do desconforto respiratório, aspiração de mecônio, pneumonia e sepse; (3) HPPRN associada a hipoplasia pulmonar ou a alterações vasculares pulmonares, como na hérnia diafragmática congênita. Além disso, fatores perinatais como asfixia, hipoglicemia, hipocalcemia e policitemia podem contribuir para a falha na redução da RVP.
A exposição gestacional a certos medicamentos, como anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) e inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), está associada ao desenvolvimento de HPPRN. Esses fármacos podem interferir na síntese de prostaglandinas ou na via da serotonina, que são importantes para a vasodilatação pulmonar fisiológica ao nascimento. A alternativa B captura exatamente essa associação, destacando a falha na redução da RVP após o nascimento.
A distinção crucial é entre HPPRN e outras condições respiratórias neonatais. A taquipneia transitória do recém-nascido (TTRN) é causada pela retenção de líquido pulmonar fetal e melhora progressivamente nas primeiras horas de vida, enquanto a síndrome do desconforto respiratório (SDR) é devida à imaturidade estrutural pulmonar, sendo mais frequente em prematuros. A HPPRN, por sua vez, não é primariamente uma doença de imaturidade pulmonar, mas sim uma falha na transição circulatória, podendo ocorrer em recém-nascidos a termo ou pós-termo.
A pegadinha da banca está em associar a HPPRN a condições que são causas de desconforto respiratório neonatal, mas que têm fisiopatologia distinta. O candidato deve reconhecer que a HPPRN é uma síndrome de hipertensão pulmonar persistente, e não uma doença pulmonar primária. A alternativa B é a única que menciona corretamente a exposição gestacional a medicamentos como fator associado, o que é um ponto-chave na fisiopatologia da HPPRN.
Esta alternativa descreve a taquipneia transitória do recém-nascido (TTRN), que é causada pela retenção de líquido pulmonar fetal e melhora progressivamente nas primeiras horas de vida. Na HPPRN, o problema é a persistência da RVP elevada, não a retenção de líquido. A TTRN é uma condição benigna e autolimitada, enquanto a HPPRN é uma emergência grave. A banca troca a fisiopatologia da TTRN pela da HPPRN, explorando a confusão entre as duas condições respiratórias neonatais.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A exposição gestacional a determinados medicamentos, como AINEs e ISRS, está associada à HPPRN. Esses fármacos podem interferir na vasodilatação pulmonar fisiológica ao nascimento, levando à falha na redução da RVP. A alternativa B está correta ao afirmar que a HPPRN pode estar associada à exposição gestacional a medicamentos, com falha na redução da RVP após o nascimento. Esse é um fator de risco bem estabelecido na literatura.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A imaturidade estrutural pulmonar é a causa da síndrome do desconforto respiratório (SDR), que é mais frequente em recém-nascidos de muito baixo peso. A HPPRN, por outro lado, ocorre mais comumente em recém-nascidos a termo ou pós-termo, e não está primariamente relacionada à imaturidade pulmonar. A banca troca a fisiopatologia da SDR pela da HPPRN, confundindo o candidato.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A HPPRN é uma condição que se manifesta nas primeiras horas de vida, não como complicação tardia de infecções neonatais adquiridas após o período neonatal imediato. Embora a sepse neonatal possa causar HPPRN, ela ocorre no período neonatal precoce, não tardiamente. A alternativa D está incorreta ao sugerir que a HPPRN é uma complicação tardia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A HPPRN não está vinculada sobretudo a alterações anatômicas cardíacas. Embora cardiopatias congênitas possam cursar com hipertensão pulmonar, a HPPRN é primariamente um distúrbio funcional da transição cardiopulmonar, sem alteração anatômica cardíaca estrutural. A alternativa E confunde a HPPRN com cardiopatias congênitas que cursam com hipertensão pulmonar.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora trocar a fisiopatologia da HPPRN pela de outras condições neonatais, como TTRN (retenção de líquido) e SDR (imaturidade pulmonar). Fique atento: a HPPRN é uma falha na transição circulatória, não uma doença pulmonar primária. Identifique a palavra-chave "resistência vascular pulmonar" para acertar.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar as condições, lembre-se: TTRN = líquido pulmonar; SDR = imaturidade; HPPRN = RVP elevada. Associe cada uma ao seu mecanismo fisiopatológico e aos fatores de risco específicos.